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TEORIA MAGNÉTICA DO AMOR
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A atenção volta-se para o domínio intermediário do Eros a fim de evidenciar seu substrato elementar mediante uma investigação metafísica entendida como conhecimento do lado hiperfísico e invisível do ser humano, uma vez que o Eros não se explica pelo finalismo biológico, pelo impulso genésico ou pela ideia isolada de prazer.
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O exame inicia-se pelo substrato elementar do sexo.
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“Metafísica” designa o conhecimento do lado hiperfísico e invisível do ser humano.
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O Eros não se reduz à função reprodutiva nem ao prazer como fim autônomo.
O Eros deve ser considerado como estado diretamente determinado pela polaridade dos sexos, análogo ao campo magnético criado por dois polos, fenômeno que se explica por si mesmo e que corresponde ao ensinamento tradicional do Extremo Oriente sobre a energia tsing derivada da polaridade yin e yang.-
A polaridade sexual determina o Eros como os polos determinam o magnetismo.
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Trata-se de fenômeno elementar que não depende de explicações empíricas externas.
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O Extremo Oriente ensina que a energia tsing nasce da polaridade yin e yang.
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O tsing especifica a força vital tsri e cresce conforme o grau de yang no homem e de yin na mulher.
A força magnética tsing possui contrapartida psicológica no estado de vibração e desejo do eros humano, que provoca deslocamento inicial da consciência de vigília e fundamenta costumes que reconhecem o perigo da simples presença isolada entre homem e mulher, manifestando-se em graus crescentes até a união física, acompanhados de modificações sutis no organismo.-
O tsing induz vibração e desejo que alteram a consciência comum.
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A simples presença já suscita o grau elementar dessa força.
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A proibição de intimidade isolada baseia-se nesse magnetismo.
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O contato físico intensifica o fenômeno.
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A penetração constitui o grau limite da experiência amorosa ordinária.
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Respiração, sangue e estado psíquico sofrem modificações correlatas.
Afirma-se a existência de uma magia natural do amor como fato hiperfísico positivo confirmado pela sabedoria popular por meio de termos como “fluido” e “fascínio”, este último ligado ao fascinum da Antiguidade e integrado às teorias amorosas do Ocidente até a Renascença em autores como Lucrécio, Avicenna, Ficino e Della Porta.-
A magia amorosa aparece mesmo nas formas mais primitivas de humanidade.
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A linguagem popular fala de um “fluido” na atração entre os sexos.
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“Fascínio” deriva de fascinum, termo técnico antigo para encantamento.
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A concepção magnética do amor integrou teorias ocidentais até a Renascença.
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Ficino associava a febre amorosa a infecção do sangue provocada pelo olhar, análoga ao “mau olhado”.
A ação do olhar acende o estado fluídico tsing que invade o sangue, fazendo com que o amante traga a amada no sangue segundo uma doutrina transfisiológica tradicional que considera o sangue como grande agente simpático da vida e primeira encarnação do fluido universal.-
O olhar desencadeia inicialmente o estado fluídico.
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O amante passa a trazer a amada no sangue, independentemente da distância.
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Expressões universais dos amantes confirmam essa experiência.
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O sangue, nas tradições antigas, remete a uma doutrina transfisiológica.
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O sangue é visto como substrato da luz magnética e da força vital materializada.
C. Mauclair, em sua teoria magnética do amor, supera a antítese entre físico e espiritual ao situar a experiência erótica num plano intermediário onde ambos se fundem, explicando a hiperestesia do casal e o caráter inexplicável da escolha amorosa conforme ensinamentos tradicionais sobre a estrutura magnética do Eros.-
Mauclair dissolve a oposição entre carne e alma na experiência erótica.
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O amor ocorre em plano intermediário de fusão e superação.
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A hipótese magnética esclarece a hiperestesia do casal.
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Beleza ou inteligência subordinam-se à razão essencial magnética inexplicável.
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Lolli distingue o amor magnético dos amores platônico e sensual.
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Sem o “fluido” não há atração; cessado ele, resta apenas afeto ou hábito.
Os amantes desenvolvem espontaneamente técnica para ativar e alimentar essa magia, processo descrito por Stendhal como “cristalização” e que corresponde psicologicamente ao monoideísmo ou imagem coativa, concentração obsessiva que Andreas Capellanus definiu como agonia derivada da meditação extrema sobre pessoa do sexo oposto.-
A magia pode ser cultivada pelos próprios amantes.
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A “cristalização” designa a concentração imaginativa sobre a amada.
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Psicologicamente trata-se de monoideísmo ou imagem coativa.
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A concentração é automática e pouco racionalizável.
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Perguntas recorrentes entre amantes revelam seu valor como medida do amor.
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Andreas Capellanus define o amor como agonia oriunda de meditação extrema.
Eliphas Levi explica a fascinação amorosa como embriaguez causada pela congestão da “luz astral”, identificada à Lux naturae de Paracelso, ao âkâça hindu e ao aor da cabala, fundo hiperfísico da vida cuja ativação produz imaginação mágica essencial à dinâmica entre os amantes.-
O encontro das atmosferas magnéticas gera embriaguez de luz astral.
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A luz astral corresponde ao fundo hiperfísico da vida.
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A congestão dessa luz é contrapartida objetiva da exaltação.
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Pode ser experimentada em estados não ordinários de consciência.
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A imaginação mágica atua mais decisivamente que o pensamento discursivo.
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Definições de Chamfort e expressões como “sonho de amor” indicam esse desvio exaltado da consciência.
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