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TRAVESTIS INICIÁTICOS
GORDON, Pierre. Le Mythe d’Hermès. Paris: Arma Artis, 1984.
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A prática do intercâmbio de vestimentas entre os sexos durante a festa de Hybristika, no mês de Hermès em Argos, evidencia o caráter iniciático da solenidade e a conexão da divindade com o crescente lunar.
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O ritual, também denominado Endymatia devido ao uso de disfarces, encontra paralelos em cerimônias terminais de diversas iniciações etnográficas contemporâneas.
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Costumes idênticos são registrados em localidades como Cos, Tégée, Gynécopolis, Bizâncio e Chipre, além de figurarem em episódios mitológicos de Héracles com Onfale e de Aquiles em Esquiro.
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Tais usos rituais arcaicos fundamentam-se na crença de que o traje determinava a essência, servindo para demonstrar que a iniciação opera uma renovação completa, capaz de alterar simbolicamente o sexo do indivíduo.
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A origem primordial desses travestimentos reside na liturgia de criação que representa a indivisibilidade original da qual emergem dois seres de sexos distintos.
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Essas concepções elevadas centradas em Hermès sofreram uma lenta degradação folclórica ao longo de milênios, resultando nas práticas modernas de carnaval.
A universalidade da noção de unidade-dualidade primordial e dos disfarces iniciáticos não decorre de uma convergência independente, mas da difusão a partir de um centro religioso único durante o neolítico.-
Este centro irradiador propagou globalmente o ritual de morte e ressurreição, assumindo o papel da antiga Ilha Santa após o colapso da teocracia paleolítica.
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A referida centralidade religiosa constitui a Montanha dos deuses ou o Olimpo grego, atuando como o guardião da Tradição do super-homem desde os primórdios da humanidade.
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A linhagem de Hermès remete hierarquicamente a Zeus, senhor da era de prata, e sucessivamente a Kronos e Ouranos, o instaurador das iniciações que confinava seus filhos na obscuridade do mundo subterrâneo.
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