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ESPIRITISMO E OCULTISMO

O ERRO ESPÍRITA

  • A origem do termo e do conceito de ocultismo é recente, datando da segunda metade do século XIX, tendo sido provavelmente inventado por Éliphas Lévi para designar uma tentativa de reunir diversas ciências ocultas em um corpo de doutrina único, o que deu origem a um conjunto de elementos díspares que influenciaram escolas como a teosófica, a maçônica e a neorrosacruziana, e que na França foi retomado por Papus a partir de 1887, constituindo um ocultismo francês que, em grande parte, era fruto de fantasia individual e visava opor uma falsa tradição ocidental à falsa tradição oriental dos teosofistas.
    • A utilização do termo occultisme por Éliphas Lévi, provavelmente seu inventor, para designar uma reunião de ciências ocultas (como a cabala, o hermetismo e a magia) em um corpo doutrinário único, o que constitui uma novidade.
    • A influência dos obras de Éliphas Lévi sobre os fundadores de escolas diversas, como Mme Blavatsky, Albert Pike e os neorrosacrucianos ingleses.
    • A adoção do termo ocultismo pelos teosofistas para qualificar sua própria doutrina.
    • A retomada do termo na França pelo Dr. Gérard Encausse (Papus) por volta de 1887, que, ao separar-se da Sociedade Teosófica em 1890, pretendeu monopolizá-lo em proveito de sua escola, cujas teorias são em grande parte produto de fantasia individual.
    • A caracterização do ocultismo papusiano como uma concepção neoespiritualista, justificando-se assim sua inclusão no estudo.
  • Os ocultistas, à semelhança dos teosofistas, manifestam desdém pelos espíritas, criticando a mediocridade intelectual e a falta de seleção nos meios espíritas, como faz Papus ao qualificar o espiritismo de filosofia primária; no entanto, essa crítica é justa em si mesma, embora os próprios ocultistas não estejam isentos de contradições, pois sua pretensão ao esoterismo é incompatível com o papel de vulgarizadores que muitos deles assumem, ao passo que o espiritismo, ao rejeitar todo esoterismo e ser eminentemente democrático, é mais lógico em sua atitude.
    • A crítica de Papus ao espiritismo como filosofia primária, voltada para as classes médias e populares, com pouca instrução científica e filosófica.
    • A ressalva de que o próprio Papus, ao atuar como vulgarizador, contradiz as pretensões esotéricas de sua escola, o que não ocorre no espiritismo, que rejeita qualquer esoterismo.
    • A constatação de que, apesar das contradições dos ocultistas, suas críticas ao espiritismo são justas.
  • As relações entre ocultismo e espiritismo foram marcadas inicialmente por ataques recíprocos, mas posteriormente os ocultistas, por seu ecletismo e tendência à conciliação, foram incorporando cada vez mais teorias espíritas em seu sincretismo, atraindo inclusive espíritas para seus quadros, o que contribuiu para a vulgarização e o rebaixamento do nível dos meios ocultistas, onde o elemento feminino e o interesse por artes divinatórias predominavam.
    • A menção às críticas dos chefes do teosofismo ao espiritismo e às tendências à conciliação por parte dos ocultistas.
    • O Congresso Espírita e Espiritualista de Paris em 1889 como marco das tentativas de aproximação.
    • A incorporação gradual de teorias espíritas no sincretismo ocultista e a abertura dos grupos ocultistas a espíritas, o que acelerou a vulgarização e o rebaixamento do nível intelectual.
    • A predominância do elemento feminino e do interesse por artes divinatórias nos meios ocultistas como medida de suas capacidades intelectuais.
  • A diferença na organização entre espíritas e ocultistas explica-se pela recusa dos primeiros a qualquer forma de iniciação ou hierarquia, sendo seu movimento aberto a todos, enquanto os segundos pretendem recomendar-se de uma tradição e organizam-se em sociedades que simulam uma transmissão iniciática, o que, no entanto, não passa de uma caricatura, evidenciada por práticas como as iniciações por correspondência, e o que se lhes reprova não é pretenderem demais, mas não serem efetivamente o que pretendem ser, permanecendo, como os espíritas, no nível de profanos em relação às verdadeiras doutrinas tradicionais.
    • A inexistência de qualquer iniciação espírita, devido ao caráter aberto e igualitário do movimento.
    • A pretensão ocultista a uma tradição e a uma organização que transmita ensinamentos, embora de forma caricatural, como exemplificam as iniciações por correspondência.
    • A posição adotada em relação ao ocultismo: o que se lhe reprova não é ir longe demais, mas não ir suficientemente longe e enganar seus adeptos sobre a qualidade dos conhecimentos que fornece, sendo, tanto quanto os espíritas, profanos em face das verdadeiras doutrinas tradicionais.
  • O ocultismo papusiano, diferentemente do de Éliphas Lévi (que era antiespírita e não acreditava na reencarnação), fez diversos empréstimos ao espiritismo, notadamente a teoria da reencarnação, a importância concedida ao papel dos médiums, a concepção do corpo astral (com diferenças em relação ao perispírito), e a ideia do estado de perturbação pós-morte, todos eles de origem espírita e adotados por ocultistas que, em sua maioria, provinham do espiritismo ou do teosofismo.
    • A distinção entre o ocultismo de Éliphas Lévi, formalmente antiespírita e não reencarnacionista, e o ocultismo papusiano.
    • A identificação da teoria da reencarnação como um empréstimo do espiritismo, transmitido via teosofismo ou diretamente pelos antigos espíritas que aderiram ao ocultismo.
    • A influência espírita na importância que o ocultismo concede ao papel dos médiuns e na concepção do corpo astral, que incorpora particularidades do perispírito.
    • A origem espírita da doutrina do estado de perturbação após a morte, adotada por Papus, que a expõe em termos idênticos aos dos autores espíritas.
    • A referência às doutrinas sobre as consequências das ações através das existências sucessivas (karma), onde os espíritas também reivindicam a prioridade.
  • O caráter experimental e fenomênico do ocultismo, aliado à sua preocupação em dar às teorias um aspecto científico e à sua abertura às influências espíritas, levou-o a admitir, em certa medida, a hipótese fundamental do espiritismo, a comunicação com os mortos, ainda que procurasse restringi-la a casos excepcionais ou a certas categorias de espíritos (como os mortos amados), o que é arbitrário e revela as mesmas tendências sentimentais que os ocultistas criticam nos espíritas, evidenciando que a diferença entre ambos é apenas de grau e que o ocultismo, em sua terminologia e concepções, também sucumbe ao materialismo transposto.
    • A influência das mentalidades científicas e médicas sobre o ocultismo, levando-o a dar grande importância à experimentação e ao estudo dos fenômenos, o que o aproxima do espiritismo.
    • A admissão parcial, por parte do ocultismo, da explicação espírita para os fenômenos, restringindo-a a certos casos, como os de evocação de mortos amados, o que é arbitrário e incoerente.
    • A crítica a essa restrição sentimental, que contradiz a pretensão científica do ocultismo e o coloca, no fundo, no mesmo terreno do espiritismo, com uma diferença apenas de grau.
    • A evidência do sentimentalismo ocultista em frases que privilegiam a manifestação de entes queridos, e a confirmação de que o ocultismo, em sua terminologia de fluidos e na sua concepção da comunicação, permanece preso ao materialismo transposto herdado dos magnetizadores e espíritas.
  • Apesar de algumas tentativas de aproximação, como a afirmação de Papus de que as teorias do espiritismo e do ocultismo são fundamentalmente idênticas, o que é uma exageração política, e de uma certa incompreensão recíproca, há entre os dois movimentos um antagonismo real, agravado pelo fato de os espíritas rejeitarem as explicações adicionais dos ocultistas e de estes, ao incorporarem elementos espíritas, se distanciarem de qualquer pretensão legítima a um verdadeiro esoterismo, embora seja forçoso reconhecer que o ocultismo, por suas preocupações mais amplas, ainda que não muito sólidas, é superior ao espiritismo.
    • A referência às tentativas de aproximação dos ocultistas com os espíritas, como no Congresso de 1889, e à atitude de desconfiança destes últimos.
    • A afirmação de Papus sobre a identidade fundamental das doutrinas espírita e ocultista, considerada uma exageração de caráter político.
    • A persistência de um antagonismo entre os dois movimentos, baseado na recusa espírita das teorias ocultistas sobre outros elementos intervenientes nos fenômenos.
    • A conclusão de que, embora o ocultismo seja superior ao espiritismo por suas preocupações menos restritas, essa superioridade é relativa e não lhe confere o direito de se apresentar como expressão de um verdadeiro esoterismo, dada a sua promiscuidade com o espiritismo.
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