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MISSA
HANI, Jean. La divine liturgie: aperçues sur la messe. Paris: Éditions de la Maisnie, 1981
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A exploração do conteúdo, modo de desenrolar e estrutura da “memória ritual” que constitui a missa.
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O exame da estrutura mais aparente da missa como ponto de partida.
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O estudo da origem desta estrutura para penetrar na substância e estrutura interior do rito.
A divisão habitual da missa em duas grandes partes: a “Ante-Missa” ou “Preparação” e a “Missa propriamente dita”.-
A primeira parte: do início até à leitura do Evangelho e homilia, constituída essencialmente por leituras e cantos de louvor, com papel principal da assembleia.
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A segunda parte: ofertório, consagração e comunhão, com papel principal do sacerdote.
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A primeira parte como continuação adaptada do culto sinagogal.
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A substituição do culto sacrificial por leituras e orações na sinagoga após a destruição do Templo.
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A orientação destas leituras e orações para a expectativa da Nova Aliança e do Grande Sacrifício do Messias.
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A perpetuação deste culto mesmo após a reconstrução do Templo e na atualidade.
A adaptação do culto sinagogal ao culto cristão, remontando à instituição do qahal (assembleia dos fiéis).-
A estrutura do qahal em quatro atos: convocação do povo; escuta da leitura solene da Palavra divina; aceitação na jubilação, louvor e oração; renovação e confirmação da aliança com Deus pelo sacrifício.
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A ação dos Apóstolos: convocar o novo povo eleito, reuni-lo para ouvir a Palavra de Deus e selar a nova aliança pelo Grande Sacrifício realizado.
A importância da liturgia judaica das refeições, especialmente a pascal, para compreender a missa.-
A escolha do quadro da refeição pascal por Cristo para instituir o Seu sacramento.
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O repasto pascal como uma versão familiar e restrita dos grandes qahal.
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A celebração de repastos litúrgicos, segundo o modelo pascal, na véspera do sábado e das grandes festas entre as comunidades piedosas (habouroth).
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O desenrolar destes repastos como chave para compreender a Última Ceia.
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Os aperitivos (mézé) e as copas de vinho abençoadas circuladas antes do repasto.
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A “primeira copa” da Ceia, mencionada por São Lucas.
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A lavagem das mãos com água perfumada.
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O início do repasto com a solene fração do pão pelo chefe da comunidade, com a fórmula: “Bendito sejas Tu, Senhor, que fizeste produzir o pão à terra”.
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A consagração do pão por Cristo neste momento.
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A bênção dos pratos e das copas de vinho trazidos a seguir.
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A bênção solene da última copa pelo chefe da comunidade: “Bendito sejas Tu, Senhor… que criaste o fruto da videira”.
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Os ritos precedentes: das lâmpadas e do incenso, e um segundo lavamento das mãos, substituído por Cristo pela lavagem dos pés dos Apóstolos.
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O rito solene da última copa, com água misturada ao vinho, acompanhado de uma grande ação de graças (eucharistia), recordando os benefícios de Deus.
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A consagração do vinho por Cristo neste momento, selando a nova aliança.
A prática deste tipo de celebração nas primeiras comunidades cristãs: o kirygma (anúncio da Palavra), os louvores da assembleia e o sacrifício da “fração do pão”.A persistência na missa não apenas da estrutura geral, mas também de detalhes de cantos e fórmulas do culto judaico.-
A origem direta das saudações do sacerdote: “O Senhor esteja convosco” (Ocidente) e “A paz esteja convosco” ou “A paz esteja com todos” (Oriente), dos judeus.
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A conclusão das doxologias “… pelos séculos dos séculos” como decalque exato da fórmula hebraica min ha-olam ad ha-olam.
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A conservação do Amen e do Aleluia na língua original, ligados aos ritos judaicos.
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O Amen como aclamação de adesão do povo à louvor.
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O significado de Aleluia (“Louvai a Deus”, “Deus seja louvado”) e a sua origem no Hallel cantado no repasto pascal.
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Os três Aleluia cantados antes do Evangelho na missa como resquício deste costume.
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A ligação estreita entre a manducação do Pão da Vida e a invocação do Nome de Deus, sugerida pelo Salmo 115.
A conservação de uma fórmula da ação de graças sinagogal no solene início da anáfora ou “Prefácio”: “É verdadeiramente digno e justo, equitativo e salutar, que sempre e em toda a parte Vos demos graças, Senhor…”.-
A evocação das hostes celestes e o canto do Sanctus incluídos nesta ação de graças, como na missa.
A origem judaica do quadro, orientação geral e muitas formulações da missa, invalidando a tese helenizante de uma derivação dos mistérios antigos.-
A demonstração atual deste fato.
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A rejeição do excesso contrário dos teólogos “judaizantes”, que negam qualquer relação com as religiões de mistério.
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O primeiro facto contra esta negação: o emprego dos principais termos do vocabulário grego dos mistérios pela liturgia (ex: ta hiera mysteria, “Os Santos Mistérios”).
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A diferença radical de conteúdo e espírito entre os ritos judaicos e o rito cristão.
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O espírito judaico, profundo mas essencialmente apegado às coisas da terra e aos benefícios materiais.
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A rutura no monoteísmo: a manducação do deus morto e ressuscitado e a assimilação do fiel são totalmente estranhas ao judaísmo exotérico.
A coincidência desta ideia essencial com a dos mistérios antigos, não por derivação, mas por correspondência a uma constante universal.A adoção da linguagem dos mistérios pelos Santos Padres como reconhecimento deste esquema fundamental e universal da religião “interior”.A importância de considerar o paralelismo do rito cristão com outros ritos para revelar um esquema universal de realização espiritual.-
O objetivo: mostrar o enraizamento do cristianismo nas tradições da humanidade e a sua resposta às exigências espirituais fundamentais.
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O fortalecimento da Revelação cristã por estes paralelismos.
A estrutura constante do ritual dos mistérios antigos: purificação, sacrifício e repasto sagrado, representação da história divina (memorial), comunhão com o deus.-
A incerteza sobre quais elementos eram reservados à iniciação ou repetidos nos ofícios regulares.
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A inclusão de todos estes elementos no rito da missa, que é uma retomada de toda a iniciação cristã.
A descrição do ritual de Elêusis como exemplo.-
O banho de purificação dos mystai.
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O sacrifício dos leitões de Deméter.
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O repasto sagrado.
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A representação “dramática” da história de Deméter e Coré.
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A absorção de uma bebida sagrada, o kykeon, e o toque de objetos sagrados, os hiera, como símbolo da união com a Deusa.
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O hierogamos (casamento sagrado) do pontífice com a sacerdotisa, como imagem da união de Deméter com Zeus e garantia da união do iniciado.
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A iluminação do templo e o anúncio do nascimento do divino Brimos, arquétipo do iniciado “recém-nascido” (neófito).
A descrição dos mistérios orientais de Átis, aproximados dos ritos cristãos por Firmico Materno.-
Átis como deus morto e ressuscitado.
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A grande cerimónia no equinócio da primavera: sacrifício de um touro, Luto pela sua morte (figurado por um pinheiro cortado), celebração da ressurreição.
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A iniciação: taurobolium e criobolium (batismo), absorção de alimentos e bebida sagrada (aproximados da Ceia), e um rito nupcial com Cibele.
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A identificação do mysta com a vítima do sacrifício, a sua morte simbólica, regeneração e renascimento no seio da Mãe.
A descrição dos mistérios greco-egípcios de Ísis e Osíris.-
O objetivo: fazer entrar o iniciado no destino de Osíris, deus morto e ressuscitado.
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A comemoração da paixão de Osíris, a descida aos infernos pelo mysta, o seu renascimento e ascensão à luz, tornando-se uma hipóstase do astro e adquirindo a imortalidade.
A descrição dos mistérios de Mitra, com semelhanças assinaladas por Tertuliano.-
O mito: Mitra mata o touro divino, de cuja alma surge um gênio protetor; no fim dos tempos, o mesmo touro será morto para o breuvagem de imortalidade dos eleitos.
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O touro como o próprio deus, num esquema de deus simultaneamente sacrificador e sacrificado.
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O sacrifício servindo apenas para o batismo do iniciado, aspergido com o sangue.
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A comunhão ao deus sob o símbolo do pão e de uma copa de água (substitutos do touro/Mitra).
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A consagração destes alimentos pelo “Pai” (iniciado de alto grau).
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A mistura de suco de plantas à água, como substituto do haoma.
A menção do rito asteca Teoqualo (“comer o deus”) como exemplo da universalidade do esquema.-
A fabricação de uma estatueta do deus com pasta, a sua “morte” ritual por uma lança e a distribuição do “corpo” pelos assistentes.
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A evocação deste gesto para a análise de um certo rito da missa.
A precisão do conceito de “drama místico” como mimodrama ritual, distinguindo-o do teatro.-
A diferença essencial: a missa opera um evento objetivo e ontológico, enquanto o teatro é uma ficção que age sobre a imaginação.
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O uso de símbolos na missa, únicos meios de evocar realmente o invisível, em contraste com as imagens concretas do teatro.
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A rejeição da visão profana da “eficácia simbólica” baseada numa suposta identidade entre símbolo e coisa simbolizada.
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A relação de analogia entre símbolo e coisa simbolizada.
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A influência psicológica do símbolo, insuficiente para a sua eficácia ritual.
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A necessidade de o símbolo ser “vitalizado” por uma influência espiritual para realizar a presença do sagrado.
A organização das sequências do mimodrama da missa numa dupla estrutura, conforme o ponto de vista da Divina Vítima ou dos oficiantes e fiéis.-
Do ponto de vista da Vítima: um mimodrama da vida e operações de Cristo.
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Do ponto de vista dos participantes: uma integração de toda a iniciação cristã.
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A confusão destes dois pontos de vista.
A Ante-Missa como uma renovação da iniciação cristã, do batismo.-
A aspersão da água no rito latino como recordação da água batismal.
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A renovação da purificação inicial em todas as liturgias, tornando o profano em “santo” (separado) para oferecer e participar no sacrifício.
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A recitação da confissão pública como antecipação do Juízo, purificando a pureza batismal obscurecida.
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A recitação do Salmo 42 em muitas liturgias, evocando o combate do catecúmeno contra as forças inferiores, o “homem mau” (o ego decaído).
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O canto deste salmo pelos recém batizados a caminho da comunhão.
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A justificação do nome “Missa dos Catecúmenos” para esta parte, permitindo ao cristão reviver a sua iniciação batismal.
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A continuação das etapas da iniciação na Ante-Missa: a recepção do Evangelho, do Credo e do Pater pelos catecúmenos, correspondendo às leituras do Evangelho e Epístolas e ao canto do Credo na missa.
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A necessidade desta recapitulação hoje, dado que o batismo é administrado a recém-nascidos.
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A recapitulação das outras duas etapas da iniciação (Confirmação e Eucaristia) após o ofertório.
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A síntese das três vias (purgativa, iluminativa, unitiva) no mimodrama sacrificial.
O desenrolar do mimodrama do ponto de vista da Santa Vítima segundo duas novas estruturas entrelaçadas.-
A primeira estrutura: a do sacrifício com os seus três atos capitais (oferenda, imolação, comunhão).
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A segunda estrutura: a evocação simbólica dos principais factos da vida do Salvador antes e após o Seu sacrifício, representando todo o “mistério da salvação”.
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O entrelaçamento e imbricação destas duas estruturas na análise.
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A não observância da ordem cronológica histórica na evocação, devido ao tempo “fora do tempo” da memória ritual.
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A apresentação dos eventos por antecipação ou repetição, segundo uma ordem pedagógica ou “catequese mistagógica”.
A dominância das duas estruturas pelos grandes símbolos do Pão e do Vinho, que sintetizam todos os elementos.-
A adequação destes símbolos ao objecto do Santo Sacrifício, como principais alimentos da vida natural.
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O simbolismo do pão a vários níveis.
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O pão como sinal de unidade, recapitulação do múltiplo na unidade (ex: na Didaché).
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A cultura do trigo e fabricação do pão como imagem do sacrifício e renascimento espiritual: a morte do grão e a sua ressurreição como pão.
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A ligação linguística em hebraico entre “pão” (lehem) e “carne” (lihum), iluminando as palavras de Cristo.
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O intersigno do nascimento de Cristo em Belém (“Casa do Pão”).
O simbolismo do vinho como bebida de imortalidade.-
A semelhança com o sangue, suporte da “alma de vida”.
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Cristo como a Videira.
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O tema do Lagar Místico: a Cruz como prensa donde jorra o vinho/sangue da imortalidade.
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A “embriaguez” mística provocada pelo vinho espiritual, simbolizando a saída do ego e a assunção na Personalidade divina.
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A identidade gemátrica em hebraico entre yain (“vinho”) e sod (“mistério”).
O simbolismo do cálice como símbolo do coração, um “vaso de sangue”.-
O esquema comum do coração e do cálice como um triângulo invertido.
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O cálice representando o Coração de Cristo cheio do Seu Sangue.
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