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ORIGEM CELESTE DO TEMPLO
HANI, Jean. Mythes, rites et symboles: les chemins de l’invisible. Paris: G. Trédaniel, 1992.
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O exame da origem celeste do templo é fundamental, pois no pensamento tradicional a concepção do edifício sagrado não provém da inspiração pessoal do arquiteto, mas é revelada pelo próprio Deus, que comunica aos homens, por intermédio de um profeta, o arquétipo celeste a ser reproduzido na terra, fundando assim a tradição arquitetônica legítima.
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A concepção do templo não é entregue à inspiração pessoal do arquiteto.
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O templo terreno é realizado segundo um arquétipo celeste.
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O arquétipo é comunicado aos homens por intermédio de um profeta.
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Essa comunicação funda a tradição arquitetônica legítima.
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Os santuários do Antigo Testamento foram edificados conforme indicações divinas detalhadas, como no caso da Arca da Aliança, cujos arquitetos, Betzeliel e Aholiab, receberam de Deus o espírito de sabedoria para a obra, e do Tabernáculo e seus utensílios, que Moisés deveria executar exatamente segundo o modelo que lhe foi mostrado no monte.
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Deus concedeu a Betzeliel e Aholiab, arquitetos da Arca da Aliança, o espírito de sabedoria, inteligência e ciência para toda a obra.
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O Senhor deu a Moisés prescrições pormenorizadas para a construção do santuário e de todos os utensílios, segundo o modelo que lhe foi mostrado.
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Davi transmitiu a Salomão as regras recebidas de Deus para a construção do Templo, incluindo o modelo de todas as suas partes e o que lhe fora inspirado pelo Espírito, e o próprio Salomão reconheceu, no livro da Sabedoria, que ordenara construir um templo cópia do Tabernáculo sagrado preparado por Deus desde o princípio.
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Davi transmitiu a Salomão o modelo do pórtico, das casas, dos gabinetes e de todas as coisas que lhe foram inspiradas pelo Espírito.
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Salomão declarou a Deus que construíra um templo em Seu santo nome, cópia do Tabernáculo sagrado preparado por Deus desde o princípio.
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O profeta Ezequiel teve uma visão de um ser sobrenatural que, com uma cana de medir, lhe forneceu todas as medidas e a descrição do templo a construir, e Deus ordenou-lhe que descrevesse à casa de Israel a forma, o desenho, as disposições, os ritos e as leis do templo, para que fossem guardados e postos em prática.
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Ezequiel viu um ser sobrenatural com uma cana de medir que lhe forneceu a descrição e todas as medidas do templo.
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Deus ordenou a Ezequiel que descrevesse a forma, o desenho, as disposições, os ritos e as leis do templo a Israel.
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O objetivo da descrição era que Israel guardasse todos os ritos e regulamentos e os pusesse em prática.
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A Arca de Noé, cujos pormenores de construção e medidas foram fornecidos por Deus, é considerada uma figura da Igreja e, portanto, do templo visível, tendo sua forma e dimensões sido interpretadas pelos primeiros Padres num sentido nitidamente eclesial.
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Os pormenores e medidas da Arca de Noé foram fornecidos por Deus.
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A Arca é considerada uma figura da Igreja e, por conseguinte, do templo visível.
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Os primeiros Padres interpretaram a forma e as dimensões da Arca num sentido eclesial.
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Objeta-se, por vezes, que a concepção do templo como réplica de um arquétipo celeste, verdadeira para o Templo de Jerusalém, não se aplica à igreja cristã, vista por alguns liturgistas apenas como abrigo para a assembleia dos fiéis, e não como habitação da divindade e objeto sagrado em si mesmo.
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Alguns liturgistas recusam admitir qualquer laço entre o templo de Jerusalém (ou qualquer templo não cristão) e a igreja cristã.
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Para esses, a igreja cristã seria apenas um abrigo para a assembleia dos fiéis.
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Ela não desempenharia o papel do templo hebreu como habitação da divindade e objeto sagrado conforme um modelo celeste.
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Esta visão restritiva da igreja cristã é considerada inexata, pois ignora a tradição e a própria natureza das coisas, inclusive o ritual da consagração das igrejas, que estabelece um paralelo constante com o templo de Salomão, ritual que os críticos rejeitam como “sobrecarregado” por elementos alheios à “pura concepção cristã primitiva”.
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O ritual da consagração das igrejas estabelece um paralelo constante entre o templo cristão e o de Salomão.
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Os críticos dessa visão tradicional alegam que tal ritual está “sobrecarregado” de elementos que não representariam a “pura concepção cristã primitiva”.
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A posição que rejeita o laço com o Templo de Salomão é considerada historicista e destituída de verdadeiro sentido espiritual.
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A tradição cristã mais antiga, no entanto, afirma a continuidade entre o templo cristão e o templo dos judeus, como demonstra São Clemente de Roma ao afirmar que o próprio Deus indicou o local e os ministros dos ofícios divinos, referindo-se às prescrições do Antigo Testamento, e São Paulino de Tiro, que construiu uma igreja segundo princípios de inspiração divina, tomando como arquétipo o que via fazer ao mestre supremo.
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São Clemente de Roma afirmou que o próprio Deus indicou, por Sua suprema vontade, o local e os ministros dos ofícios divinos.
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Comentando São Clemente, Mède observa que essa afirmação se refere às prescrições do Antigo Testamento.
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São Paulino de Tiro, segundo Eusébio, edificou um templo segundo princípios de inspiração divina.
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Paulino tomou como arquétipo o que via fazer ao mestre supremo, reproduzindo a imagem com a maior exatidão possível.
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A descrição da igreja construída por São Paulino, preservada por Eusébio, revela que o edifício foi erguido segundo as descrições dos santos oráculos, sendo uma cópia terrestre do tipo celeste, a Igreja dos primogênitos inscritos no céu, a Jerusalém do Alto, e todas as suas disposições são apresentadas com seu simbolismo.
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A igreja de São Paulino foi construída “segundo as descrições fornecidas pelos santos oráculos”.
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O edifício é apresentado como uma cópia, na terra, do tipo celeste.
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O tipo celeste é a Igreja dos primogênitos inscritos no céu, a Jerusalém do Alto.
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Todas as disposições da igreja são detalhadas com o seu simbolismo.
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O documento sobre São Paulino mostra que, para os primeiros Padres, a concepção cristã do templo, com sua originalidade, situava-se na mesma perspectiva do Antigo Testamento: o templo cristão é o reflexo terrestre de um arquétipo celeste, a Jerusalém do Apocalipse, apresentada por São João de forma análoga à visão de Ezequiel, com suas dimensões prototípicas medidas por um anjo arquiteto.
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A concepção cristã primitiva do templo situa-se na mesma perspectiva do Antigo Testamento.
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O templo cristão é o reflexo terrestre de um arquétipo celeste, a Jerusalém do Apocalipse.
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São João, como Ezequiel, transmitiu as dimensões prototípicas da Jerusalém celeste, calculadas por um anjo arquiteto com uma cana de ouro.
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A Jerusalém celeste é o símbolo central para o estudo do templo cristão, pois está no cerne da liturgia da Consagração e é dela que o templo obtém seu significado fundamental, sintetizando a ideia cristã de “comunidade dos eleitos” e “corpo místico” com a ideia judaica do templo como residência do Altíssimo, assegurando a continuidade entre os dois Testamentos e, por conseguinte, entre os dois templos.
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A Jerusalém celeste é o símbolo capital para o estudo do templo cristão.
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Ela está no centro da liturgia da Consagração, da qual o templo obtém seu significado fundamental.
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A Jerusalém celeste sintetiza a ideia cristã de comunidade dos eleitos e corpo místico com a ideia judaica do templo como residência do Altíssimo.
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Essa síntese assegura a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento e, por conseguinte, entre o templo de Jerusalém e a igreja cristã.
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