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VERDADE DA CERTEZA

  • A narrativa corânica da visão do fogo por Moisés estabelece o símbolo central pelo qual se articula a experiência da presença divina, desde o anúncio da chama até o chamado que proclama a santidade d’Aquele que está no fogo e ao seu redor, segundo o Qur’ān XXVII: 7–8.
    • O fogo aparece como sinal inicial percebido à distância e motivo de busca.
    • O chamado recebido ao alcançar a chama revela a presença divina envolvente.
    • A bênção proclamada identifica o fogo com a teofania do Senhor dos mundos.
  • A doutrina esotérica islâmica distingue três graus de fé — ʿilmu ’l-yaqīn, ʿaynu ’l-yaqīn e ḥaqqu ’l-yaqīn — ilustrados pelo símbolo do fogo como Verdade Divina, culminando na unidade consumidora que só pertence ao Uno e na qual Moisés é introduzido ao ser convocado para a Presença divina.
    • O grau da Lore of Certainty corresponde ao conhecimento por notícia, como aqueles que apenas ouviram de Moisés relatos da Sarça Ardente.
    • O grau da Eye of Certainty corresponde à visão da luz do fogo, como Moisés antes de alcançar a Sarça.
    • O grau da Truth of Certainty corresponde à consumação no fogo e à unidade com ele, realidade própria apenas do Uno.
    • A entrada na Presença divina equivale à entrada no próprio fogo.
  • A confirmação dessa experiência suprema é reforçada no Qur’ān XX: 11–12 pelo símbolo da retirada das sandálias no vale sagrado de Tuwa, indicando a santidade do lugar e a identidade do Senhor que chama Moisés.
    • A ordem de retirar as sandálias assinala a sacralidade do vale.
    • A autoproclamação divina explicita a identidade do Senhor.
  • A retirada das sandálias representa a extinção de Moisés na Truth of Certainty, isto é, o abandono do fundamento de sua existência aparente nos dois mundos criados, Céu e terra, à luz do significado de Tuwa como “enrolamento”, conforme o Qur’ān XXI: 10.
    • A sandália simboliza o suporte da existência separada do Criador.
    • O “enrolar” evoca o recolhimento escatológico dos céus.
    • A extinção implica a superação de toda alteridade.
  • A condição de despojamento absoluto de alteridade corresponde ao grau do Homem Universal, al-insānu ’l-kāmil, também chamado Sufi, cuja identidade com a Verdade não criada é expressa no ḥadīth qudsī em que Deus Se torna o ouvir, o ver, a mão e o pé do servo.
    • A afirmação de que “o Sufi não é criado” decorre da não-criação da Verdade.
    • O ḥadīth qudsī descreve a aproximação por devoções voluntárias até a identificação funcional com os atributos divinos.
    • A identidade realiza-se pela anulação do criado na Verdade.
  • A mesma identidade é simbolicamente expressa na sentença atribuída ao Profeta — “Eu sou Aḥmad sem a letra mīm… Quem me viu, viu a Verdade” — indicando a superação de princípio e fim na Truth of Certainty.
    • A letra mīm associa-se ao término e à morte.
    • A letra ʿayn associa-se à origem da criação.
    • A eliminação de ambas remete ao Uno sem começo nem fim.
  • A reabsorção de início e fim na unidade aḥad e em rabbī manifesta-se como Eternidade após a extinção, al-baqā baʿd al-fanā’, na qual permanece apenas al-bāqī, e o conhecimento de si conduz ao conhecimento do Senhor.
    • O que muda é extinto; o que permanece é o Eterno.
    • O eu aparente corresponde a Aḥmad o Árabe.
    • O ḥadīth “Quem conhece a si mesmo conhece seu Senhor” afirma a identidade do Real Self com Deus.
  • Na Truth of Certainty todos os Apóstolos são um só no Self, conforme o Qur’ān II: 285, e a prostração dos Anjos diante de Adão refere-se ao Self único que ultrapassa qualquer dualidade e é denominado al-aḥadiyyah, al-dhāt ou huwa.
    • A unicidade não é unidade numérica entre muitos.
    • Nada pode ser acrescentado ao Infinito.
    • O Jardim da Essência é o Paraíso único onde nada entra porque tudo já está.
  • A pobreza, al-faqr, entendida como consciência da própria nulidade, constitui a chave de acesso às Riquezas infinitas, em consonância com a palavra de Jesus sobre o camelo e a agulha e com a distinção entre os Profetas no Qur’ān XVII: 55 subordinada à igualdade na Essência segundo o Qur’ān XLVI: 38.
    • A nulidade permite a entrada no Reino.
    • As distinções referem-se aos níveis inferiores ao da Essência.
    • Deus é o Rico e os seres são os pobres.
  • A máxima grandeza dos Profetas reside nessa pobreza que supera todas as plenitudes criadas, ainda que na Realidade nunca tenham deixado de possuir as Riquezas da Verdade.
    • A pobreza é superior à riqueza terrestre e celeste.
    • A posse real transcende qualquer aquisição temporal.
  • Antes da extinção o ser é velado pelas Qualidades em relação à Essência e, após ela, pela Essência em relação às Qualidades, enquanto na Eternidade após a extinção não há véu algum, mistério expresso no Nome Supremo Allāh e confirmado pelo Qur’ān CXII: 1–2.
    • As Qualidades não são outras que a Essência.
    • O Nome Allāh reúne Essência e Qualidades em unidade indivisível.
    • A afirmação dupla da Unidade preserva contra qualquer concepção de dualidade.
  • A Unidade da Verdade não implica perda para o crente, pois a Verdade é também al-raḥmān e al-karīm, e o que é retirado na extinção é restituído na Eternidade como cores reabsorvidas na brancura principial da luz sem que surja dualidade.
    • A brancura simboliza a unidade principial.
    • As cores verdadeiras resplandecem na luz eterna.
    • A restauração ocorre segundo a medida infinita do Real Self.
  • O Jardim da Essência, denominado Firdaws enquanto Paraíso de Deus, é a fonte dos rios e o lugar da Estação Divina, al-maqāmu ’l-ilāhī, onde os al-muqarrabūn bebem de Kawthar e de Tasnīm, realidades que ultrapassam qualquer imagem terrena.
    • Kawthar é o Rio supremo da Abundância.
    • Tasnīm expressa exaltação e beatitude infinita.
    • A proximidade é medida pela palavra do Qur’ān L: 16 sobre a veia jugular.
  • A Lei religiosa, como verdade relativa, exprime-se na relação “eu e Tu”, o Caminho na identidade “eu sou Tu”, e a Verdade absoluta na fórmula “não há eu nem Tu, mas somente Ele”.
    • A Lei mantém a dualidade.
    • O Caminho aproxima as identidades.
    • A Verdade dissolve toda distinção.
  • O Homem Universal realiza que nada é enquanto Ele é Tudo, permanecendo contudo o servo servo, pois a alma humana não se torna divina, mas é tocada no centro por um raio do Espírito, simbolizado na laylatu ’l-qadr e na lua cheia que representa a Eye of Certainty até a extinção na Luz.
    • A alma perfeita é figurada na alma do Profeta.
    • A Night of Power recebe os Anjos e o Espírito.
    • A paz subsiste até o romper da aurora da Realidade.
  • As perfeições ilusórias do universo criado servem de guia ao viajante, al-sālik, sendo a perfeição humana a imagem mais elevada acessível antes da Verdade, e o Homem Universal é descrito com duas naturezas, al-nāsūt e al-lāhūt, cuja mediação explica a necessidade de encontrar o Profeta antes de encontrar Deus.
    • A natureza humana perfeita reflete a Natureza divina.
    • A aquisição da perfeição humana precede a ascensão.
    • A distinção entre Aḥmad o Árabe e o Senhor Uno ilustra as duas naturezas.
  • O Homem Universal é simbolizado pelo Selo de Salomão, pela Cruz e pelo Crescente como mediador, al-barzakh, entre Céu e terra, em cujo Coração se encontram os dois mares mencionados no Qur’ān XXV: 53 e cuja nobreza é afirmada no Qur’ān XCV: 4.
    • O triângulo superior representa a natureza divina.
    • O triângulo inferior representa a natureza humana.
    • A Cruz exprime plenitude terrestre e exaltação celeste.
    • O Crescente indica recepção e distribuição da Graça.
    • Os milagres manifestam a proximidade do Céu.
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