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ESPÍRITO DO FIM DOS TEMPOS

  • A tradição universal descreve o ciclo macrocósmico como um processo descendente que culmina na Idade de Ferro, a qual, comparável ao inverno ou à velhice, possui males inerentes mas também uma sabedoria positiva e específica.
    • Distinção entre “história” e “pré-história”.
    • Aspectos positivos ocultos sob os sinais negativos da época.
  • A sabedoria própria da velhice do ciclo não supera a espiritualidade da Idade de Ouro, mas oferece um modo de conhecimento coletivo acessível à humanidade residual, mesmo para aqueles que não foram sábios anteriormente.
    • Redução da humanidade de uma totalidade para uma pequena minoria.
    • Adaptação do quadro da velhice à natureza da época.
  • A ineficácia dos argumentos religiosos sentimentais e habituais deve-se ao desgaste psicológico, exigindo agora uma abordagem intelectual e causal que responda às necessidades profundas do homem contemporâneo.
    • Necessidade de argumentos de ordem superior.
    • Paradoxo da acumulação de experiência em sociedades degeneradas.
  • O século XX constitui a fase terminal não apenas da civilização ocidental, mas também de outros ciclos civilizacionais que nela se fundiram, coincidindo com a extrema velhice do ciclo macrocósmico global.
    • Convergência das tradições hindus, budistas, islâmicas, etc.
    • Fim simultâneo de ciclos menores e do ciclo maior.
  • A velhice do macrocosmo foi historicamente mascarada pelo florescimento de ciclos secundários religiosos, como o Cristianismo e o Islã, cujos recursos de rejuvenescimento foram agora absorvidos pela corrente geral de degeneração.
    • Esgotamento das “renascenças” espirituais (ex: catedrais medievais).
    • Definição de todos os seres humanos atuais como “velhos” no sentido macrocósmico.
  • O dogmatismo exclusivista religioso perdeu sua força persuasiva diante da expansão da visão de mundo moderna, que percebe a pluralidade das tradições como uma manifestação necessária da Glória divina.
    • Impossibilidade de limitar a verdade a uma única forma religiosa.
    • Destruição das barreiras entre civilizações.
    • Incompatibilidade entre a falsidade de uma religião milenar e a Glória de Deus.
  • A perspectiva objetiva e pluralista sobre as religiões decorre da experiência passiva da velhice do ciclo ou, nos intelectualmente ativos, de uma participação consciente no “Espírito do fim dos tempos”.
    • Limitação geográfica natural das grandes religiões (Cristianismo, Islã, Budismo).
    • Vantagens secundárias da mentalidade da época final.
  • A compreensão da natureza ambígua e fragmentada do tempo atual exige o estudo da analogia entre o macrocosmo e o microcosmo, especificamente através da observação da velhice no homem normal ou primordial.
    • “Homem Verdadeiro” taoísta como norma de comparação.
    • Correspondência entre o ciclo de tempo e a vida humana.
  • A velhice normal do microcosmo caracteriza-se pela tensão entre a alma imortal e o corpo perecível, onde a deterioração física atua como suporte para o desapego e para a maturação de uma sabedoria serena e objetiva.
    • Corpo revelando-se como mero símbolo transitório.
    • Clima favorável à sabedoria criado pelos males do mundo.
  • A proximidade da morte em almas santificadas permite uma antecipação luminosa do estado paradisíaco, análoga à intersecção entre o fim do ciclo atual e o início do novo Âge d'Or.
    • Fenômeno de ter “um pé no Paraíso”.
    • Síntese entre o fim e o princípio (“os últimos serão os primeiros”).
  • O caos espiritual moderno, repleto de pseudo-esoterismos, coexiste paradoxalmente com uma acessibilidade sem precedentes às verdades mais elevadas, forçadas a revelar-se por uma necessidade cíclica de sabedoria final.
    • Movimento de interiorização como resposta às heresias.
    • Aproximação abrupta entre o estuário e a fonte.
    • Necessidade de instrução preliminar para corrigir a educação moderna.
  • O exotismo religioso ocidental, ao confrontar suas limitações, optou pelo liberalismo mundano em vez da elevação esotérica, criando uma situação precária que empurra os indivíduos qualificados para a busca de uma via superior.
    • Escolha “para baixo” ratificada pelo Vaticano II.
    • Esoterismo como refúgio necessário.
  • A crise espiritual atual atua como uma prova que qualifica indivíduos que outrora seriam rejeitados, permitindo que o esoterismo acolha aqueles que demonstram uma atitude positiva e buscam a salvação no meio do naufrágio.
    • Virtudes da “velhice” corrigindo miopias espirituais.
    • Responsabilidade do esoterismo de lançar boias de salvação.
  • O acesso ao esoterismo pressupõe a atualização do sentido do Absoluto, a qual pode ser facilitada pelo contato com doutrinas verídicas e com manifestações terrestres da beleza divina.
    • Beleza como aliada da Verdade.
    • Doutrina como “transbordamento” do Absoluto.
  • As civilizações teocêntricas garantiam o acesso à santidade através da preservação da natureza virgem e da produção de arte sacra, que purifica o homem sem exigir ascetismo contrário às suas tendências.
    • Arte sacra como cristalização do Espírito.
    • Participação involuntária na santidade através da beleza ambiental.
  • A persistência da natureza e dos monumentos de arte sacra, como as catedrais góticas, oferece um contraste eloquente com a feiura materialista moderna, lembrando ao homem sua verdadeira vocação e domínio espiritual sobre a matéria.
    • Catedrais testemunhando o entusiasmo espiritual medieval.
    • Incapacidade moderna de dominar qualitativamente a matéria (ex: New York).
    • Aplicação da parábola dos talentos (“a quem não tem, ser-lhe-á tirado”).
  • A perda do modo de vida tradicional é compensada pela facilidade de acesso às riquezas espirituais e artísticas de todas as tradições, cuja universalidade se revela na proximidade com o centro divino.
    • Religiões como raios de um círculo.
    • Caráter esotérico e central da arte sacra perfeita.
  • A contemplação dos cumes da arte sacra mundial, da dança hindu às mesquitas islâmicas, proporciona uma visão sintética que revela a fragrância única de cada tradição e a Fonte transcendente comum a todas.
    • Unidade na diversidade das manifestações artísticas.
    • Visão ampla como aspecto da sabedoria final.
  • A santidade encarnada nos santos de todas as religiões tornou-se acessível através da hagiografia universal, servindo como modelo de perfeição humana que prepara o buscador para o encontro com o Mestre espiritual vivo.
    • Perfeição pessoal como atrativo inicial.
    • Complementaridade entre modelos históricos e mestres vivos.
  • A doutrina esotérica é indispensável para proteger contra contrafações e satisfazer a necessidade de causalidade, oferecendo respostas completas que o racionalismo e o viés confessional não podem dar.
    • Luz da doutrina desmascarando pseudo-esoterismos.
    • Capacidade do esoterismo de restaurar a fé.
  • O conhecimento rudimentar da natureza divina e humana, fundamentado no simbolismo numérico e na triplicidade, é suficiente para iniciar a compreensão da relação entre Criador e criatura.
    • Referência a Frithjof Schuon (“Do Divino ao Humano”).
    • Trindade de dimensões intrínsecas: Absoluto, Infinito, Perfeição.
    • Imutabilidade e Radiação como essência do real.
  • A Perfeição divina é fundamentalmente Una, diferenciando-se apenas no nível do “Absoluto relativo”, onde surgem as trindades teológicas e os Nomes divinos criadores.
    • Correspondência com Sat-Chit-Ananda.
    • Transição do “Tesouro Oculto” para a manifestação.
  • O Bem e a Consciência coincidem na saída do Absoluto, refletindo-se nas hipóstases divinas e nos aspectos de Conhecimento e Beatitude.
    • Bem como comunicação necessária.
    • Verbo divino como Conhecimento de Si mesmo.
  • A constituição humana reflete a triplicidade divina através da inteligência, vontade e alma, que correspondem respectivamente à Perfeição (Soberano Bem), Absoluto e Infinito.
    • Substância psíquica como espaço de desdobramento.
    • Irresistibilidade da vontade primordial extinta em Deus.
  • As três faculdades humanas (inteligência, vontade, alma) correspondem ao ternário doutrina-método-moral, exigindo uma cooperação harmoniosa e total para que haja sinceridade espiritual.
    • Interdependência entre compreensão, concentração e conformidade.
    • Necessidade de transpor a teoria para a prática e a virtude.
  • A ciência intelectual sem virtude é vã, assim como a concentração sem doutrina ou a virtude natural sem orientação espiritual, pois a eficácia depende da integração de todos os elementos em vista de Deus.
    • Perigo da preguiça espiritual e do orgulho.
    • Valorização da virtude pela verdade doutrinal.
  • O movimento de interiorização da época final identifica-se naturalmente com a via do conhecimento (jnana-marga), visto que a sabedoria da velhice é caracterizada pela veneração desinteressada da verdade.
    • Preponderância da perspectiva de verdade no Islã e no fim do ciclo.
    • Correspondência com a “Sabedoria” da velhice.
  • A via da gnose pode ser encontrada em qualquer ortodoxia, mas a “décima primeira hora” atualiza latências específicas que facilitam o acesso a essa perspectiva em conformidade com o clima da época.
    • Presença latente da jnana em todo esoterismo.
    • Adaptação providencial das vias espirituais ao tempo.
  • A literatura contemporânea reflete os paradoxos da época, produzindo um dilúvio de obras fúteis ou nocivas que distraem do essencial e doutrinam no erro, análogo à loquacidade senil.
    • Profanação e falta de senso de realidade na escrita moderna.
    • Perigo dos “heróis” literários e científicos.
  • O fenômeno do “arquivismo” final manifesta-se na proliferação de enciclopédias e traduções, providencialmente disponibilizando clássicos espirituais que servem de quadro para obras tradicionais contemporâneas.
    • Preservação do saber como instinto coletivo.
    • Disponibilidade de tesouros espirituais antigos.
  • A obra de René Guénon, exemplificada por “O Homem e o seu devir segundo o Vedanta”, utiliza a terminologia hindu para definir a natureza integral do homem e suas possibilidades espirituais a partir de uma base impessoal.
    • Uso do Vêdânta apesar da afiliação islâmica de Guénon.
    • Referência contínua às tradições abrahamicas.
  • O Advaita Vêdânta oferece a vantagem cíclica de uma expressão direta e não velada da verdade, além de possuir uma doutrina completa do samsara que não simplifica a realidade póstuma.
    • Ausência de conflito com limitações exotéricas.
    • Visão ampla da existência individual.
  • A estrutura abrangente do Hinduísmo combina características de revelação direta e de descida avatárica, culminando na figura de Kalki que encerra o ciclo temporal de modo análogo à Segunda Vinda de Cristo.
    • Distinção entre Sruti e Smriti.
    • Série de dez Avataras.
  • A longevidade do Hinduismo e sua afinidade linguística e cultural com o Ocidente permitem apresentar a verdade universal como o renascimento de uma herança primordial “ariana” esquecida.
    • Paralelismo com as antigas religiões europeias.
    • Sobrevivência de uma tradição da Antiguidade até hoje.
  • A intenção de Guénon não é converter ocidentais ao Hinduísmo, mas usar essa afinidade para abrir a possibilidade de uma via esotérica e corrigir as falhas no entendimento do homem moderno.
    • Lema “Vincit omnia veritas”.
    • Obras como tesouro de informações corretivas.
  • Guénon identifica e corrige a confusão moderna entre Intelecto e razão, guiando o leitor para o estudo da metafísica e dos estados superiores do ser que transcendem o racional.
    • Necessidade de pressentir estados supra-humanos.
    • Limitação da mentalidade moderna.
  • A ciência do simbolismo é restaurada por Guénon, que explica a relação profunda entre símbolos e ritos, definindo estes últimos como símbolos em ação indispensáveis para a comunicação com o superior.
    • Cegueira moderna para a natureza simbólica do mundo.
    • Importância da execução correta dos ritos.
  • A “Linguagem dos Pássaros” é explicada como um símbolo da comunicação com os estados superiores e os anjos, alcançada através da reintegração no centro do estado humano e da vitória sobre o dragão.
    • Exemplos do Corão (Salomão) e lendas nórdicas (Siegfried).
    • Simbolismo da árvore axial e da imortalidade.
  • As fórmulas ritmadas (dhikr, mantra) produzem vibrações que harmonizam o ser e abrem a comunicação hierárquica com os estados superiores, cumprindo a função essencial de todos os ritos.
    • Harmonização dos elementos do ser.
    • Correspondência entre graus da Existência universal.
  • A necessidade absoluta do rito de iniciação é enfatizada por Guénon como o meio de ligar o homem a uma linhagem espiritual ininterrupta e restaurar a possibilidade de regeneração.
    • Cadeia de sucessão apostólica como exemplo.
    • Impossibilidade de auto-iniciação ou milagre sem via normal.
  • A obra de Guénon inclui a crítica radical aos erros modernos e a redefinição de ortodoxia como a fidelidade a uma tradição de origem divina e transmissão ininterrupta.
    • Esoterismo como chave da restauração.
    • Extensão do conceito de ortodoxia além do Cristianismo oriental.
  • Ananda Coomaraswamy complementa Guénon ao cobrir o mesmo domínio metafísico com uma dimensão estética adicional, oferecendo críticas pertinentes ao mundo moderno baseadas na sabedoria tradicional.
    • Maestria no simbolismo e na arte.
    • Relação de complementaridade na sabedoria dos últimos tempos.
  • O artigo “As Simplegades” de Coomaraswamy explora o mito universal da “Porta Ativa” ou rochas que se entrechocam, simbolizando a passagem perigosa e instantânea para a transcendência que exige auxílio divino.
    • Exemplos gregos (Argonautas), esquimós e bíblicos (Mar Vermelho).
    • Necessidade de iniciação para a travessia.
  • O simbolismo temporal das Simplegades identifica o dia e a noite ou os dois crepúsculos como os “braços da Morte”, entre os quais o ser deve passar para alcançar a Via dos Deuses.
    • Referências védicas (Rigveda, Brâhmana).
    • Sacrifício no crepúsculo como imagem da passagem.
  • A erudição de Coomaraswamy utiliza uma diversidade extrema de fontes para demonstrar a universalidade dos temas metafísicos, recorrendo a tradições orientais, ocidentais e folclóricas.
    • Uso de fontes hindus, budistas, platônicas, cristãs, islâmicas, etc.
    • Confirmação da unanimidade tradicional.
  • O significado doutrinal das Symplégades refere-se à superação da dualidade e dos pares de opostos para alcançar o Imutável, passando através do intervalo intemporal e não espacial.
    • Libertação da mortalidade e do conflito.
    • Citação de Nicolas de Cusa sobre a coincidência dos contraditórios.
  • A obra de Coomaraswamy desafia a intelligentsia moderna no terreno do “saber objetivo”, provando a existência de uma consciência universal antiga e a necessidade de transcender o estado humano.
    • Superioridade da erudição tradicional sobre a ciência profana.
    • Demonstração da unanimidade essencial das tradições.
  • A distinção funcional entre os autores sugere que Coomaraswamy representa a verdade com engajamento implícito, expandindo a inteligência, enquanto Guénon representa a verdade com engajamento explícito, incitando à iniciação.
    • Impressão de vastidão intelectual em Coomaraswamy.
    • Força diretiva e prática em Guénon.
  • Guénon e Coomaraswamy cumpriram a missão providencial de restaurar a dimensão intelectual (“de toda a tua mente”) do amor a Deus, negligenciada pelo sentimentalismo religioso ocidental recente.
    • Reabilitação do Intelecto Sagrado.
    • Despertar das inteligências adormecidas ou agitadas.
  • A função desses autores assemelha-se à missão profética de Elias, prometida para o fim dos tempos, de “reconverter o coração dos pais aos filhos e o dos filhos aos pais”, ou seja, revitalizar a Tradição através do esoterismo.
    • Interpretação de Léo Schaya sobre a função de Elias.
    • Qabbalah como recepção interior da tradição.
  • O imediatismo e a oportunidade da aparição de Guénon e Coomaraswamy indicam que eles foram destinados a iniciar a “função eliática” para o momento atual do ciclo.
    • Conexão entre o coração da tradição e a receptividade dos crentes.
  • A obra de Frithjof Schuon completa a de seus predecessores ao adicionar a dimensão do método e a exigência de engajamento total, unindo a verdade doutrinal à prática realizadora.
    • Progressão de Coomaraswamy para Guénon e para Schuon.
    • Necessidade de que o conhecimento transforme e fira a natureza humana.
  • A reabilitação da inteligência por Guénon e Coomaraswamy, focada na mente, é equilibrada por Schuon, que reintegra a dimensão da alma e das virtudes morais de modo intelectual e não moralista.
    • Perigo do intelectualismo sem virtude.
    • Beleza interior e exterior como prolongamento da verdade.
  • As virtudes e a beleza possuem um poder interiorizante fundamental, sendo necessário manifestar o Coração não apenas na inteligência, mas também na alma e nas atitudes morais para alcançar a Santidade pré-pessoal.
    • Beleza da alma como raio que reconduz ao Centro.
    • Papel da natureza virgem e da arte sacra.
  • As obras de Schuon, como “Do Divino ao Humano”, encarnam o Espírito dos tempos finais ao oferecer soluções definitivas e recapitulativas com uma luz que une o último ao primordial.
    • Maestria suprema e caráter conclusivo.
    • Encontro dos extremos na sabedoria final.
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