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SÍNTESE PARAMITAS
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A aparente ênfase do Budismo Mahayana na caridade amorosa deve ser compreendida em união indissolúvel com seu segundo polo fundamental, a metafísica do Vazio, que constitui a razão de ser da doutrina e o ponto de partida para a dissolução do ego no samsara total.
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Identidade entre a metafísica do Vazio e o Advaita-Vedanta.
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Caridade impregnada pela consciência da vacuidade.
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Realização do Corpo universal do Buda através da compreensão do samsara.
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A emergência tardia das escrituras Mahayana explica-se pela necessidade de a tradição criar previamente um campo de ressonância apropriado, permitindo que aspectos mais profundos da revelação se manifestem apenas quando o meio espiritual está maduro.
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Função da tradição de preparar o ambiente para modos particulares de manifestação.
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Proteção dos sutras por gênios ou nagas até a época de Nagarjuna.
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Conceito de tempo propício para a pregação aberta.
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O fenômeno do florescimento tardio de doutrinas esotéricas e artísticas constitui uma lei recorrente na história das grandes religiões, exemplificada pelo apogeu medieval cristão e pelo sufismo de Ibn Arabi, onde o ambiente moldado pela fé permite uma segunda juventude espiritual.
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Paralelos com a Idade Média cristã e o Islã clássico.
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Coincidência entre atmosfera coletiva madura e aprofundamento esotérico.
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Caráter definitivo e irremplaçável das manifestações tardias.
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A originalidade do Mahayana reside na magnitude fenomenológica com que opera esse desdobramento da revelação, incluindo o Vajrayana, devendo-se reconhecer que a causa única de tais desenvolvimentos espirituais remonta à envergadura avtárica do próprio Buda.
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Mahayana e Vajrayana como novas voltas da Roda da Lei.
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Impossibilidade de efeito sem causa na tradição.
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Reconhecimento da autoridade do Buda até por bramanistas como Shankara.
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A transição para a perspectiva esotérica transmuta a vertigem quantitativa e desesperadora dos ciclos samsáricos infindáveis do Budismo exotérico em uma visão qualitativa onde a entrega torna-se um relâmpago de intelecção ou graça e os méritos servem apenas para remover obstáculos.
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Contraste entre a acumulação de méritos e a realização instantânea.
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Redução das quantidades samsáricas a miragens.
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Feminilidade apreendida em sua essência universal.
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Salto ascensional para a própria Libertação.
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A estrutura das virtudes ou paramitas reflete a alternância cíclica entre rigor e misericórdia, onde a caridade inicia o caminho e a sabedoria o completa, sendo as virtudes intermediárias vias simultâneas que contribuem para a eclosão do conhecimento libertador.
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Caridade (dana) como moldura e Sabedoria (prajna) como acabamento.
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Intermediação do renúnciamento, virilidade, paciência e contemplação.
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Simultaneidade e sucessão na prática das virtudes.
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O voto do Bodhisattva de adiar o Nirvana até a libertação de todos os seres encerra o duplo significado de manter uma presença angélica no mundo e realizar metafisicamente a identidade entre a vacuidade do samsara e a natureza do Nirvana.
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Ponto de vista cósmico da presença permanente ou apocatástase.
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Ponto de vista metafísico da identidade entre forma e vazio.
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Consumpção das antinomias na instantaneidade da sabedoria.
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A complexidade da natureza humana exige que a via espiritual incorpore metodicamente as diversas virtudes para tratar os múltiplos aspectos do aprisionamento samsárico, embora em princípio a união interior com o Vazio transcendente pudesse bastar como viático.
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Suficiência teórica de Prajna.
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Necessidade prática de ir do múltiplo ao um.
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Adaptação do método à resistência da natureza humana.
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A interdependência das virtudes demonstra que a gnose exige fundamentos extrínsecos como o renúnciamento e a virilidade heroica, equilibrados pela doçura da paciência e da caridade, tal como o lótus sustenta a imagem do Buda.
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Complementaridade entre rigor (matemático/masculino) e doçura (musical/feminino).
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Combate espiritual contra o dragão das seduções.
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Beleza como condição para a manifestação fiel da verdade.
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O Amidismo opera uma síntese misericordiosa das perfeições onde a Iluminação universal toma a iniciativa de englobar o indivíduo através da invocação, substituindo o esforço próprio pelo poder do Outro e permitindo a queda na libertação preexistente.
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Atualização da memória de Amitabha pela fórmula sagrada.
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Realização prévia dos paramitas pelo Buda.
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Distinção entre poder próprio (Jiriki) e poder do Outro (Tariki).
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A participação do fiel nas virtudes já realizadas pelo Buda fundamenta-se no Voto Original como ato cósmico e concretiza-se através dos três estados mentais de fé que orientam o desejo para o nascimento na Terra Pura.
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Voto Original como base da doutrina da Terra Pura.
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Pensamento verídico, crente e desiderativo.
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Fé como veículo de acesso aos méritos transferidos.
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A prática da rememoração do Buda contém intrinsecamente todas as perfeições espirituais, unificando o renúnciamento temporal, a virilidade do eterno presente, a paciência centrada na graça e a caridade expansiva em um único ato de concentração.
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Inerência dos paramitas no buddhânusmritî.
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Fixação da duração no instante eterno.
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Plenitude positiva do Vazio na contemplação.
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A redução da via aos pilares fundamentais da fé e da ação resume as virtudes contemplativas e ativas, abrangendo a totalidade das qualidades intelectuais e volitivas necessárias para atualizar a natureza búdica inata.
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Correspondência com discernimento e concentração.
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Elementos estáticos e dinâmicos na ascese.
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Descrição do que somos eternamente através do que devemos ser.
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O simbolismo espacial do Mahayana associa os cinco Budas de Meditação e o Buda Primordial aos pontos cardeais e aos elementos, estabelecendo uma correspondência analógica entre as qualidades cósmicas e os aspectos da sabedoria imutável e invencível.
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Vairochana no centro correspondendo ao éter e à verdade.
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Distribuição dos elementos (ar, água, terra, fogo) e virtudes pelos pontos cardeais.
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Adi-Buddha ou Prajnaparamita no zênite, além do espaço.
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A integração esotérica dos cinco elementos objetivos na consciência subjetiva prefigura a síntese das virtudes na sabedoria, revelando que perceber a vacuidade das coisas equivale a reconhecer sua substância idêntica à profundidade do próprio coração.
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Consciência (chitta) como sexto elemento superior.
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Identidade entre asseidade das coisas e asseidade da consciência.
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Visão do mundo contida na realização do coração.
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A perspectiva amidista identifica o Buda da Luz Infinita com o princípio supremo sob o simbolismo do oeste e da água, conferindo centralidade à virtude da paciência que paradoxalmente une a passividade da entrega à força inquebrantável do diamante.
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Conexão entre o Voto de Amitabha e a perfeição passiva.
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Espera confiante pelo esgotamento do karma.
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Necessidade de determinação dura como diamante para manter a suavidade da fé.
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