Simbolismo do tiro com arco
«Homenagem a vós, portadores de flechas, e a vós,
arqueiros, homenagem!
Homenagem a vós, atiradores de flechas, e a vós, fabricantes
de arcos!»
Taittiriya Samhita IV.5.3.2 e 4.2
O conteúdo simbólico de um arte está associado originalmente à sua função prática, mas não se perde necessariamente quando o arte passa a ser praticado como um jogo ou esporte, sob condições alteradas.
-
Mesmo quando um esporte está completamente secularizado e se tornou mera recreação ou entretenimento para o profano, ainda é possível completar a participação física com uma compreensão de seu significado esquecido.
-
Para quem possui o conhecimento indispensável do simbolismo tradicional, restaura-se, para si mesmo ao menos, o “equilíbrio polar do físico e do metafísico” característico de todas as culturas tradicionais.
A posição do tiro com arco na Turquia, muito depois de o valor militar do arco e flecha ter sido anulado pelas armas de fogo, fornece um excelente exemplo dos valores rituais que ainda podem ser inerentes ao que pareceria um “mero esporte” a um observador moderno.
-
No século XV, o tiro com arco já havia se tornado um “esporte” sob patrocínio real, no qual os próprios sultões competiam no campo (meidan).
-
No século XVI, nos festivais da circuncisão dos filhos de Muhammad II, os arqueiros competidores atiravam suas flechas através de placas de ferro e espelhos de metal, ou atiravam a prêmios valiosos colocados sobre postes elevados.
-
Os simbolismos implícitos são evidentemente os da “penetração” e o da obtenção dos bens solares que não estão dentro do alcance direto do arqueiro.
-
Pode-se assumir que, como na Índia, a “doutrina” implicava uma identificação do próprio arqueiro com a flecha que alcançava seu alvo.
No primeiro quarto do século XIX, Mahmud II foi um dos maiores patronos dos grêmios dos arqueiros, e foi para ele e “para reviver a Tradição” (ihja’ al sunna) que Mustafa Kani compilou seu grande tratado sobre tiro com arco, o Telkhis Resail er-Rümat.
-
O tratado resume os conteúdos de uma longa série de obras mais antigas sobre o tema e dá um relato detalhado de toda a arte da manufatura e do uso do arco e flecha.
-
A “reviver a Tradição” significa uma renovada “imitação da Via de Muhammad”, o modelo de conduta humana.
Kani começava estabelecendo a justificação canônica e a transmissão legítima da arte do arqueiro, citando quarenta Hadith, ou ditos tradicionais de Muhammad.
-
O primeiro dos quarenta Hadith se referia ao “Qur’an” (VIII.60): “Preparai contra eles quanta força puderdes”, onde Kani assume que “força” significa “arqueiros”.
-
Outro Hadith atribui a Muhammad o dito de que “há três a quem Allah leva ao Paraíso por meio de uma mesma flecha, a saber, seu fazedor, o arqueiro, e aquele que a recupera e a devolve”, onde o comentador entende que a referência é ao uso do arco e flecha na Guerra Santa.
-
Outro Hadith glorifica o espaço entre os dois alvos como um “Paraíso”.
-
Kani prosseguia “derivando” o arco e a flecha daqueles que o anjo Gabriel confiou a Adão, que havia suplicado a Deus que o assistisse contra os pássaros que devoravam suas colheitas.
-
Ao acudir em seu socorro, Gabriel disse a Adão: “Este arco é o poder de Deus; esta corda é sua majestade; estas flechas são a cólera e o castigo de Deus infligido a seus inimigos”.
-
Desde Adão, a tradição se transmitiu através da “cadeia” dos Profetas (foi a Abraão a quem se revelou o arco composto) até Muhammad, cujo Companheiro Sa’d b. Abi Wakkas, “o Paladino do Islã” (faris al-islam), foi o primeiro a atirar contra os inimigos de Allah sob a nova dispensação.
-
Sa’d b. Abi Wakkas é, consequentemente, o “Pir” ou santo Patrono do grêmio dos arqueiros turcos, nos quais a transmissão iniciática nunca se interrompeu (a não ser, talvez, muito recentemente).
À frente do grêmio dos arqueiros está o “sheikh do campo” (sheikh-ül-meidan), sendo o próprio grêmio uma sociedade claramente secreta, dentro da qual há admissão apenas por qualificação e iniciação.
-
A qualificação é principalmente uma questão de preparação sob um mestre (usta), cuja aceitação de um pupilo, ou melhor, discípulo, é acompanhada por um rito no qual se dizem preces em benefício das almas do “Pir” Sa’d b. Abi Wakkas, dos imames arqueiros de todas as gerações e de todos os arqueiros crentes.
-
O mestre transmite ao pupilo um arco com as palavras: “De acordo com o mandato de Allah e a Via (sunna) de seu enviado escolhido…”
-
O discípulo recebe o arco, beija sua empunhadura e o tensiona.
-
Este procedimento prescrito, preparatório a toda instrução prática, é análogo aos ritos pelos quais um discípulo é aceito como tal por qualquer ordem derviche.
-
A instrução efetiva é longa e árdua; o propósito do pupilo é lograr a excelência, e a esse fim deve entregar-se literalmente.
Quando o aspirante passou todo o curso de instrução e alcançou a perícia, segue-se a aceitação formal do candidato pelo sheikh.
-
O candidato deve mostrar que pode acertar o alvo e que pode atirar a uma distância não menor de novecentas passadas, dando assim testemunho de seu domínio.
-
Quando o sheikh está satisfeito, o discípulo se ajoelha diante dele, pega um arco que está junto a ele, o encorda, encaixa uma flecha na corda e, tendo feito isso três vezes, a recoloca, tudo com extrema formalidade e de acordo com regras fixadas.
-
O sheikh instrui então o mestre de cerimônias para que leve o discípulo a seu mestre, de quem receberá a “empunhadura” (kabza).
-
O discípulo se ajoelha diante do mestre e beija sua mão; o mestre lhe toma pela mão direita em sinal de um pacto mútuo cujo modelo é o do Qur’an (XLVIII.10-18) e sussurra o “secreto” em seu ouvido.
-
O candidato é agora um membro do grêmio dos arqueiros e um elo na “cadeia” que remonta até Adão.
-
Em diante, nunca usará o arco a menos de estar em condição de pureza ritual; antes e depois de usar o arco, sempre beijará sua empunhadura.
-
Agora pode tomar parte livremente nas contendas formais e, no caso de se tornar um grande mestre de tiro de longa distância, pode estabelecer um recorde que será marcado com uma pedra.
A recepção da “empunhadura” é o signo exterior da iniciação do discípulo, significando algo mais que um mero manejo do arco, pois a empunhadura mesma implica o “secreto”.
-
No caso do arco composto, usado pelos turcos e pela maioria dos orientais, a empunhadura é a parte média do arco, que une suas outras duas partes, a superior e a inferior; é por esta peça média que o arco se faz uno.
-
Somente quando se tenta compreender isso aparece a significação metafísica do arco, ao qual Gabriel havia descrito como o “poder” de Deus: a empunhadura é a união de Allah com Muhammad.
-
Dizer isso é formular o “secreto” apenas em sua forma mais nua; ao pupilo se comunica uma explicação mais ampla, baseada nos ensinamentos de Ibn al-’Arabi.
-
Aqui se indica apenas que o que enlaça a Divindade acima e o Profeta abaixo é o kutb como Axis Mundi, e que este é uma forma do Espírito (al-Ruh).
A literatura indiana contém uma riqueza de temas nos quais são evidentes os valores simbólicos do tiro com arco.
-
O Rig Veda Samhita VI.75.4, segundo o entendimento de Sayana, diz que quando o arco consorta (está tensionado), então levam o menino (a flecha) como uma mãe leva seu filho, e quando com compreensão comum se separam (liberando a flecha), então ferem o inimigo.
-
É evidente que a flecha se assimila a Agni, o filho do Céu e da Terra, cujo nascimento coincide com a separação de seus pais.
-
No Brhad Devata I.113, onde todos os instrumentos do sacrifício são considerados propriedades de Agni, as duas pontas do arco se correlacionam novamente com o Céu e a Terra e com outros pares sexualmente contrastados, como o maço e o morteiro.
-
Isso lembra não apenas as interpretações islâmicas citadas, mas também as de Heráclito (Fr. LVI): “A harmonia do mundo ordenado é uma harmonia de tensões contrárias, como a do arco ou da lira”.
-
A identificação das pontas do arco com os mundos celeste e terrestre é claramente indicada no Atharva Veda Samhita I.2, 3, onde o “pai” da flecha é chamado Parjanya, Mitra, Varuna, etc., e sua “mãe é a Terra (prthivi)”.
-
Isso é verdadeiro até literalmente, no sentido de que a cana da qual se faz a flecha é produzida pela terra fertilizada pelas chuvas provenientes de cima, fornecendo uma boa ilustração do princípio exegético de que o significado alegórico está contido no significado literal.
-
Nesses dois hinos, a corda do arco e a flecha são empregadas com encantações para curar diarreia e constipação; a corda do arco porque constringe, a flecha porque se deixa voar: “Como a flecha voou, solta do arco, assim se libere tua urina” (yathesuka parapatad avasrstadhi dhanvanah, eva te mutram mucyatam).
-
A relação do voo da flecha é com uma liberação física, mas esse voo, assim como o dos pássaros, é igualmente uma imagem da liberação do espírito em relação ao corpo.
No Atharva Veda Samhita I.1, o arqueiro é o Senhor da Voz (Vacaspati) com a mente divina.
-
Recordando o Rig Veda Samhita VI.75.3, onde “ela está desejosa de falar” e, levada ao ouvido, “sussurra como uma mulher”, é evidente que a corda do arco corresponde à voz (vac) como órgão de expressão, e a flecha ao conceito audível expresso.
-
No Atharva Veda Samhita V.18.8, os brâmanes, representantes humanos do Senhor da Voz, são ditos ter flechas penetrantes que não se usam em vão, onde a língua é sua corda de arco e suas terríveis palavras suas flechas.
-
No Brhadaranyaka Upanisad III.8.2, as perguntas penetrantes são descritas como “flechas traspassa inimigos”.
-
Essa concepção subjaz no uso de is (“atirar”); compare-se isu, isuka (“flecha”) e o próprio conceito vernacular do “disparo” (falar alto e claro).
-
No Aitareya Brahmana II.5, “impelida pela Mente, a Voz fala” (manasa va isita vag vadati); a voz certamente age, mas é a mente quem ativa (Jaiminiya Upanisad Brahmana I.33.4).
Uma “flecha” pode ser literalmente um dardo alado, ou metaforicamente uma “palavra alada”.
-
O sânscrito patatrin, “alado”, que denota um “pássaro” ou uma “flecha”, cobre ambos os valores, pois o voo veloz e sem obstáculos do pensamento é frequentemente comparado ao dos pássaros.
-
O simbolismo dos pássaros e das asas se relaciona estreitamente com o das flechas; certamente, a linguagem do tiro com arco pode ser aplicada a todos os problemas do pensamento e da conduta.
-
Assim, sadh, de onde vem sadhu como “homem santo” e como uma exclamação de aprovação, é “ir diretamente ao alvo”; portanto, sadhu pode qualificar o arqueiro (Rig Veda Samhita I.70.6) ou a flecha (Rig Veda Samhita II.24.8).
-
“Não corresponde ao Rei fazer isto ou aquilo, mas apenas o que é reto” (sadhu, Satapatha Brahmana V.4.4.5); ou seja, o Rei não pode falar ao acaso nem atirar ao acaso.
-
Riju-ga, “o que vai reto”, é uma “flecha”; e “como o flecheiro endireita (ujum karoti) o dardo, assim o homem sábio retifica sua vontade” (Dhammapada 33, cf. 80, 145 e Majjhima Nikaya II.105).
-
No Mahajanaka Jataka (Jataka VI.66), um flecheiro que trabalha em endireitar (ujum karoti) uma flecha está olhando-a ao longo com um olho fechado, e disso se extrai o ensinamento da visão única.
Como o arco é a arma real por excelência e se põe grande ênfase na retidão do rei, é relevante notar que as palavras sânscrita rju e pali uju, que significam “direito”, pertencem a uma raiz comum que subjaz em “reto”, “retificar” e “régio” (latim regere e rex e sânscrito raja).
-
Do ponto de vista tradicional, um rei não é um governante “absoluto”, mas o administrador de uma lei transcendente, à qual se conformam as leis humanas.
-
Em mais de uma ocasião, Sankara faz do caso do flecheiro, profundamente absorvido em sua tarefa, um exemplo da concentração contemplativa (sobre Brhadaranyaka Upanisad III.9.28.7 e sobre Badarayana, Sariraka Mimansa Sutra VII.11, p. 800 Bib. Ind. ed.).
-
Como observava São Boaventura: Ecce, quomodo illuminatio artis mechanicae via est ad illuminationem sacrae Scripturae, et nihil est in ea, quod non praedicet veram sapientiam (De reductione artium ad theologiam, 14).
Aparadh, o oposto de sadh, é “errar o alvo”, de onde “extraviar-se”, “desviar-se”, “falhar”, “pecar”.
-
Esses dois valores dificilmente podem ser distinguidos no Taittiriya Samhita VI.5.5.2, onde Indra, tendo atirado uma flecha em “Vrtra”, pensa “errei o alvo” (aparadham); compare-se II.5.5.6, onde aquele que erra seu alvo (avavidhyati) cresce em maldade (papiyan), enquanto aquele que não falha o seu é como deve ser.
-
A frase é comum também em Platão, onde, como na Índia e Pérsia, pertence à metáfora de seguir as pegadas ou o rastro (ichneýo, mrg), cuja origem deve se referir à cultura da caça, cuja linguagem sobrevive na expressão “acertar (ou errar) o alvo” (frapper le but).
-
De vyadh (“traspassar”) deriva vedha e vedhin (“arqueiro”) e provavelmente vedhas (“sábio” no sentido de “penetrante”).
-
Embora alguns derivem vedhas de vid (“conhecer” ou “encontrar”), há formas comuns a vyadh e vid, especificamente o imperativo viddhi, que pode significar “conhece” ou “penetra”, ou ambos ao mesmo tempo.
-
A ambiguidade é evidente no Jaiminiya Upanisad Brahmana IV.18.6, Mundaka Upanisad II.2.2 (examinadas abaixo) e Bhagavad Gita VII.6.
-
As flechas verbais de um brâmane “traspassam” seus detratores (Atharva Veda Samhita V.18.15).
-
A comparação de um monge perito a um “disparo infalível” (akkhana-vedhin) é muito comum na literatura budista pali, frequentemente em combinação com outros termos como durepatin (“de longo disparo”), sadda-vedhin (“atirar a um som”) e valavedhin (“atravessar um cabelo”) (Anguttara Nikaya I.284, II.170, IV.423, 494; Majjhima Nikaya I.82, etc.).
-
O Milindapañha 418 descreve os quatro “membros” de um arqueiro que um verdadeiro monge deve possuir.
-
“Justamente, ó rei, como o arqueiro, quando descarregando suas flechas, planta ambos os pés firmemente no chão, mantém seus joelhos retos, pendura sua aljava contra a parte estreita de sua cintura, mantém todo seu corpo firme, monta seu arco com ambas as mãos, aperta seus punhos, sem deixar abertura entre os dedos, alonga seu pescoço, fecha sua boca e seu olho, aponta (nimittan ujum karoti), e sorri ao pensamento ‘eu traspassarei’; justamente assim, ó rei, deve fazer o Yoguin (monge)… pensando ‘Com o dardo da gnose eu traspassarei cada defeito…’”
-
“E novamente, ó rei, justamente como um arqueiro tem um endireitador de flechas para endireitar as flechas combadas e torcidas e desiguais… E novamente, ó rei, justamente como um arqueiro pratica em um alvo… manhã e tarde…”
-
“Justamente como um arqueiro pratica manhã e tarde, / E por nunca negligenciar sua prática ganha suas apostas, / Assim também os Filhos do Buda exercitam o corpo / E não negligenciando nunca este exercício, tornam-se adeptos (arhat).”
O arco é a arma real por excelência; a perícia no tiro com arco é para o rei o que o esplendor da teologia é para o sacerdote (Satapatha Brahmana XIII.1.1.1-2).
-
É em sua qualidade de ksatriyas que Rama e o Bodhisattva podem cumprir suas façanhas de tiro com arco.
-
Assim como os próprios braços do rei, os dois “braços” do arco se assimilam a Mitra-varunau, a saber, a mista pessoa do Sacerdotium e o Regnum.
-
No rito da coroação, o sacerdote transmite o arco ao rei, chamando-o de “o mata dragão de Indra”, pois o rei é o representante terreno de Indra, tanto como guerreiro quanto como sacrificador, e tem dragões próprios a vencer.
-
O sacerdote lhe dá também três flechas, com referência aos mundos terrestre, intermediário e celeste (Satapatha Brahmana V.3.5.27 seg., V.4.3.7).
Como símbolo de poder, o arco corresponde à concepção do poder de Deus, outorgado por Gabriel a Adão para sua proteção, conforme citado acima de fontes turcas.
-
É deste ponto de vista, o do domínio, que se podem compreender melhor os ritos amplamente difundidos do disparo de flechas aos Quatro Quadrantes; cf. Rig Veda Samhita VI.75.2: “Com o arco, conquistemos nós as regiões”.
-
No Kurudhamma Jataka (Jataka II.372), aprende-se que os reis, num festival trienal, “costumavam ataviar-se com grande magnificência, e vestir-se como Deuses… de pé na presença do Yakkha Cittaraja, atiravam aos quatro pontos cardeais flechas pintadas com flores”.
-
No Egito, o disparo de flechas em direção aos quatro quadrantes era parte do rito de entronização faraônico.
-
Na China, no nascimento de um herdeiro real, o mestre dos arqueiros “com um arco de madeira de amoreira e seis flechas do Rubus selvagem atira em direção ao Céu, à Terra, e aos Quatro Quadrantes” (Li Chi X.2.17); a mesma coisa era feita no Japão.
O arquétipo do rito que implica o domínio é evidentemente solar; o fato de o rei liberar quatro flechas separadas reflete um tiro de arco sobrenatural no qual os Quatro Quadrantes são penetrados e subjugados virtualmente pela descarga de um único dardo.
-
Essa façanha, conhecida como a “Penetração da Esfera” (cakka-viddham, onde cakka implica o “redondel do mundo”), é descrita no Sarabhanga Jataka (Jataka V.125 seg.), onde é atribuída ao Bodhisattva Jotipala, o “Guardião da Luz” e um “disparo infalível” (akkhana-vedhin).
-
Jotipala é o filho do ministro brâmane do rei, e embora o arco seja tipicamente a arma do ksatriya, está completamente em ordem que seja empunhado por um brâmane, representante humano do Brahma (sacerdotium) in divinis, “que é ao mesmo tempo o Sacerdotium e o Regnum” (Satapatha Brahmana X.4.1.9), e como qualquer avatara, é “ao mesmo tempo sacerdote e rei”.
-
Jotipala é requisitado pelo rei para competir com os arqueiros reais, alguns dos quais são igualmente “disparos infalíveis”, capazes de cortar um cabelo ou uma flecha ao cair.
-
Jotipala apareceu disfarçado, ocultando seu arco, sua cota de malha e seu turbante sob uma vestidura externa; tendo preparado um pavilhão, uma vez dentro, despiu a vestidura externa, assumiu a regalia e encordou seu arco.
-
Plenamente armado e tomando uma flecha “guarnecida de diamante” (vajiragga - a significação disso já foi assinalada), “abriu de par em par a cortina (sanim vivaritva) e saiu (nikkhamitva) como um príncipe das serpentes (naga kumaro) emergindo da terra”.
-
Traçou um círculo no meio do pátio real de quatro esquinas (que aqui representam o mundo) e, atirando dali, defendeu-se contra inúmeras flechas atiradas por arqueiros estacionados nas quatro esquinas; então ofereceu ferir todos esses arqueiros com uma única flecha, desafio que eles não ousaram aceitar.
-
Tendo levantado quatro troncos de bananeira nas quatro esquinas do pátio, o Bodhisattva, “atando um fino fio escarlate (ratta-suttakam) à ponta emplumada da flecha, apontou e golpeou uma das árvores; a flecha a penetrou, e depois a segunda, a terceira, e a quarta em sucessão, e finalmente novamente a primeira, que já havia sido traspassada, e assim voltou à sua mão, enquanto as árvores ficavam rodeadas pelo fio”.
Isso é, claramente, uma exposição da doutrina do “fio do espírito” (sutratman), segundo a qual o sol, como ponto de fixação, conecta esses mundos a si mesmo por meio dos Quatro Quadrantes, com o fio do espírito, como gemas num fio.
-
A flecha é o equivalente da “agulha”, e se poderia dizer que, no caso descrito, os quatro quadrantes são “cosidos” entre si e ao centro comum; a ponta emplumada, ou o entalhe da flecha ao qual se ata o fio, corresponde ao olho da agulha.
-
Embora na prática comum uma flecha não deixe rastro visível de sua passagem, uma flecha com um fino fio atado pode ser atirada através de um abismo de outro modo infranqueável.
-
Por meio desse fio, pode-se estender um cabo mais forte, e assim sucessivamente até que o abismo seja transposto por uma corda; dessa maneira, o simbolismo do tiro com arco pode combinar-se com o do “ponte”.
-
O princípio é o mesmo no caso dos engenhos salva-vidas modernos, nos quais se dispara um cabo (neste caso de uma arma de fogo) da margem a um navio que naufraga, e por meio desse cabo pode-se estender um “cabo salva-vidas” mais forte.
Os chineses empregavam efetivamente uma flecha com uma corda atada na caça de aves, como pode ser visto claramente sobre um bronze gravado da dinastia Chou, agora na Walters Art Gallery, Baltimore.
-
Os esquimós também faziam uso de flechas com cabeças destacáveis e uma corda atada na caça da lontra-marinha.
-
O mesmo se aplica ao caso de uma rede estendida com uma corda atada, e ao caso do laço; e igualmente na pesca, onde a cana corresponde ao arco e o anzol à flecha da agulha.
-
Em todos esses casos, o caçador, análogo à divindade, ata a presa a si mesmo por meio de um fio, que seguidamente recolhe.
-
Nesse sentido, Shams-i-Tabriz: “Ele me deu a ponta de um fio - um fio cheio de malícia e engano - ‘Puxa’, disse, ‘para que eu puxe; e não o quebre ao puxar’.”
Um famoso trecho no Mahabharata (I. 123.46 seg. na nova edição de Poona) descreve a prova dos pupilos de Drona no tiro com arco.
-
Uma águia artificial (bhasa) foi preparada pelos artesãos e erguida como alvo no topo de uma árvore.
-
Pergunta-se a três pupilos: “O que vedes?”, e cada um responde: “Eu te vejo a ti mesmo, à árvore e à águia”.
-
Drona exclama: “Retirai-os; estes três não serão capazes de acertar o alvo”; e voltando-se para Arjuna lhe diz, “a ti te cabe acertar o alvo”.
-
Arjuna se levanta tensionando seu arco (vitatya karmukam), e Drona continua: “Tu também vês a árvore, a mim mesmo, e o pássaro?”.
-
Arjuna responde: “Eu só vejo o pássaro”. “E como vês o pássaro?”. “Vejo sua cabeça, mas não seu corpo”.
-
Drona, deleitado, diz: “Solta-a” (muñcasva). Arjuna atira, corta a cabeça e a abate.
-
Drona lhe dá então a arma irresistível, a “cabeça de Brahma”, que não pode ser usada contra nenhum inimigo humano; e pode haver pouca dúvida de que isso implica a comunicação de um mantram iniciatorio, e o “segredo” do tiro com arco.
-
O “ensinamento” evidente é o da concentração de mente unificada.
Em competição pública, Arjuna realiza várias façanhas mágicas fazendo uso de armas apropriadas para criar e destruir toda sorte de aparências.
-
De um carro em movimento, dispara cinco flechas dentro da boca de um javali de ferro em movimento, e vinte e uma dentro da abertura de um chifre de vaca suspenso e balançando no ar.
-
Na grande competição pela mão de Draupadi, seu pai fez um arco muito rijo, que ninguém além de Arjuna será capaz de tensionar.
-
Fez também “um engenho artificial suspenso no ar e junto com ele um alvo de ouro” (yantram vaihayasam… krtimam, yantrena sahitam… laksyam kañcanam), anunciando que “quem quer que encorde este arco e com ele e estas flechas passe e traspassar o alvo (atitya laksyam yo veddha) terá minha filha”.
-
Quando os príncipes competidores estão reunidos, o irmão de Draupadi se dirige à assembleia: “Ouvi-me, todos vós filhos da Terra: Este é o arco, este é o alvo e estas são as flechas; acertai o alvo com estas cinco flechas, fazendo-as passar através da abertura no engenho (yantrachidrenabhyatikramya laksyam samarpayadhvam khagamair dasardhaih).”
-
“Quem quer que, sendo de boa família, forte e belo, cumpra esta difícil façanha terá minha irmã como esposa neste dia, e eu não digo mentira.”
-
Apenas Arjuna é capaz de fazê-lo; suas flechas penetram o próprio alvo, com tamanha força que se cravam no chão além dele.
A linguagem mesma de todos esses textos expressa sua significação simbólica. A façanha é essencialmente a de Indra, de quem Arjuna é um descendente, enquanto Draupadi, o prêmio, é explicitamente Sri (Fortuna, Tyche, Basileia).
-
Com apenas alguma mudança na redação, essa narrativa poderia se referir à obtenção de uma vitória mais eminente do que a que pode ser ganha com armas concretas apenas.
-
Isso aparecerá mais claramente na citação da Mundaka Upanisad, abaixo.
-
Pode-se observar que muñcasva (“solta-a”) vem de muc (“liberar”), a raiz de moksa e mukti (“libertação espiritual”, o “fim” último do homem).
-
Karmuka (“arco”) é literalmente “feito de madeira de krmuka”, uma árvore que o Satapatha Brahmana VI.6.2.11 deriva de “a ponta da chama de Agni que criou raízes na terra”; assim, o arco, como a ponta da flecha, participa da natureza do fogo.
-
O significado primário de yantra é “barreira”; o yantra perfurado suspenso através do qual as flechas hão de ser disparadas dificilmente pode ser concebido senão como um símbolo do sol, ou seja, uma representação da Porta do Sol, através da qual a via leva a Brahma: “Por ela os homens alcançam a estação mais alta”.
-
O fato de o alvo, qualquer que tenha sido sua forma, ser “de ouro”, reflete os significados regulares do “ouro”, a saber, a luz e a imortalidade; e que deva ser alcançado através de um disco perfurado, como se assume que devia ser o “engenho”, corresponde a expressões como “além do céu” (uttaram divah) ou “além do sol” (parena adityam), cuja referência é à “outra metade do céu” (divi parardha), o “hyperouránios tópos” de Platão, do qual nunca se fez nenhum relato verdadeiro e que é sem nome, como o são aqueles que o alcançam.
-
Kha-ga, “flecha”, é também “pássaro”, e literalmente “viajante através do espaço vazio”; mas kha é também “vazio” e como tal um símbolo de Brahma - “Brahma é o Vazio, o Antigo Vazio do pneuma… com o qual eu sei o que deve ser sabido” (kham brahma, kham puranam vayuram… vedainena veditavyam).
É na noção da penetração de um alvo distante e invisível que culmina o simbolismo do tiro com arco na Mundaka Upanisad (II.2.1-4).
-
Nos dois primeiros versos, a Brahma é descrito como a unidade dos contrários, o summun bonum, a verdade imortal: “Isso é o que deve ser penetrado, penetra-O, querido meu” (tad veddhavyam, somya viddhi).
-
O terceiro e quarto versículos continuam: “Tomando como arco a poderosa arma (Om) da Upanisad, / Põe nele uma flecha afiada com devoções (upasana-nisitam) / Tensiona-o com uma mente da mesma natureza que Isso (tadbhava-gatena cetasa): / O alvo (laksyam) é Esse Imperecível; penetra-O (viddhi), querido meu!”
-
“Om é o arco, o Espírito (atman, o Si mesmo) a flecha, Brahma o alvo: / Ele é penetrável pelo homem sóbrio; torna-te de uma única substância com ele (tanmayo bhavet), como a flecha.”
-
Aqui se faz a familiar equação Atman = Brahman. A penetração é de igual a igual; o si mesmo espiritual representado pela flecha não é de modo algum o ego empírico, mas a Divindade imanente, o mesmo si mesmo em todos os seres.
-
“A Ele um deve extrair(-Lo) do próprio corpo de um, como se extrai a flecha da cana” (Katha Upanisad VI.17); ou, nos termos da Maitri Upanisad VI.28, deve “liberar(-Lo)” e “soltar(-Lo) voar” do corpo como se solta uma flecha do arco.
Na Maitri Upanisad as expressões diferem ligeiramente, mas os significados permanecem essencialmente os mesmos: há obstáculos que hão de ser traspassados antes que o alvo possa ser alcançado.
-
Na Maitri Upanisad VI.24, “O corpo é o arco, a flecha é Om, a mente é sua ponta, a obscuridade é o alvo (laksyam); e traspassando (bhitva) a obscuridade, um alcança aquilo que não está envolto em obscuridade, Brahma além da obscuridade, além da cor do Sol (ou seja, “de ouro”), aquilo que brilha naquele Sol, no Fogo e no Relâmpago”.
-
Na Maitri Upanisad VI.28, um esquece, ou vence (atikramya) os objetos dos sentidos (sensibilia, “ta aistheta”), e com o arco da firmeza, encordado com a via do monge errante, e com a flecha da liberação da ego-opinião (anabhimanamayena caivesuna), abate (nihatya) o guardião da porta de Brahma - cujo arco é a cobiça, cuja corda é a cólera, e cuja flecha é o desejo - e alcança Brahma.
A penetração de obstáculos é uma façanha comum; foi vista acima na prática turca, e no Jataka V.131 Jotipala traspassa um centena de troncos atados como se fossem um (ekabaddham phalakasatam vinijjhitva).
-
No Visuddhi Magga, 674, um arqueiro realiza a difícil façanha de traspassar uma centena de troncos (phalakasatam-nibbijjhanam) a uma distância de umas cinquenta jardas.
-
O arqueiro está com os olhos vendados e montado sobre uma roda em movimento (cakka-yante atthasi); quando a roda gira de modo que ele está de frente para o alvo, dá-se o sinal (sañña) com o som de uma batida que se dá no alvo com um pau; guiado pelo som, o arqueiro solta a flecha e traspassa todos os troncos.
-
O arqueiro representa a “Gnose da Via” (maggañana), enquanto o sinal que se dá é o da “Gnose Adotiva” (gotrabhu-ñana) e pode ser considerado um “lembrador” do fim que há de ser alcançado.
-
O atado de troncos significa os “troncos ou agregados da cobiça, da má vontade e do engano” (lobhadosa-moha-kkhandha); a “intenção” ou “objetivo” (arammana) é o Nibbana (Nirvana).
Podem ser citados de outras fontes paralelos notáveis aos textos precedentes.
-
Assim, Shams-i-Tabriz: “Cada instante, por assim dizer, há uma flecha no arco do corpo: se escapa do arco, golpeia seu alvo”.
-
No mesmo sentido, exclama: “Voa, voa, ó pássaro, para tua pátria natal, pois escapaste da jaula, e tuas penas estão desdobradas… Voa deste encerro, posto que és um pássaro do mundo espiritual”; e, certamente: “É como um pássaro que o sacrificador alcança o céu”.
-
Seu grande discípulo Rumi disse: “Só a flecha reta se põe no arco, mas este arco (do si mesmo) tem suas flechas combadas e torcidas. Endireita-te como uma flecha, e escapa do arco, pois sem dúvida toda flecha reta voará do arco (em direção a seu alvo)”.
Da mesma maneira, Dante: “E ali agora (ou seja, à Excelência Eterna como alvo), como ao lugar apontado, o poder dessa corda de arco nos leva, a qual dirige para um alvo ditoso quem quer que a descarregue”.
-
Com “Om é a flecha” pode-se comparar The Cloud of Unknowing (Cap. 38): “Por que traspassa o céu esta pequena prece de uma sílaba?”, ao que o mesmo autor desconhecido responde na Epistle of Discretion: “Um tal disparo cego com o afiado dardo do amor anelante jamais pode falhar o alvo, o qual é Deus”.
Para concluir, alude-se à prática do tiro com arco como um “esporte” no Japão no presente dia, fazendo uso de um valioso livro compilado por Mr. William Acker, pupilo americano de Mr. Toshisuke Nasu, cujo próprio mestre, Ichikawa Kojuro Kiyomitsu, “havia visto efetivamente o arco usado na guerra e morreu na casa do arco enquanto tensionava seu arco aos oitenta anos de idade”.
-
O livro é uma tradução das instruções de Toshisuke Nasu, com um comentário acrescentado.
-
Os extratos mostram quão pouco esse “esporte” tem do caráter de mera recreação que a noção de esporte implica nas culturas seculares.
-
“A Postura é a base de tudo o mais no tiro com arco. Quando ocupares teu lugar nas posições de disparo, deves apagar de tua mente todo pensamento de outras gentes, e sentir então que o assunto do tiro com arco é tua única incumbência… Quando voltares assim teu rosto para o alvo, não olhes simplesmente, mas concentra-te também nele… não deves fazer isso com os olhos apenas, por assim dizer, mecanicamente - deves aprender a fazer tudo isso desde o ventre.”
-
“Por dozokuri se entende a colocação do corpo em esquadro sobre o suporte fornecido pelas pernas. Um deve considerar-se a si mesmo como semelhante ao Buda Vairocana (ou seja, o sol), calmo e sem temor, e sentir como se um estivesse, como ele, no centro do universo.”
-
Na preparação para o disparo, onde mais se insiste é no relaxamento muscular e num estado de calma a ser alcançado por uma respiração regular; da mesma maneira que ocorre nos exercícios contemplativos, onde a preparação é igualmente para uma “liberação”.
-
Ao apontar (mikomo, de miru, ver, e komu, apertar), o arqueiro não olha simplesmente para o alvo, mas “o aperta para dentro” ou “o força para dentro” com sua visão, como se estivesse antecipando o fim que a flecha mesma há de alcançar.
-
A respiração do arqueiro deve ser regulada para “concentrar a força de um na cavidade do abdômen - então pode-se dizer que um chegou a uma compreensão real do tiro com arco”.
-
Nessa insistência na respiração profunda, é visível o fator “zen” (sânscrito dhyana), e na insistência que se põe no “espírito” (ki, chinês chi, sânscrito atman, prana), é visível o fator taoísta.
-
Mr. Acker observava que a todas as artes e exercícios japoneses se lhes chama “vias” (michi, chinês tao), ou seja, disciplinas espirituais.
-
“…pode-se dizer, mesmo, que isso é especialmente assim no tiro com arco e na esgrima, pois há arqueiros que te dirão que não importa o mínimo se logras acertar ou não o alvo - que a questão real é que saias do tiro com arco espiritualmente.”
-
“A consumação do disparo está na liberação… a Preparação, a Postura, o Levantamento do Arco, o Tensionamento e o Sustentado, tudo isso não são senão atividades preparatórias. Tudo depende de uma liberação não intencional e involuntária, efetuada pelo recolhimento dentro de um de toda a postura de disparo… o estado no qual a liberação tem lugar por si mesma, quando a respiração do arqueiro parece ter o poder místico da sílaba Om… Nesse momento a postura do arqueiro está em perfeita ordem - como se fosse inconsciente de que a flecha partiu… um disparo tal se diz que deixa atrás uma prolongada ressonância - a flecha se move tão serenamente como um sopro, e, certamente, parece quase uma coisa viva… Até o último momento, um não deve vacilar nem em corpo nem em mente…”
-
“(Assim), o tiro com arco japonês é muito mais que um ‘esporte’ no sentido ocidental; pertence ao bushido, a via do guerreiro. Além disso, as Sete Vias se baseiam sobre princípios espontâneos, e não sobre o mero raciocínio - / ‘Havendo tensionado suficientemente, / Não estires mais, senão conduze-O / Serenamente sem agarrar. / O arco não deve saber nunca / Quando vai partir a flecha’.”
A liberação efetiva da flecha, como a do contemplativo, cujo passo de dhyana a samadhi, da contemplatio ao raptus, tem lugar repentinamente, mas quase inadvertidamente, é espontânea e, por assim dizer, incausada.
-
Se todas as preparações se fizeram corretamente, a flecha, como um pássaro mensageiro, encontrará seu próprio alvo; da mesma maneira que o homem que, quando parte deste mundo “todo em ato” (krtakrtya, katam karaniyam), ou seja, havendo feito o que tinha que ser feito, não precisa perguntar o que lhe acontecerá nem para onde irá.
-
Inevitavelmente, encontrará o olho do boi e, passando através dessa Porta do Sol, entrará no Empíreo além da “muralha” do Céu.
Vê-se assim como, numa sociedade tradicional, cada atividade necessária pode ser também a Via, e que numa tal sociedade não há nada profano; uma condição cuja inversa é o que se está vendo nas sociedades seculares, onde não há nada sagrado.
-
Vê-se assim que mesmo um “esporte” pode ser também um yoga, e como as vidas ativa e contemplativa, ou seja, o homem exterior e o homem interior, podem unificar-se num único ato de ser no qual ambos os si mesmos cooperam.
