allard-lolivier:allard-clemencia
CLEMÊNCIA EM UM CLIMA NÃO CRISTÃO
ALLARD L'OLIVIER, André. L'illumination du coeur. Paris: Ed. Traditionnelles, 1977
-
A natureza paradoxal da realização espiritual no Vedanta Advaita
-
O fato do conhecimento de Deus em climas não cristãos realizar-se através da extinção do indivíduo.
-
A contradição assumida por Shankarâchârya, o maior doutor do vêdântismo, que reside na permanência do realizador do Absoluto no mundo após a realização.
-
A doutrina do “Jîvanmukta”, o liberado vivo, que, tendo compreendido “Aham brahma asmi” – “Eu sou Brahma” –, permanece no mundo corpóreo.
-
O questionamento de como aquele que possui o conhecimento da identidade divina pode continuar a viver e a ensinar no mundo, que é percebido como ilusório.
-
A resposta do discípulo fiel, que, confiando cegamente no “guru”, abstém-se de questionar a contradição, atribuindo-a à sua própria ignorância e focando-se no despertar.
A resolução da contradição: a realização em regime de Clemência-
A interpretação de que o despertar de Shankara realizou-se em regime de Clemência, permitindo um “retorno ao cosmos” ou “realização descendente”.
-
A descrição do comportamento do “Muni”, o sábio, que, mesmo após a realização, interage com o mundo sem ilusão, pois “tamas, graças à iniciação de seu guru, foi abolido”.
-
A conclusão de que o conhecimento de Shankara, embora expresso em termos de Identidade Suprema e acosmismo, é “pregnante” de uma sabedoria que exclui ambos.
-
A afirmação de que Shankara realizou a identidade existencial, mas a alteridade essencial permaneceu.
-
A justificativa para a existência do mundo, apesar de sua negação pela identidade existencial, encontrada na Revelação Cristã, da qual Shankara beneficia-se sem a conhecer explicitamente.
-
A articulação de que o mundo e o “eu” são, em si mesmos, ilusórios, mas a verdadeira conhecimento restitui-lhes a existência na medida em que a recebem de Deus, revelado como Père na Trindade.
A articulação da sabedoria no Vêdanta: Shankara e Râmânuja-
A apresentação de Râmânuja como o representante mais marcante do vêdântismo após Shankara, com sua doutrina do “vishishtâdvaita” ou “não-dualismo diferenciado”.
-
A complementaridade entre a “via de realização pela conhecimento” de Shankara e a “via de realização pelo amor espiritual e pela devoção” de Râmânuja.
-
A crítica à hierarquização de René Guénon, que considerava o ponto de vista de Shankara mais profundo, argumentando-se que ambos os pontos de vista são complementares, um pertencendo ao intelecto e o outro à vontade.
-
A afirmação de que a vida de Shankara atesta o conhecimento do amor, ainda que sua doutrina não o articule como a de Râmânuja.
O fundamento da autonomia da criatura: a alteridade essencial-
A distinção crucial entre identidade existencial e alteridade essencial, onde o visionário não é essencialmente o que Deus é.
-
O fundamento da autonomia existencial da criatura individual nesta alteridade essencial, que nenhuma conhecimento pode destruir.
-
O papel da Revelação Cristã, através da Encarnação do Verbo, em assegurar o salvamento da criatura individual, contrabalanceando a extinção do manifestado cósmico.
-
A ressurreição de Cristo com seu corpo, oferecendo as primícias de uma ressurreição universal.
A realização da Essência divina em clima não cristão segundo Al-Jîlî-
A descrição da percepção da Essência suprema como o saber, por intuição divina, que “tu és Ele e Ele é tu” sem fusão dos dois, mantendo-se a distinção entre servidor e Senhor.
-
Os três graus para “realizar” a Essência divina:
-
A extinção do “eu” pelo desvelamento do Senhor.
-
A extinção da presença do Senhor pelo desvelamento do Segredo da Senhoria.
-
A extinção daquilo que depende das Qualidades pela realização da Essência.
A interpretação do “Segredo da Senhoria” como o desvelamento do Arquétipo ao qual a criatura humana corresponde, uma Qualidade divina imanente.A relação entre a criatura e o Verbo divino, a totalidade dos Arquétipos, que justifica a alteridade essencial mesmo na identidade existencial.A conclusão de que, na medida em que está “cristificada”, a criatura individual humana é justificada em seu sentimento de existir, apesar de ter aprendido que por si mesma não existe. -
/home/mccastro/public_html/perenialistas/data/pages/allard-lolivier/allard-clemencia.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
