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NATUREZA DO SOCIALISMO EM GEORGES SOREL (1969)

Hitler et les sociétés secrètes. Enquête sur les sources occultes du nazisme, 1969

  • Deve-se conceder atenção às expressões de Georges Sorel sobre a natureza do socialismo, nas quais se evoca um “Grande Obra” político comparável ao ensinamento iniciático de certas sociedades secretas, exigindo dos socialistas a convicção de participar de empreendimento grave, redoutável e sublime.
    • Sorel afirma que apenas essa convicção permite aceitar sacrifícios sem honras, lucros ou satisfações intelectuais imediatas.
    • A ideia de greve geral teria valor inapreciável mesmo que apenas tornasse mais heroica a noção socialista.
    • Sorel anuncia a passagem de um fluxo irresistível sobre a antiga civilização.
  • A linguagem profética e a imagem diluviana da mutação histórica em Sorel retomam a temática da ruptura sem retorno formulada por Marx e Engels, acrescentando-lhe um messianismo fundado no momento vivido único de Henri Bergson.
    • A mutação separaria duas eras geológico-sociais sucessivas, capitalismo e socialismo.
    • O heroísmo realizaria pela ação a grande ciência da transmutação social.
    • Sorel opõe essa grande ciência à pequena ciência dos intelectuais e dos utopistas pseudo-revolucionários.
  • Sorel não atribui ao mito o sentido comum de ficção ilusória, mas reconhece na greve geral uma significação criadora situada na duração pura, exprimindo um dinamismo poético entendido como criação.
    • O mito não denuncia falsidade, mas afirma potência criadora.
    • O devir social não constitui determinismo histórico.
    • A criação social livre realiza-se sob influência de mitos escolhidos por homens capazes de entusiasmo.
    • Entusiasmo designa exaltação produzida por inspiração divina.
    • A causa do sindicalismo revolucionário associa-se ao Grande Obra de uma energia transcendante transformadora do homem, do mundo e da vida.
  • A transmutação universal proposta por Sorel fundamenta-se inconscientemente numa nova representação simbólica da duração vivida e numa abordagem mítica renovada do tempo.
    • A transformação aparentemente utópica possui raízes simbólicas.
    • A duração vivida adquire função estruturante.
    • O tempo é reinterpretado sob perspectiva mítica.
  • A época contemporânea confrontou-se, como a Renascença, com novas representações de espaço e tempo, impondo ao inconsciente coletivo um mito cronológico que transfere ao futuro as potências do tempo concebido como inventor perpétuo.
    • O novo mito domina a filosofia de Henri Bergson.
    • Influencia interpretações organicistas da evolução.
    • Alimenta delírios tecnológicos.
    • Sustenta profetismos místico-políticos do século XX.
  • A concepção socialista sorélienne depende profundamente da filosofia bergsoniana da duração orientada ao futuro, e sua inversão permite deslocar a legitimação da violência para um patriciado nacionalista que, invocando o passado remoto e a luta de raças, conduz ao imperialismo nazista.
    • A inversão do movimento temporal altera todo o sistema.
    • A violência é transferida da luta de classes para a luta de raças.
    • O imperialismo nazista apresenta seus mitos como conjuntos de vontades revolucionárias.
    • Esses mitos apoiam-se em mitos sociais bem escolhidos e em grupos de homens capazes de entusiasmo destrutivo.
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