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bazan:manifestacao-e-natureza

MANIFESTAÇÃO

René Guénon o la Tradición Viviente. Francisco García Bazán & Carlos Velloso & Luis A. Vedoya & Alicia Blaser & Olivia Cattedra, 1985

A manifestação, ou physis no amplo sentido utilizado pelos pré-socráticos, é composta pela reflexão ou especificação particular dos princípios ideais fundadores. Trata-se da parte organizada do que existe, marcada pela individualidade e pela mudança em suas diversas formas. É, essencialmente, o universo em seu significado mais amplo e em constante transformação.

Utilizando o conceito indiano da roda do samsara ou, na perspectiva grega, o domínio natural, simultaneamente causa interna do movimento e transformações externas contínuas, essa visão explica por que René Guénon considera como naturalistas as teorias filosóficas antigas e modernas que colocam razão, vida ou experiência sensível como horizontes últimos da realidade. Para Guénon, essas abordagens limitam-se à esfera da natureza ou à cristalização universal, sem alcançar além dela.

A esfera da manifestação compreende os estados individuais e coletivos do ser que lhe são próprios. Por causa da abrangência universal do Ser, esses estados são ilimitados. Os estados mais amplos referem-se às formas sutis e corporais, ambas pertencentes à ordem do universo. As formas sutis relacionam-se a realidades psíquicas, enquanto as corporais estão vinculadas aos corpos sensíveis.

Guénon analisa a composição do ser humano como microcosmo, abordando seus aspectos psíquico e corporal. Esses estudos revelam uma linha tradicional de pensamento que foi amplamente negligenciada pela interpretação judaico-cristã no Ocidente.

O cosmos, como ordem da manifestação, tem um princípio vital—ou sutil—chamado natureza geradora, e uma organização sensível, a natureza gerada. A partir da matéria quantificada, esta organização evolui dos elementos mais simples até os corpos mais complexos, formando o organismo total do universo.

Este organismo incorpora sua própria lei interna (dharma), ou ordem de desenvolvimento, reconhecida na tradição indiana como Manu ou alma universal. Essa alma universal rege etapas precisas dentro do ciclo completo de desenvolvimento de um kalpa (período de catorze manvantaras), iniciado após uma grande dissolução cósmica. Esse ciclo surge do potencial não manifestado do Ser, do domínio eterno de Ishvara—a pessoa divina, conforme compreendido por indivíduos espiritualmente devotos.

Neste contexto, convergem a teoria dos ciclos cósmicos, a cosmologia guenoniana e as várias etapas contempladas na doutrina de autorrealização e libertação metafísica. Esse processo se alinha à teoria metafísica dos múltiplos estados e graus da realidade e do ser.

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