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ANALOGIA TOPOLÓGICA

BENOIST, Luc. Signos, símbolos e mitos. Tradução de Anna Maria Viegas. Belo Horizonte: Interlivros, 1976.

  • O exercício da inteligência, a começar pelo uso da linguagem, não pode ser isolado de sua origem operacional, e a conquista mental do espaço acompanhou passo a passo uma conquista efetiva.
    • A mão e o espírito obedeceram aos mesmos métodos de realização por aproximações sucessivas, cumprindo os gestos de um trabalho tornado habitual.
    • O conhecimento do universo foi manual e pedestre antes de ser visual.
    • Tomando consciência da direção de seu olhar e da amplitude de seus movimentos, o homem criou um vocabulário de imagens ativas que se aplicou naturalmente a sua primeira geometria.
    • Simone Weil afirmou que quase todas as ações humanas simples ou complexas são aplicações de noções geométricas, e que o universo é um tecido de relações geométricas ao qual o homem, como criatura encerrada no espaço e no tempo, está submetido.
  • As matemáticas responderam primeiro a exigências utilitárias e a necessidades sociais, servindo ao recenseamento das colheitas e dos rebanhos, ao arpeamento das terras, à arquitetura dos edifícios e ao cálculo dos movimentos celestes.
    • Essas noções primordiais foram lentamente elaboradas a partir de dados sensíveis por uma prática de operações respondendo a necessidades cotidianas.
  • Essa geometria intuitiva era instintivamente fundada sobre duas noções fundamentais de ordem e de continuidade, posteriormente iluminadas por Leibniz, que constituem as condições da análise de situação por ele nomeada analysis situs.
    • Os procedimentos dessa análise, extensões, regressões, exclusões, convergências e conexões, formam igualmente a base do mecanismo ordinário do pensamento humano, expresso com gestos e verbos.
  • Para exprimir suas ideias o homem emprestou seus meios de expressão às formas das coisas e aos movimentos das figuras circundantes, importando-lhe apenas sua aparência e a direção de seu deslocamento, que podia servir de referência e de símbolo aproximativo.
    • Os verbos acabaram por monopolizar essa função, seguidos pelos advérbios e pelas preposições adverbiais.
    • Ao classificar os verbos em trinta e seis grupos correspondendo cada um a um gesto determinado, aplicou-se à linguagem a lógica dos grupos matematicamente ordenada pelos matemáticos, baseada nas relações de interdependência que definiam a nova topologia, em que a natureza das figuras não era modificada pelos deslocamentos impostos, da mesma forma que um sentido metafórico idêntico permanecia sob a diversidade dos verbos do grupo.
  • Os conceitos com os quais o homem interpreta o mundo possuem o caráter de um grupo que, segundo Poincaré, preexiste no espírito de tal modo que não se pode pensar sem sua intervenção.
    • O pensamento é sempre global e não individualiza suas imagens, que participam muito do sonho acordado, como a nuvem em que Hamlet via simultaneamente uma baleia, uma doninha e um camelo.
    • O pensamento só capta um conjunto de elementos de mesma forma, um grupo de mesma atitude, um gesto de mesmo sentido, constituindo o referencial comum que caracteriza o interesse passageiro.
    • A linguagem não pode obter uma precisão maior do que a do pensamento que tenta traduzir, e do gesto ao símbolo o mecanismo da língua, dos signos e do pensamento utiliza uma simples analogia topológica.
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