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ANTES DAS PALAVRAS

BENOIST, Luc. La Cuisine des Anges. Un essai sur la formation du langage. Paris: AWAC Bretagne, 1978

Todos os homens falam e todos já experimentaram, ao falar, aqueles momentos de indecisão ou vazio que não surgem da falta de ideias, pois, como diz Descartes, a alma pensa sempre, mas de uma dificuldade singular em expressá-las.

Uma hesitação paralisante, uma espécie de preguiça e de súbita lentidão parecem então imobilizar o esquecimento. As ideias se acumulam, se confundem, se agitam e logo acabam se dissolvendo, desesperadas por encontrar a fórmula adequada que lhes daria corpo. As palavras se recusam a ordenar sua invocação libertadora.

Desde o Onomasticon, que o gramático Júlio Pollux dedicou ao imperador Cômodo e, sem dúvida, muito antes disso, muitas vezes se criaram instrumentos de trabalho, dicionários analógicos e ideológicos que pretendem evitar esses embaraços. Mas, além de só servirem para a escrita, seu uso é tedioso e sua classificação absurda. Eles não podem oferecer nenhuma ajuda para a insuficiência passageira e quase normal em questão, uma vez que também partem das palavras e pressupõem que se encontrou o que se procura. Que escritor nunca sonhou, à maneira de Villiers de l'Isle-Adam, com uma máquina para estenografar o pensamento puro?

Foi esse sonho, tão estranho e, no entanto, tão espontâneo, que levou o autor a escrever estas linhas, inicialmente para si mesmo. Ele percebeu que se tratava de separar, no ato infinitamente complexo que chamamos de criação, dois elementos principais intimamente ligados: a inspiração e a técnica. Ou, mais simplesmente, dada uma ideia, ele precisava determinar as leis que ordenavam sua expressão por meio das palavras.

Sem dúvida, está na moda criticar as palavras vazias, desprezar a retórica, a filologia, a gramática em favor, diz-se, de realidades mais sólidas. Mas, para condenar as palavras, elas são utilizadas e, ao mesmo tempo, prova-se que a palavra continua sendo o espelho privilegiado do espírito humano.

A concepção da linguagem que o autor extraía de sua pesquisa aproximava-o das disciplinas que ele havia praticado, o simbolismo das artes e a notação das ciências. Isso o levou a verificar, no cerne de uma ordem superior, a equivalência de suas certezas, a ponto de reconhecer na gramática a ciência suprema dos Upanishads, o segredo do dom das línguas, a única chave que permite alcançar o verdadeiro conhecimento e a libertação final.

Nestas páginas, que não pretendem inovar nem convencer, o autor apenas quis repetir na linguagem de hoje as verdades mais antigas. Feliz se pudesse oferecer ao leitor a oportunidade de uma experiência pessoal, o pretexto para um novo caminho entre todos aqueles que já vêm se relaxar na unidade do espírito.

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