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ARTE, ARQUEOLOGIA E PRÉ-HISTÓRIA

BENOIST, Luc. Art du Monde. La spiritualité du métier. Paris: Michel Allard Éditions Orientales, 1978

  • A posição de princípio segundo a qual a arte tem origem supra-humana não contradiz os fatos da pré-história, pois essa ciência paradoxal qualifica de idade da pedra civilizações quase inteiramente fundadas no emprego da madeira, matéria desaparecida, de modo que os utensílios de pedra descobertos representam apenas um percentual ínfimo de probabilidades que não permite nenhuma conclusão certa.
    • Mesmo que o quadro de vida dos povos antigos fosse integralmente restituído, o passo mais difícil, o da interpretação, restaria por ser dado.
    • A obra de arte pré-histórica aparece como o único fragmento subsistente de um todo cujo elemento principal, o pensamento dos homens que a criaram, nos falta e sempre nos faltará.
    • É necessário recorrer obrigatoriamente às tradições ainda vivas para esclarecer por analogia a natureza da arte, seu papel de suporte de cerimonial e fixador de fórmula, e suas origens simbólicas e rituais.
  • Toda arquitetura tradicional possui um caráter cósmico aplicável ao macrocosmo e ao microcosmo, sendo que especulativamente a ideia de arquitetura está ligada à de geometria e esta à de medida ou ordem, e praticamente o modelo natural de toda arquitetura se encontra na montanha, lugar elevado onde foram sempre colocados os primeiros templos.
    • É na montanha que se faz sentir simbolicamente a influência celeste ao longo de um eixo ideal que penetra até o coração da terra através da caverna.
    • A aparição da caverna supõe um deslocamento para o interior, um obscurecimento, um envelopamento progressivo do centro, anteriormente visível no cume da montanha.
    • Toda arquitetura ritual está ligada à ideia de centro, tanto centro simbólico do mundo quanto centro espiritual do homem, como o pilar budista, o bétilo semítico, o menir celta ou o ônfalo grego.
  • A ideia mais natural e reduzida do mundo é seu próprio germe, o ovo do mundo evocado pelo bétilo e pelo ônfalo, sendo que a expressão arquitetônica mais perfeita desse duplo simbolismo é a cúpula, imagem do ovo do mundo e da abóbada celeste, e todas as construções circulares são imagens do céu.
    • As primeiras cúpulas iranianas eram pintadas interiormente em azul ou preto, o que lhes tirava toda aparência de solidez e marcava a natureza de seu simbolismo.
    • Cromeleques celtas, tumbas micênicas, estupas budistas, cubas do Islã, cúpulas persas, domos e campanários cristãos são todos imagens do céu.
    • O solo da caverna, como o de todo edifício, representa a terra em sua forma quadrada em relação com o quaternário, número do mundo manifestado e das direções do espaço orientadas segundo os quatro pontos cardinais.
  • A caverna pré-histórica era provavelmente o santuário e o túmulo dos homens da pedra, e o nome que os modernos lhes atribuem poderia ter significação diferente da que se supõe, sendo pertinente recordar que entre os gregos, após a destruição do mundo pelas águas, os homens renasceram de pedras lançadas por Deucalião e Pirra.
    • A Creta pré-helênica possuía grutas-santuários assim como grutas-ossuários.
    • Os bétilos são pedras erguidas e consagradas à divindade, beith-el significando casa-deus, como Jacó o realizou após um sonho profético.
    • Ainda hoje, para consagrar validamente uma igreja cristã, uma pedra deve formar o centro efetivo do altar.
  • A topografia por vezes complicada dos corredores de acesso às grutas evoca invencivelmente o labirinto cretense, e esses corredores se transformaram em aleias cobertas e dólmens que reconstituíam artificialmente as grutas primitivas em países onde as grutas naturais não mais existiam ou não eram utilizadas.
    • Mais tarde, o decoro geométrico se estendeu sobre os megalitos, sobre os menhires, esses enormes bétilos ancestrais dos obeliscos e das colunas, e sobre os cromeleques.
    • A arquitetura aparece assim, desde sua origem, como uma arte sagrada, caráter que conservará em todas as civilizações ulteriores.
  • A arquitetura não se limitava a construir casas ou templos, abrangendo tudo o que se compreende sob o termo urbanismo, ciência tão antiga quanto a mais antiga cidade da história, manejando jardins, canais e estradas, erguendo fortificações, escavando portos e organizando o espaço segundo uma topografia ritual em acordo com as leis do mundo visível e invisível.
    • A fundação de uma cidade não parecia menos importante que o estabelecimento de uma doutrina, pois ambos deviam manifestar os mesmos princípios.
    • Cada capital, refletindo sobre a terra a ordem suposta que reina nos céus, tornava-se o reservatório das influências superiores que irradiariam a partir desse centro sobre toda a superfície do reino.
  • A escolha dos lugares privilegiados para a fundação de cidades procedia de regras precisas e constituía uma ciência antiga hoje perdida, a geografia sagrada, à qual Platão alude no Timeu a propósito do delta do Nilo.
    • A direção dos ventos, o curso das águas, a posição dos bosques e das colinas, tudo o que favorece a corrente das forças, possuía um valor do qual Roma e Jerusalém fornecem os exemplos mais notórios.
    • A simples técnica dos monumentos não pode revelar o segredo de sua construção, pois no espírito dos antigos arquitetos o ofício era apenas um instrumento, como a natureza nas mãos de seu Criador.
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