ARTE DO MUNDO
BENOIST, Luc. Art du Monde. La spiritualité du métier. Paris: Michel Allard Éditions Orientales, 1978
Tendo me tornado historiador de arte através da prática da minha profissão de conservador de museu, tive a oportunidade, em 1928, de ler duas obras sobre um assunto que me interessava, dois estudos sobre metafísica oriental assinados por um nome que eu desconhecia, René Guénon. Assim que os li, fiquei admirado e descobri um mestre. Sem dúvida, ele não pretendia revelar nada de novo. Propunha apenas uma reorganização dos elementos de uma cultura antiga. Ele devolvia um sentido ao imenso patrimônio intelectual do planeta, oriental e ocidental, sem deixar nenhuma parte desse conjunto fora de sua necessária revisão.
Eu considerava que essas considerações podiam ser aplicadas à história da arte, como eu teria oportunidade de comprovar. Pois, ao conhecer os colaboradores da revista Etudes Traditionnelles, patrocinada por René Guénon, eles me pediram para colaborar com eles. Em 1935 e 1936, publiquei nessa revista uma dúzia de artigos sobre a arte do ponto de vista tradicional.
Mas, desejando obter um público menos confidencial, organizei meus textos de maneira lógica. Fiz um livro que intitulei Art du Monde (Arte do Mundo) e que, em 1939, levei à editora Gallimard, a Jean Paulhan, que conhecia desde 1921. Ele aceitou publicá-lo, o que me fez esperar até 1941.
Tendo sido posteriormente solicitado a colaborar em várias coletâneas, em 1947 no Cahier da coleção “Présences” sobre os Ritmos e a Vida (na editora Plon), em 1948 no livro de homenagens a A.K. Coomaraswamy, intitulado Art and Thought (na editora Luzac, em Londres), e em outras publicações, fiz uma síntese sob o título La Naissance de Vénus, que foi publicada em 1951 pela editora Cailler, em Genebra.
A presente edição de Art du Monde deveria levar em conta esses textos há muito esgotados. É, portanto, uma nova versão desse livro, revisada e enriquecida, que apresento hoje. Espero que ela pareça tão reveladora quanto em sua primeira aparição, embora tenha contribuído para tornar comuns ideias então incomuns.
