benoist:elementos-temperamentos-planetas
ELEMENTOS, TEMPERAMENTOS, PLANETAS
SOCOA, Michel de. Bases de l’astrologie individuelle. Typologie e caractères. Paris: Éditions Traditionnelles, 1981.
-
As relações entre os astros e o mundo terrestre podem ser de diversas naturezas, simbolismo, analogia, correspondências ou influências, sendo que os astrólogos modernos geralmente optam pela solução mais material, reduzindo essas relações à sola influência comparada ao magnetismo e à eletricidade, o que é uma pura hipótese.
-
Entre os corpos celestes e o corpo do homem existe não apenas uma relação de equivalência material, mas também uma influência real, afirmada por são Tomás na Suma, segundo o qual os astros, movidos por espíritos angélicos, são a causa de tudo o que ocorre nos corpos inferiores pela variedade de seus movimentos, sendo essas influências diversamente recebidas segundo as disposições da matéria.
-
Na mesma obra, são Tomás afirma que tudo o que neste mundo inferior engendra e transmite a espécie é instrumento dos corpos celestes.
-
No que diz respeito à alma, os astros a inclinam e às vezes a comandam na medida em que ela obedece às paixões do corpo, sendo que o apetite sensitivo, por ser o ato do órgão corporal, pode ser disposto pela ação dos astros à cólera, à concupiscência ou a qualquer outra paixão, embora o sábio, como disse Ptolomeu, os domine.
-
São Tomás acrescenta que, de maneira indireta e acidental, as impressões dos corpos celestes podem ter alguma ação sobre o intelecto e mesmo sobre a vontade, na medida em que estes são influídos por forças inferiores ligadas aos órgãos corporais.
-
O cuidado de são Tomás em salvaguardar o livre-arbítrio não o impede de afirmar que observar os astros para conhecer o que devem produzir os corpos celestes não é uma adivinhação ilícita nem supersticiosa.
-
Quanto aos atos que derivam da vontade, a relação com os movimentos celestes não pode ser senão de correspondência, expressa pela fórmula hermética o que está embaixo é como o que está em cima, pois ao começar a agir o homem se insere na grande corrente do destino, cujo ritmo ampliado desenha o movimento dos astros no céu.
-
O intelecto escapa à dominação dos astros, pois emana diretamente do Espírito que os comanda.
-
Por isso é ilusório buscar em um tema astrológico o destino espiritual de um ser, e traçar o tema de Jesus Cristo, de um profeta, de um santo ou de um iniciado é definir apenas o que subsiste neles de substância corporal, o que há de menos essencial.
-
Todos os praticantes sabem que nem sempre é possível decidir em que plano se realizará determinado evento ou disposição de um tema, se na zona material, psíquica ou espiritual.
-
O simbolismo astrológico foi transmitido pela tradição, e por uma degenerescência da interpretação esse simbolismo dos princípios se transformou em equivalência literal que oculta as grandes leis, sendo necessário resgatar o sentido original respeitando o espírito da tradição.
-
A correspondência dos signos do zodíaco e dos planetas com o homem é antes de tudo corporal: cada signo corresponde anatomicamente a uma parte do corpo, e cada planeta a uma função e a um sistema fisiológico.
-
Coton-Alvart evidenciou o caráter complementar das funções e sistemas que no zodíaco correspondem a signos opostos, como o sistema cerebral e a medula, a digestão e a pele, a garganta e os órgãos genitais, o coração e o sistema venoso das pernas.
-
Os doze signos do zodíaco se dividem em quatro triplicidades correspondendo cada uma a um elemento particular, água, ar, fogo e terra, cada signo de cada triplicidade manifestando um modo particular do elemento considerado, seja em estado livre, fixo ou vibratório.
-
Os elementos tradicionais não devem ser identificados com as matérias naturais conhecidas pela experiência cotidiana; eles são o que os escolásticos chamavam forças ou potências informantes, atividades imateriais que, agindo sobre a matéria-prima, podem fazer nascer o ar, o fogo, a água ou a terra, mas que aplicadas a outro nível produzem outros efeitos.
-
Aplicadas à matéria viva e ao corpo do homem, essas forças se transformam em potências secundárias que constituem os humores da tradição hipocrática: sangue, bile, pituíta ou linfa e atrabílis.
-
Os humores não são fluidos vitais que os médicos modernos possam reconhecer sob esses nomes, mas uma única potência vital e imaterial que se transforma em todo homem tomando quatro formas em proporção cada vez diferente, podendo variar com a idade ou a saúde do indivíduo, e cada idade e cada ser vivo sente predominar em si um estado particular chamado temperamento.
-
A saúde perfeita supõe que o ciclo de transformação dos humores não encontre nenhum obstáculo no ser vivo.
-
A interrupção constitui a doença, isto é, a predominância exclusiva e nefasta de um humor que impede a transformação ininterrupta do ciclo.
-
As correspondências que ligam os quatro elementos aos outros quaternários cósmicos e ao septenário dos planetas revelam que as planetas se desdobram segundo a ordem astronômica verdadeira e que os elementos correspondem perfeitamente aos signos cardinais de cada planeta, enquanto as idades correspondem às horas do dia multiplicadas por um coeficiente crescente que marca a aceleração do tempo com o avanço da idade.
-
A teoria dos humores é tanto mais importante que a dos temperamentos se lhe superpõe e que a psicologia dos caracteres deriva dos temperamentos.
-
É por intermédio dos planetas, tendo seu casa em cada signo, que se realizam os caracteres.
-
Colocando o Sol ao centro e ligando os demais astros entre si de determinada maneira, reencontra-se no zodíaco a sequência das planetas em sua ordem astronômica verdadeira, revelando a dupla espiral de evolução e involução de todo ciclo humano ou cósmico que servirá de base à classificação dos caracteres.
-
/home/mccastro/public_html/perenialistas/data/pages/benoist/elementos-temperamentos-planetas.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
-
-
-
-
-

