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NOME
BENOIST, Luc. Signos, símbolos e mitos. Tradução de Anna Maria Viegas. Belo Horizonte: Interlivros, 1976.
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Nas sociedades primitivas os laços humanos eram mais íntimos e desenvolvidos do que nas sociedades modernas, e a solidariedade tribal era uma necessidade mais imperiosa do que nos dias atuais.
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O célebre ostracismo grego, que bania um homem de sua família, aldeia ou cidade, equivalia praticamente a uma condenação à morte.
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Existe nos seres vivos, animais e humanos, uma necessidade permanente de se agrupar para evitar uma solidão outrora redutável, colaborar em jogos coletivos ou trabalho difícil, ou simplesmente estar juntos, impulsionados pelo instinto de apego que os etólogos contemporâneos propõem substituir à célebre libido freudiana, da qual esse instinto seria apenas uma modalidade.
Uma das maiores alegrias dos primitivos consistia em conversar e trocar ideias, desde as fofocas do dia até as palavras solenes que conduziam os mais eloquentes à popularidade e ao poder.-
A necessidade de falar corretamente e de conhecer perfeitamente a língua garantia a esta a importância de um rito tribal.
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A língua era preservada de toda alteração por um desenvolvimento extraordinário da memória, graças ao qual vários milhares de versos podiam ser aprendidos, retidos e transmitidos por simples tradição, o que ainda é verdade em certas populações sem escrita.
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Essas línguas arcaicas, práticas e realistas, deviam evocar cada ser familiar e cada objeto cotidiano em uma situação conhecida, num momento preciso, na interação de inúmeras condições concretas observadas por esses insuperáveis observadores que eram os primitivos, permitindo designar sem equívoco com uma única palavra o ser ou a coisa em questão.
O árabe clássico antigo comportava mais de cinco mil palavras relativas ao camelo, cada uma reservada a um dos múltiplos aspectos de sua anatomia, aparência, sexo, idade, pelagem, costumes, gritos, situação de tempo e lugar, crescimento, saúde, vícios, doenças ou desempenho.-
Uma única palavra do vocabulário camélino podia responder simultaneamente às perguntas sobre quem era o sujeito, onde estava, com quem, por que ali chegara, como e em que momento.
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O vocábulo correspondente tornava-se um verdadeiro nome próprio que, em dado momento, só podia aplicar-se a um único indivíduo, à maneira das condições de nomeação a um cargo concebidas para um único candidato que as reunisse todas.
Cada família tinha sua própria linguagem, assim como ocorre hoje, quando um diálogo entre pessoas íntimas, surpreendido por um estranho que conhece a língua, lhe permanece praticamente incompreensível por não estar iniciado em todas as implicações de cada palavra para os membros daquele grupo.Uma especialização tão estreita, vinculada a uma realidade personificada, excluía toda generalização e impedia a expressão do movimento e da mudança, o que só foi facilitado pela passagem do nome próprio ao vocábulo comum, isto é, pela transformação do nome em símbolo.-
O trabalho em comum deve ter facilitado essa transferência, e o uso das ferramentas impôs um manejo igualmente mais flexível da língua.
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A origem artesanal da maioria dos verbos testemunharia em favor dessa hipótese.
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A primeira fala parece misturada a uma ação em que as palavras substituíram os antigos gestos porque a voz alcançava mais longe e podia atingir aqueles que não se via.
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O simbolismo em sentido estrito apareceu quando a palavra, mal saída da ganga da frase, foi utilizada para transmitir um sentimento ou uma ideia.
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