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PSICOLOGIA TRADICIONAL E ZODÍACO
SOCOA, Michel de. Bases de l’astrologie individuelle. Typologie e caractères. Paris: Éditions Traditionnelles, 1981.
* O zodíaco imóvel pode ser considerado como meio externo ao ser humano, papel desempenhado pelos signos, ou como meio interno do nativo, seu temperamento inato e seu terreno fisiológico, sendo que os sete planetas, representando as sete faculdades da alma, desenvolvem suas possibilidades sobre esse terreno para formar o caráter.
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Na análise de um tema, cada planeta interrogado revela o grau de uma faculdade específica, e um planeta importante e bem aspectado corresponde a uma faculdade desenvolvida, enquanto um planeta sem importância ou em estado maléfico corresponde à sua ausência ou fraqueza.
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O Sol simboliza a vontade; um Sol poderoso impõe a personalidade aos outros, e um Sol ferido produz um indivíduo apagado e abulico.
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Cada planeta pode se encontrar particularmente bem colocado na casa de outro, cuja faculdade correspondente desenvolverá a sua própria; assim o Sol em Áries passa da vontade ao ato, razão pela qual se diz que está em exaltação nesse signo.
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A Lua testemunha a memória e a imaginação, Mercúrio a razão, Júpiter a sociabilidade, Vênus a bondade e Marte a atividade.
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É notável observar como a faculdade ou virtude que cada planeta representa combate a paixão ou o vício simbolizado pelo planeta na casa no signo oposto, sendo que a caridade voluntária do solar se opõe à avareza saturniana, a sociabilidade de Júpiter neutraliza a inveja mercuriana, a bondade de Vênus encadeia a cólera marciana, e a prudência de Saturno combate o orgulho solar.
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Cada signo e cada planeta formam com seu oposto um casal de complementares indissolúveis.
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Todo homem retém em si as possibilidades dos doze signos e dos sete planetas, mas a tipologia tradicional mostra que cada um sofre paixões particulares e manifesta a primazia de uma faculdade.
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A mistura única desses tipos simples forma cada uma das individualidades particulares que a vida nos faz encontrar.
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As zonas de ação dos planetas no zodíaco correspondem à divisão tripartite da alma exposta pelos escolásticos, sendo que as paixões do apetite irascível, audácia, temor e cólera, correspondem ao casal Marte-Vênus ao longo do eixo horizontal; as paixões do apetite concupiscível, amor, ódio, desejo, aversão, prazer e dor, correspondem aos luminares e a Saturno ao longo do eixo vertical; e a alma racional corresponde ao casal Júpiter-Mercúrio, cujos lugares formam uma cruz de Santo André que religa as duas zonas anteriores.
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A vida de especulação e sensação se inscreve ao longo da zona vertical, domínio da vida vegetativa e consciente em relação com as três faculdades primordiais do ser, memória, julgamento e vontade, que o esoterismo muçulmano chama de eixo da exaltação.
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A vida de paixão e ação se situa no eixo horizontal, domínio de Marte e Vênus, plano que os muçulmanos chamam da amplitude.
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Entre os dois se coloca a zona intermediária da vida de relação e expressão, que se traduz pela palavra ou pela arte, atenuando o egoísmo brutal do irascível e o egoísmo solitário do concupiscível.
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Essa divisão do zodíaco, embora ignorada ou desconhecida, não é menos importante que as outras divisões tradicionais, e mostra que cada signo não é completo e deve ser religado ao signo oposto e ao que tem o mesmo regente, o que explica por que a mitologia grega acopla Marte e Vênus e faz de Mercúrio o favorito de Júpiter.
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O indivíduo que depende de um signo sofre também a influência do signo oposto por seu convívio habitual com as pessoas desse signo.
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A força marciana já contém em si a bondade de Vênus; a razão de Mercúrio se transforma facilmente em sociabilidade jupiteriana; e a fé lunar, em seu mais alto desenvolvimento, se alia necessariamente ao julgamento profundo de Saturno.
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A afinidade de cada casal existe também entre os signos de mesma regência; cada zona, reunindo os quatro elementos, forma um todo relativo, um pequeno cosmos.
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O desenvolvimento desse pequeno cosmos se manifesta segundo a dupla espiral, e no ciclo de especulação e sensação a alma representada pela Lua no Câncer repousa na memória ancestral, é aquecida pelo Sol seu complementar, que desperta o Saturno de Aquário para julgar especulativamente as possibilidades virtuais de ação, e esse julgamento intelectual é realizado praticamente pelo Saturno de Capricórnio, que impõe sua vontade ao polo oposto do Câncer.
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Esse ciclo de sensação e especulação interna pode ser considerado como ciclo de base que se basta a si mesmo na maioria das vezes.
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Se o ser age, o Marte de Capricórnio se transforma em Marte de Áries, une-se à Vênus de Balança, e a alma se aniquila na morte de Escorpião; mas essa morte chama por complementarismo o nascimento a uma nova vida simbolizado pelo Touro, e o ciclo recomeça pelo vínculo lunar entre Touro e Câncer.
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O ciclo especulativo, em vez de se transformar em ação, pode se fixar em expressão, num caso em que a alma, em vez de ser despertada pela sensação lunar do Câncer, é movida pelo sentimento solar de Leão, passando pela elaboração saturniana e abordando o ciclo da expressão pelo intermediário jupiteriano de Peixes, depois pelo Mercúrio trabalhador de Virgem, depois pelo Mercúrio intelectualizado de Gêmeos, e finalmente despertando seu complementar, o princípio divino de Sagitário, culminação superior de toda expressão humana.
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As duas zonas do irascível e do concupiscível são formadas de todos os signos cardinais e fixos, que mostram seu caráter absoluto.
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Os dois casais Júpiter-Mercúrio da vida de expressão reúnem os quatro signos mutáveis, que mostram seu caráter de intermediários e de ligação flexível.
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Como há apenas sete planetas para doze signos, eles não podem determinar em todo indivíduo ao mesmo tempo uma vida de ação e uma vida de expressão, confirmando a alternativa mais corrente entre a alma ativa e a alma contemplativa.
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