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SIMBOLISMO
BENOIST, Luc. Art du Monde. La spiritualité du métier. Paris: Michel Allard Éditions Orientales, 1978
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Para conhecer os princípios da arte é necessário, como afirmou são Tomás, buscar não o que os homens pensaram mas o que as coisas são, o que exige situar-se no centro da tradição antiga da qual elas são oriundas, recorrendo ao testemunho dos representantes qualificados de cada tradição.
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Para esclarecer um fato histórico, o único método consiste em recolher o testemunho de quem o viveu; para compreender uma coisa é preciso identificar-se com ela e remontar à sua fonte.
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O recuo da metafísica já manifesta uma metafísica, inconsciente e tanto mais temível; querer ignorá-la ao estudar civilizações das quais ela é a chave é fazer metafísica da pior espécie.
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O único fato verdadeiro e completo deve corresponder à concepção que seus autores faziam dele, reunindo em sua unidade os diferentes pontos de vista, incluindo o primeiro e mais importante, o ponto de vista espiritual.
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A grande lição da arte antiga é que ela aparece antes de tudo como uma escrita, uma linguagem, um símbolo, exercendo esse papel desde a origem, pois pintura e escrita são oriundas por diferenciação divergente da pictografia primitiva, expressão linear anterior ao alfabeto e ao desenho que consiste em resumir a ação em grafismos simbólicos.
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A arte primitiva constitui um conjunto de signos e símbolos geralmente propiciatórios, e durante milênios permaneceu assim.
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Quando a arte cristã se apoderou das formas da arte antiga para revesti-las de nova significação, provou mais uma vez que essas formas não eram senão signos.
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A imagem pintada, segundo os hindus, emana de um modelo interior visto pelo artista, que é ele mesmo a irradiação e a encarnação de uma verdade eterna, e como o modelo interior é um reflexo do mundo invisível, a operação intelectual prévia a toda atividade artística repete no plano humano a contemplação das verdades superiores e permanentes.
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Essa transposição material de uma visão se exprime forçosamente num símbolo, que deve ser conhecido para ser inteligível.
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A arte antiga trazia a cada um a sugestão de um estado e não a descrição de um objeto, buscando adaptar-se subjetivamente à mentalidade dos homens que se propunha atingir.
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No alto da hierarquia das imagens, os hindus da época clássica colocavam os yantras, diagramas geométricos rituais correspondendo cada um a uma divindade particular; vinham depois as imagens cada vez menos estilizadas e mais naturalistas.
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As afrescos romanos do século XII são adaptações de afrescos bizantinos dos primeiros séculos executados no Egito e na Síria, e foram pintados sob a influência das doutrinas filosóficas platônicas então dominantes, segundo as quais a visão interior e intelectual restitui aos objetos sua verdadeira grandeza e pode evocar os mundos invisíveis.
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Plotino supunha, em sua segunda Enéada, que a visão dos objetos provém de uma força que emana do olho e vai tocar materialmente o objeto, e que os objetos distantes parecem menores por uma enfermidade do olho.
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O poeta cristão Prudêncio, no século IV, afirmava que os olhos da alma têm um olhar penetrante, um fogo que atravessa as nuvens e penetra a imensidão.
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Esse plano do intelecto em que se move a visão do contemplativo é também o do pintor românico, justificando assim os caracteres ditos imperfeitos da grande pintura medieval, suas imagens vistas num plano ideal e sem perspectiva, seus personagens em um mundo sem atmosfera, intermediário entre o mundo dos vivos e o dos signos.
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O modelo sendo ideal, não pode ser tomado da natureza, e a visão interior, para ser inteligível aos outros, deve como toda linguagem recorrer a uma forma tradicional de expressão, adaptando-se a um cânone ensinado e adquirido, o que implica uma concepção do ensino da arte muito diferente da que prevalece hoje.
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Até a Renascença a arte estava a serviço da teologia, e o artista era obrigado a aprender e respeitar a gramática e a sintaxe de sua língua, ou seja, os temas iconográficos, os cânones de proporções e os tipos.
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Um arte intelectual limita-se a reunir signos de troca; quanto mais impessoal, mais se aproxima do objetivo.
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Por uma degenerescência natural, o mecanismo dos gestos e das formas sobreviveu ao espírito que os havia criado, e nas academias se ensinou os signos de uma espiritualidade morta, chegando-se a uma arte puramente formal, sem significação superior, incapaz de transmitir mais do que sentimentos e sensações.
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A arte da Renascença tomou emprestados seus meios de expressão de uma Antiguidade desaparecida e de uma tradição extinta.
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Esse divórcio do ensino e da realidade atingiu seu auge em meados do século XIX e provocou a revolução impressionista, que restabeleceu uma equivalência momentânea e ilusória entre a maneira de pintar e a maneira de ver e sentir.
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Não sendo em nenhum grau intelectual, o impressionismo suprimiu naturalmente toda escola e tornou-se o pai dos pintores de domingo.
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