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BASES DA ASTROLOGIA INDIVIDUAL
SOCOA, Michel de. Bases de l’astrologie individuelle. Typologie e caractères. Paris: Éditions Traditionnelles, 1981. Livreto de Luc Benoist escrito sob o pseudônimo de Michel de Socoa, apresenta uma conceituação importante e tradicionalista para o melhor entendimento da Astrologia.
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PSICOLOGIA TRADICIONAL
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I A psicologia tradicional
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II Elementos, temperamentos e planetas
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III Os elementos e os tipos zodiacais
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IV Os sete tipos planetários
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V A psicologia tradicional e o Zodíaco
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Os caracteres
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Apêndices
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A individualidade dos temas
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Bibliografia da tipologia
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A astrologia é essencialmente a ciência dos ciclos, estudando os grandes ciclos ligados à precessão dos equinócios, as revoluções dos planetas ao redor do Sol e as diferentes combinações dessas revoluções, sendo uma ciência puramente tradicional cujas significações simbólicas foram transmitidas por gerações sucessivas desde uma origem que remonta além do período histórico.
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A astrologia não deixa de obedecer à mais exata lógica, pois seus princípios se baseiam nas correspondências entre os diversos planos da realidade, e a amplitude dos ciclos dos planetas pesados mostra que ela é antes de tudo de aplicação mundial, sendo a astrologia genitalícia, de incidência psicológica individual, apenas um ponto de vista mais reduzido, igualmente verdadeiro porque o homem foi sempre considerado tradicionamente como um pequeno mundo.
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A aplicação individual da astrologia é legítima pelo fato de que, sendo a astrologia a ciência dos ciclos, ela pode prever as posições planetárias e aplicar seu simbolismo às vidas humanas, e o futuro é o objeto principal sobre o qual se aplica por natureza a vontade do homem, feito para a ação que visa criar o futuro.
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A aplicação genitalícia depende da astrologia mundial, e um tema benéfico ou um período feliz é sempre relativo à grande fase cósmica em que se situam esse nascimento e esse período, sendo conveniente não esquecer que o tema individual depende de períodos e influências de maior envergadura, revelados pelas grandes conjunções e pelos trânsitos dos planetas trans-saturnianos.
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Para compreender o vínculo simbólico que une os astros e os tipos humanos é necessário expor a psicologia tradicional em suas linhas gerais, a fim de desenvolver ideias relativas à aplicação individual da astrologia e à tipologia astral e seus rapports com os diferentes temperamentos e caracteres.
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É um princípio de todas as tradições a divisão do ser humano em três partes principais, corpo material de um lado e dois elementos imateriais de outro, alma e espírito, cuja designação e compreensão variam segundo os pontos de vista das diferentes tradições.
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Essa tricotomia possui sua base simbólica e sua justificação na teoria hindu dos três gunas, que exprimem as qualidades primordiais e constitutivas dos seres.
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O espírito corresponde a sattwa, a alma a rajas e o corpo a tamas.
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Essa tripartição se reencontra em todos os níveis da existência, e uma de suas aplicações mais importantes se manifesta no plano social nas funções das sociedades indo-europeias reveladas pelos estudos de Dumézil: a função sacerdotal do padre, a função real do guerreiro e a função artesanal e popular do criador-agricultor.
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Essas funções correspondem no próprio ser às faculdades de conhecimento, ação e trabalho manual, que exigem as virtudes respectivas de sabedoria, coragem e temperança, como Platão já havia mostrado no quarto livro de sua República.
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A tradição chinesa acentua o septenário; os gnósticos preferem o denário; mas o ternário dos elementos primeiros subsiste sob essa divisão mais aprofundada.
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A tradição hebraica formula explicitamente essa trilogia humana desde o início da Gênese, no momento da criação do homem por Deus: YHWH modelou primeiro o corpo do homem, o basar, com o limo da terra, depois lhe insuflou a vida, a alma vivente, o nefes, com seu próprio sopro, que é espírito, o ruah.
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A alma vivente é portanto o resultado da união do corpo com o sopro do espírito.
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A tradição helênica, em sua forma mais elevada que é o platonismo, ensina que o ser humano é composto de um corpo, o soma, de um espírito, o nous, e de uma alma que os religa, a psyché, divisão retomada pela tradição romana nos termos corpus, anima e spiritus.
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O pensamento cristão respeitou essa divisão tradicional, e são Paulo retomou com precisão a divisão mosaica, sendo que os mais autênticos padres da Igreja e os maiores doutores aceitaram a mesma concepção trinitária que faz do homem a imagem da Trindade Divina.
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Santo Ireneu expressou-a com força em seu tratado sobre a Ressurreição, afirmando que há três princípios do homem perfeito: a carne, a alma e o espírito, sendo o espírito o que salva e forma, a carne o que é unido e formado, e a alma o intermediário entre os dois.
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Embora a divisão ternária seja idêntica em todas as tradições, elas não se situam todas no mesmo ponto de vista, e assim que se aborda a parte imaterial do homem começam as discussões, sendo que a tradição cristã reconhece a parte espiritual do ser humano como uma graça santificante e um dom do Espírito Santo que penetra a alma em sua parte superior e assim a espiritualiza.
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Por isso os cristãos habitualmente dividem o homem em duas partes, alma e corpo, fórmula que supõe uma divisão tripartite da própria alma.
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Se os doutores espiritualizam a alma, é para escapar ao perigo de atribuir-lhe uma parte corporal, como havia feito Platão e os gnósticos.
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Santo Agostinho e mesmo são Boaventura supunham à alma um corpo sutil e espiritualizado, doutrina autenticamente tradicional afastada pela Igreja por receio de uma materialização da alma.
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A consequência prática dessa transformação foi que, em vez de espiritualizar a alma, os escolásticos fizeram descer o espírito para a zona psíquica do homem, colocando nela a divisão tripartite, distinguindo uma alma sensitiva, uma alma ativa-passiva referente à vontade e uma alma racional que sente, quer e conhece.
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Os gregos já haviam reconhecido em sua psyché uma alma irracional, uma alma razoável e uma alma espiritual.
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Quanto ao espírito, exerce duas funções: a de intelecto especulativo, que o faz participar da essência da verdade pela contemplação, e a de intelecto prático, que determina as regras das ações boas.
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Os escolásticos jamais abandonam o fio condutor da continuidade e da unidade do eu em sua análise, pois para sentir é preciso padecer ou agir, para agir é preciso conhecer, e o homem inteiro colabora a cada instante para toda a sua vida, suas sensações, suas ações, seu julgamento e seu conhecimento.
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Porque a alma, em sua parte inferior, está ligada ao corpo, ela sofre as paixões, que manifestam cada uma uma faculdade, um apetite, um desejo nascido de uma percepção sensível.
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Os escolásticos distinguem o apetite do concupiscível, o apetite irascível e o apetite razoável do que é bem, que manifesta a faculdade da alma racional, a vontade.
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As diferentes paixões se articulam segundo a divisão ternária dos apetites da alma e se engendram segundo uma ordem determinada, sendo o amor a primeira paixão, a segunda o ódio nascido da recusa do amor, e as demais o desejo do objeto amado ou a aversão do objeto odiado, encerrando o ciclo do concupiscível o prazer e a dor.
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A esperança do bem desejado inicia o irascível, com seu contrário o desespero.
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A esperança engendra a audácia; do desespero nasce o temor; a cólera segue a audácia que quer vencer o obstáculo e termina na alegria ou na tristeza conforme o resultado da luta.
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As paixões não são em si mesmas nem inteiramente boas nem inteiramente más, sendo poderosos motores de que a razão pode se servir, mas podendo degenerar em verdadeiras loucuras, como as definiu a psiquiatria moderna, se escapam ao seu controle.
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Entre as faculdades da alma e os atos do homem se introduzem os princípios interiores de ação, as virtudes para os atos bons e os vícios para os atos maus, sendo ambos habitus, isto é, caracteres permanentes e eficazes cuja segunda natureza durável recobre a primeira natureza.
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Aristóteles deixou a lista das dez principais virtudes morais: força, temperança, liberalidade, magnificência, honra, magnanimidade, mansidão, afabilidade, sinceridade e jovialidade.
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A tradição cristã reteve sete virtudes principais, distinguindo as quatro cardinais, prudência, temperança, força e justiça, e as três teologais, caridade, esperança e fé.
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Os sete vícios principais são, dos que interessam o corpo, gula, luxúria e preguiça, e dos que interessam a alma, inveja, cólera, avareza e soberba; os atos desordenados que deles resultam receberam o nome de pecados.
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Na parte puramente intelectual da alma reconhece-se o intelecto possível, em potência em relação a todas as coisas inteligíveis e cuja aquisição constitui a virtude intelectual, e o intelecto agente, que se manifesta especulativamente nas virtudes de inteligência, ciência e sabedoria, e praticamente nas virtudes de bom conselho, julgamento e prudência.
TERNÁRIO DO SER HUMANO
EM HEBRAICO EM GREGO EM LATIM EM FRANCÊS FACULDADES OPERAÇÕES Bâsâr Soma Corpus Corpo Memória Sensação Lembrança Néfès Psique Anima Alma Vontade Paixão Ação Rûah Nós Spiritus Espírito Inteligência Intuição Julgamento TERNÁRIO DA ALMA
ALMA APETITES PAIXÕES LOUCURAS Sensível Concupiscente Amor-Ódio; Desejo-Aversão; Prazer-Dor Delírio de autoacusação Razoável (Razão) Alegria-Tristeza Mitomania Ativo Irascível Esperança-Desespero; Ousadia-Medo; Raiva Delírio de reivindicação; Hiperemotividade; Loucura erótica; Loucura perversa -
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