CARIDADE PROFANADA IV
JEAN BORELLA. La Charité profanée. Subversion de l’âme chrétienne. Paris: Éditions du Cèdre, 1979.
Quarta parte — A estrutura metafísica da caridade na sua ordem divina
Introdução — A Trindade é o verdadeiro fundamento da caridade
Se tudo que foi dito até aqui nada mais é que um reflexo da caridade in divinis, segue que os temas que destacamos, proximidade, relação, pessoa, ato de amor revelador, devem receber aqui sua completude.
Todavia deve-se observar que a caridade in divinis pode ser vista segunda duas perspectivas: na sua dimensão interna — eis porque se pode dizer que pela porta do amor entrevemos algo do mistério da interioridade divina — e em sua dimensão externa, como amor criador. Consagraremos à estrutura da caridade cósmica uma parte especial. Pois é preciso, se se quer compreender o amor, o apreender em sua raiz suprema, a qual se aprofunda no coração do mistério trinitário.
Mostramos que o amor ao próximo só tem sentido quando é compreendido como acesso ao grau espiritual da proximidade. Quer dizer do amor de um indivíduo que se completa no amor de uma relação. Ao mesmo tempo é preciso admitir que trata-se da realização de um relação preexistente. Sob pena de recair na confusão da caridade triunfalista. Por outro lado, se amar o indivíduo-próximo, é amar uma relação, segue-se que este amor exige sua identificação. Eis o que é requerido, aos termos desta análise, para que possa se realizar o ato de caridade. Ora, esta exigência não parece humanamente realizável. Por um lado se admitirá dificilmente que um indivíduo possa se tornar uma relação. Mas então como o outro se transformará em “próximo”? Por outro lado se admitirá também dificilmente que uma relação, a “proximidade”, seja identificável a um indivíduo. Mas então, como se conceberá que o próximo seja uma pessoa? Tocamos aí à imperfeição do amor do próximo, quer dizer a sua contradição. Reencontramos esta contradição no amor de si e finalmente no amor mesmo de Deus, onde, se ele é permitido de exprimir assim, ela é levada a seu ponto mais alto que é a Cruz, signo de contradição. Assim fazendo, descrevemos as transformações espirituais as quais nos conviria o Mandamento supremo. Assim foram postas as condições das quais depende a verdade da caridade no sujeito humano. Mas outra coisa é de tomar consciência das exigências e dos efeitos da caridade no homem, outra coisa é fundar logicamente a estrutura caritativa da qual nada de humano precisamente não parece poder dar conta. A supor mesmo que todas estas condições fossem realizadas, a caridade permaneceria um belo sono, e finalmente uma ilusão, se, em última análise, sua estrutura se revelasse “impossível”. Eis porque o amor exige um fundamento lógico de sua possibilidade, sem que, por conseguinte, assim como veremos quando tratarmos do Espírito Santo em quem toda necessidade é graça, este fundamento possa jamais constituir uma determinação implicando segundo a interpretação de Nygren, a negação do agape na sua gratuidade essencial. É a doutrina das “relações subsistentes”, elaborado pela teologia escolástica, que pensamos poder encontrar este fundamento, porque ela faz a síntese da pessoa (a subsistência) e da relação.
Um primeiro capítulo nos conduzirá de pronto ao topo da teologia trinitária, nos fornecendo os elementos intelectuais necessários a um conhecimento especulativo do mistério. No segundo capítulo, nos efetuaremos uma primeira abordagem da Pessoa do Espírito Santo, segundo a perspectiva tradicional. Pois, depois de ter proposto, em um terceiro capítulo, uma nova apreensão especulativa do mistério trinitário, efetuaremos uma segunda abordagem da Pessoa do Espírito Santo, que é a chave do Amor eterno. Então, chegado a este topo, apresentaremos, em um quinto e último capítulo, uma síntese de toda a metafísica do Mysterium caritatis.
XII — Teologia da Trindade : Hipóstases e Relações
Introdução
Esta doutrina não tem por finalidade uma interpretação do mistério da Santa Trindade. Ela se esforça simplesmente de fornecer deste mistério a formulação conceitual menos inadequada, ou ainda exprimir o que somos capazes de conceber do Mistério da Santa Trindade. Ela corresponde portanto à mais alta e última possibilidade de concepção, além da qual não há mais que intelecção apofática, o conhecimento que sobrepassa todo conhecimento. A doutrina, teologicamente certa, das relações subsistentes, é encarregada de exprimir a distinção real das Pessoas e sua identidade comum à Essência divina.
Seção I A noção de hipóstase
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Nos gregos
A expressão de “relação subsistente” é composta de dois termo: relação e subsistência (do latim subsistentia). Devemos portanto explicar cada um deles. Ver-se-á melhor então a importância do que podemos denominar “a coroa especulativa do Ocidente cristão”. Começaremos pelo termo subsistência.
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Nos latinos
Seção II A noção de relação subsistente
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As pessoas divinas são relações subsistentes
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Análise filosófica da relação
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As relações subsistentes em Deus
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As hipóstases trinitárias são relações subsistentes
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Identidade e distinção em Deus do Absoluto e do relativo
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As relações subsistentes na tradição
XIII — A processão do Espírito Santo
Introdução
Seção I Processões e relações
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Do Pai pelo Filho
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A espiração passiva
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Não-contradição dos gregos e dos latinos
Seção II O "mistério" do Espírito Santo
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Significação apofática do “Filioque”
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Toda processão depende do Espírito Santo
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O Espírito Santo resume a Trindade
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O Espírito Santo
XIV — As funções trinitárias das hipóstases
Introdução — Um novo ponto de vista
Seção I A função do Verbo como relação prototípica, na Escritura
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O Verbo, relação do criado ao Incriado
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O Verbo, relação de Deus a Deus
Seção II Retrospectiva: Como o mistério trinitário funda a caridade
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Fundamento lógico e fundamento real
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A Trindade é o fundamento real de todo amor
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Todo amor participa do amor trinitário
Seção III O Verbo como fundamento da relação de proximidade
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O Verbo como fundamento lógico
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A hipóstase do Verbo é o fundamento real da relação de proximidade
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O amor do próximo é quase sacramental
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O próximo é o Cristo porque o Cristo é o Próximo
XV — A função hipostática e a função maternal do Espírito Santo
Introdução
Seção I Fundamentos escriturários da função hipostática
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Função hipostática no homem
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Função hipostática em Deus
Seção II Os fundamento teológicos da função hipostática
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A pessoa é inominável
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A pessoa se manifesta como vontade
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A Pessoa do Espírito Santo é uma imagem sem imagem
Seção III A maternidade hipostática do Espírito Santo
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Aspectos teológicos
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Seus fundamentos na Escritura e na Tradição
XVI — Síntese metafísica do "mysterium caritatis"
Introdução
Seção I O amor natural
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O “eros”
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A “philia”
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A caridade natural
Seção II O Amor sobrenatural
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Os três graus do amor sagrado
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A imperfeição radical do amor criado
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O amor criado depende livremente de seu fundamento
Seção III O Amor "in divinis"
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Em Deus, três amores que só fazem Um
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O Espírito Santo procede do Amor comum do Pai e do Filho como o único peso de amor que o Os move do interior a se amar Um ao Outro
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O Amor hipostático, só, revela o Amor essencial
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É somente “na unidade” do Espírito santo que a Essência divina pode entrar em relação com Ela mesma
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Identidade e Alteridade em Deus
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Assunção de de todos os amores humanos no Amor divino
Seção IV O Espírito Santo como fundamento da caridade
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Como o eros caritativo se une ao Espírito Santo que dele é o fundamento
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Como a pessoa caritativa se une ao Espírito Santo que dele é o fundamento
