borella:causalidade-semantica
PROBLEMÁTICA DA CAUSALIDADE SEMÂNTICA
BORELLA, Jean. La crise du symbolisme religieux. Lausanne: L’Age d’Homme, 1990.
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A observação de C. Lévi-Straus sobre o rito xamânico Cuna, segundo a qual a inexistência de correspondência objetiva da mitologia não importa porque a doente e sua sociedade acreditam nela, é tomada como expressão de um entendimento ocidental que reduz a eficácia ritual a um placebo sociocultural, recusando porém o que se designa como causalidade simbólica ou semântica, isto é, a eficácia do conteúdo inteligível do signo que produz saúde por significá-la mediante analogia e parentesco semântico entre signos e coisas.
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Rito xamânico Cuna associado ao auxílio ao parto.
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Referência a C. Lévi-Straus e à fórmula sobre crença individual e social.
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Interpretação ocidental como auto-sugestão coletiva e placebo sociocultural.
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Introdução da noção de causalidade simbólica ou causalidade semântica.
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Eficácia do conteúdo inteligível do signo como causa.
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Saúde causada por significação direta ou indireta.
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Fundamento em analogia e parentesco de natureza semântica.
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Âmbito de aplicação: ritos sagrados, astrologia, operações alquímicas.
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Ação primária por similitudes inteligíveis e relações semânticas de expressão.
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Exemplo cristão: sacramentos que produzem o que significam.
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Participação real da forma simbólica no ser do referente e comunicação de sua virtude.
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Retomada posterior anunciada: Johann Kepler e causalidade semântica.
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Questionamento da causalidade semântica como questionamento do simbolismo sacro.
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Neutralização onto-cosmológica do símbolo como consequência.
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A neutralização do símbolo não envolve apenas filósofos ateus, pois pensadores cristãos como Antoine Vergote afirmam que quem ouve o discurso originário do mito já não crê nele em sentido próprio e que a época mítica passou, o que torna a posição cristã mais delicada ao rejeitar a causalidade semântica sem destruir a própria forma simbólica da religião e sem perder a fé na Revelação e em sua eficácia signitiva.
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Participação de pensadores cristãos na neutralização.
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Citação de Antoine Vergote sobre impossibilidade de retornar à luz originária do mito.
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Diferença de delicadeza entre filósofo ateu e pensador cristão.
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Rejeição da causalidade semântica como problema específico para o crente.
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Religião apresentada sob forma simbólica implicando eficácia de signos.
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Tensão entre crer no conteúdo da Revelação e rejeitar o modo simbólico de expressão.
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Necessidade de hermenêutica como possibilidade.
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Risco de perda total do núcleo religioso sob interpretação.
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Referência a Johann Kepler e ao temor de “jogar a criança com a água do banho”.
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Dificuldade de separar, no revelado, figuração e expressão própria.
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Instabilidade da fronteira segundo os hermeneutas.
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Enredamento das questões como quase inextricável.
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A interrogação inicial busca explicar por que C. Lévis-Straus e A. Vergote não creem no que o mito afirma, atribuindo-se a recusa à ontologia de referência deles, o que abre duas objeções relativas à implicação ontológica do discurso religioso e à aceitabilidade científica da ontologia que o mito parece supor.
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Pergunta sobre a incredulidade diante do mito.
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Resposta por ontologia de referência como motivo.
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Objeção 1: o discurso religioso implica de fato tal ontologia.
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Objeção 2: tal ontologia é cientificamente inaceitável.
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A resposta sobre a aceitabilidade científica da ontologia mítica é adiada, afirmando-se apenas que a ciência contemporânea pode em certos aspectos reabilitar um cosmos simbólico, enquanto a física galileana se opõe absolutamente a ele e continua a prevalecer como modelo geral de realidade, gerando incompatibilidade com o cosmos da revelação judaico-cristã e produzindo coexistência apenas ao preço de esquizoide cultural.
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Reserva de resposta para obra futura.
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Ciência contemporânea podendo redar sentido ao cosmos simbólico em certos aspectos.
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Física galileana como oposição absoluta ao simbolismo cósmico.
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Persistência do modelo galileano na maioria dos espíritos.
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Inadequação atual como representação dos fenômenos materiais sem perda de hegemonia cultural.
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Contradição direta com o cosmos da revelação judaico-cristã.
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Coexistência mental apenas sob esquizoide cultural.
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Permanece a questão da solidariedade entre discurso religioso e ontologia de referência, propondo-se dissociação como possível nascimento da consciência do símbolo, pela qual enunciado religioso diz outro sentido além do aparente e, conforme Ricœur, visa sentido segundo através de sentido primeiro, levando à tese de que consciência simbólica nasce com o fim da inconsciência mítica e à redefinição de mito como incapacidade de dissociar palavras e coisas.
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Interrogação sobre dissociar discurso e ontologia.
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Dissociação como ato de nascimento da consciência do símbolo.
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Enunciado religioso como dizer outro além do que parece afirmar.
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Referência a Ricœur e à estrutura de sentido primeiro e sentido segundo.
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Consciência simbólica ligada à perda da inconsciência mítica.
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Uso do termo mito para pensamento incapaz de perceber simbolicidade.
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Incapacidade de dissociar palavras e coisas designadas.
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Essa posição é atribuída a numerosos exegetas contemporâneos, em especial a Bultmann, para quem concepções mitológicas podem funcionar como símbolos ou imagens necessárias ao idioma religioso e à fé cristã, mas enunciados sobre ação divina em forma cultual só são legítimos se entendidos em sentido puramente simbólico, sendo ainda afirmado que o mito representa o Transcendente como realidade distante no espaço e sua potência como intensificação do poder humano, o que conduz a elogio da demitologização exigida pela ciência moderna.
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Convicção ampla entre exegetas contemporâneos.
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Referência central: Bultmann.
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Mito como símbolo ou imagem útil ao idioma religioso.
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Condição de legitimidade: entendimento puramente simbólico de certos enunciados cultuais.
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Ação divina descrita como atividade cultual com vítima sacrificial.
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Definição do mito como espacialização do Transcendente.
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Potência divina representada como intensificação do poder humano.
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Demitologização apresentada como exigência benéfica da ciência moderna.
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Um teólogo católico de orientação tomista afirma que o desenvolvimento da cosmologia exige céu demitologizado, cessando de ser morada dos deuses, e que nada é mais demitologizante que o monoteísmo com Deus não localizado no espaço, concluindo que a obra de Galilée é profundamente cristã.
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Referência a teólogo católico tomista.
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Cosmologia dependente de demitologização do céu.
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Céu deixando de ser morada de deuses.
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Monoteísmo como força demitologizante.
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Deus não habitando parte do espaço cósmico.
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Galilée apresentado como profundamente cristão.
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A situação do simbolismo sacro parece favorecida no Ocidente ao ser libertada do coisismo e do realismo ingênuo por uma ciência que permitiria ao símbolo exprimir a verdade revelada, mas a demitologização não encerra a questão porque depende das intenções dos textos sagrados e das mitologias e porque não é certo que o mito localize o divino no espaço contra sua intenção, sobretudo quando há contestação antiga do mito no racionalismo grego e na fé cristã, como mostra Jean Pépin em Mythe et Allégorie.
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Aparente melhora do simbolismo sacro em contexto ocidental.
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Libertação de coisismo e realismo ingênuo.
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Pretensão de expressão adequada da verdade revelada.
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Insuficiência da via da demitologização.
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Dependência das intenções verdadeiras dos textos e mitologias.
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Dúvida sobre contrariedade entre intenção mítica e espacialização do divino.
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Possibilidade de regime de inconsciência simbólica não total.
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Contestação antiga do mito: racionalismo grego e fé cristã.
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Referência a Jean Pépin e ao estudo Mythe et Allégorie.
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Consciência simbólica anterior à ciência galileana.
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Noção de alegoria como testemunho.
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Além disso, textos sagrados podem distinguir entre o mítico e o histórico, o que é incontestável no Nouveau Testament pela noção de parabole e confirmado pela distinção medieval entre alegoria in verbis e alegoria in verbis et in factis, amplamente atestada por comentadores.
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Textos sagrados distinguindo mito e história.
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Referência ao Nouveau Testament e à noção de parabole.
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Distinção medieval de dois tipos de alegoria.
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Allegoria in verbis.
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Allegoria in verbis et in factis.
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Atestação por quase todos os comentadores.
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Essa distinção complica a questão porque exige traçar critério para a linha entre allegoria in verbis e allegoria in factis, critério que varia entre Augustin e Bultmann apesar de ambos serem cristãos, sendo a diferença atribuída às ontologias de referência, pois o que é factual para Augustin torna-se simbólico para Bultmann por contrariar o fisicamente possível segundo seu horizonte.
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Necessidade de critério demarcatório.
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Divergência entre Augustin e Bultmann.
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Ambos identificados como cristãos.
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Ontologias de referência como causa da divergência.
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Factualidade em Augustin.
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Simbolicidade em Bultmann por impossibilidade física.
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A física galileana é apresentada como elemento em jogo na questão do simbolismo, mas essa constatação parece trivial e conduz à proposta de deslocar para o regime simbólico o que antes era histórico, reconhecendo-se porém a persistência de cristãos ligados à historicidade e de muitos que evitam o tema, sem que isso altere a dinâmica pela qual o galileísmo suprime o referente ontológico do símbolo mas torna possível sua verdadeira consciência.
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Física galileana como núcleo do conflito.
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Percepção generalizada desse vínculo.
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Consequência hermenêutica: tornar simbólico o que era histórico.
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Persistência de adesão à historicidade judaico-cristã em certos cristãos.
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Preferência de muitos por não enfrentar a questão.
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Tempo necessário para assimilar consequência amarga.
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Galileísmo como desaparecimento do referente ontológico.
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Nascimento da crítica e da consciência do símbolo como efeito tardio.
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A hermenêutica de texto sagrado não se reduz a bipartição entre passagens factuais e passagens alegóricas, exigindo coluna intermediária para enunciados simultaneamente históricos e simbólicos que relatam fatos sagrados, como a narrativa bíblica do sacrifício de Abraham à ressurreição e ascensão do Christ, segundo convicção das hermenêuticas judaica, cristã e islâmica que superpõem sentido histórico e simbólico em hierarquia vertical.
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Crítica à contabilidade hermenêutica em parte dupla.
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Necessidade de coluna intermediária.
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Passagens históricas e simbólicas ao mesmo tempo.
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Fatos sagrados como categoria.
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Exemplos: sacrifício de Abraham; ressurreição e ascensão do Christ.
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Tradições citadas: hermenêutica judaica, cristã e islâmica.
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Superposição vertical e hierárquica de sentidos.
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A primazia da coluna intermediária implica que em Escritura sagrada não há sentido puramente factual nem puramente simbólico, pois a significação simbólica funda e fixa a realidade dos fatos históricos sem volatilizá-la, e toda expressão simbólica apoia-se na relação ontológica entre o signifiant corpóreo e a realidade expressa, sendo a hermenêutica o cumprimento interno do fato e da história e não um acréscimo exterior.
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Coluna intermediária como essencial.
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Negação de sentido puramente factual ou histórico.
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Crítica aos exegetas mesmo favoráveis ao simbolismo.
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Relação simbólica como fundamento e fixação do histórico.
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Fato sagrado aberto à significação simbólica.
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Hermenêutica como desdobramento interno, não sobreposição externa.
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Negação de sentido puramente simbólico desligado do signifiant efetivo.
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Relação ontológica do signifiant corpóreo como base do simbólico.
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A física galileana torna impossíveis tanto a abertura do histórico ao simbólico quanto a inserção do corpóreo no inteligível, pois o símbolo constitui ordem de realidade sui generis como lugar de troca entre sensível e inteligível e exige cosmos compatível, ao passo que o mundo galileano reduz o corpóreo à espacialidade e o inteligível à racionalidade matemática, esvaziando o aqui-baixo de qualidades e reduzindo o céu inteligível à pensamento humana, em correlação com o dualismo cartésien e com o desenvolvimento humanista em Locke e Hume.
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Dois tipos de relação inviabilizados: histórico aberto ao simbólico; simbólico ligado ao signifiant corpóreo.
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Símbolo como ordem sui generis e autônoma.
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Lugar de troca entre sensível e inteligível.
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Athanor universal de transformação comum.
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Necessidade de cosmos compatível com essa alquimia.
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Mundo galileano: corpóreo como pura espacialidade.
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Mundo galileano: inteligível como pura racionalidade matemática.
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Esvaziamento qualitativo do mundo sensível.
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Céu inteligível reduzido à pensamento humana.
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Referências: dualismo cartésien de alma e corpo.
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Referência: Descartes e a presença do céu divino na substância da alma.
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Referências: Locke e Hume no desenvolvimento humanista.
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Mesmo no plano do aqui-baixo, a revolução galileana não apenas torna impossíveis certos fenômenos atestados pela Escritura Santa como dissolve o próprio quadro cosmológico como totalidade finita de existentes corpóreos, excluindo a possibilidade de cosmologia cuja explicitação dependerá de Kant na Dialectique de la raison pure e na decisão crítica das antinomias cosmológicas.
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Revolução galileana e impossibilidade de fenômenos escriturísticos.
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Transformação e desaparecimento do quadro geral do universo.
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Totalidade finita dos existentes corpóreos como noção perdida.
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Exclusão da possibilidade de cosmologia.
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Referência: Kant.
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Dialectique de la raison pure.
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Resolução das antinomias cosmológicas.
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Décision critique do conflito cosmológico da razão consigo mesma.
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