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CIÊNCIA NÃO SABIA
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As fissuras inerentes a todas as ciências modernas da natureza procedem da tendência a prescindir da existência do sujeito humano, que é o espelho no qual o fenômeno do mundo se revela e a única garantia da constante lógica do mundo.
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A referência de toda observação a fórmulas matemáticas permite fazer abstração do sujeito cognoscente, comportando-se como se existisse apenas uma realidade objetiva.
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O conhecimento objetivo do mundo prescinde de impressões subjetivas, mas pressupõe no sujeito individual um fundo imparcial que transcende o eu: o espírito puro.
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A ciência agnóstica, ao proclamar um ordem exclusivamente objetivo, afirma indireta e inconscientemente a unidade subjacente no espírito.
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Na visão científica moderna, o sujeito humano completo é substituído artificialmente pelo pensamento matemático, que exclui toda visão do mundo que não se adeque a ele, eliminando as qualidades puras e a integridade das imagens em favor de esquemas conceituais quantitativos.
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O progresso da ciência natural é visto como um afastamento do subjetivo em direção ao que existe independentemente da mente, despojando-se da síntese de impressões em uma imagem.
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A fórmula matemática, por admitir máxima generalização e controle quantitativo, é considerada de valor cognitivo, enquanto os aspectos qualitativos das coisas são tidos como irreais ou subjetivos.
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Para a cosmologia tradicional, as qualidades puras representam os indícios mais claros das realidades cósmicas que transcendem o plano quantitativo.
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O processo de filtrar a realidade pelo crivo matemático rejeita não só as qualidades secundárias, mas principalmente a “forma” essencial das coisas, que a ciência moderna considera um conceito não passível de intuição, enquanto para a tradição ela é evidente na manifestação das formas e captada pela penetração espiritual.
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A “forma” essencial, ou o selo qualitativo da unidade de uma criatura, não pode ser descoberta por investigação laboriosa por não ser quantitativamente mensurável.
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A penetração espiritual capta a forma apoiando-se espontaneamente na percepção sensível e na imaginação.
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O intelecto humano, embora limitado, capta verdades que subsistem independentemente do indivíduo, expressando uma lei supra-individual, comparável à relação entre um reflexo e sua fonte luminosa (o espírito puro, intellectus agens).
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O verdadeiro conhecimento cosmológico baseia-se nos aspectos qualitativos das coisas, as “formas” como traços da essência, captando-as imediatamente e extraindo sua realidade universalmente válida, que se manifesta simultaneamente em diferentes planos existenciais, revelando a unidade intrínseca do cosmos.
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O sucesso técnico, principal argumento a favor da ciência moderna, é um critério de verdade duvidoso, pois uma teoria pode captar a realidade na medida requerida pela aplicação técnica e ignorar sua verdadeira essência, resultando numa dominação pouco sábia da natureza com consequências nocivas.
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As consequências de uma dominação pouco sábia manifestam-se primeiro na vida humana mecanizada e depois no reino vivente, podendo ameaçar as bases da vida terrena.
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A ciência moderna é responsável por essa evolução devido à sua unilateralidade e à negação sistemática das dimensões não puramente físicas da realidade.
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A concepção puramente matemática omite a continuidade e o equilíbrio do tecido da natureza, que são mais reais e preciosos que o descontínuo.
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A concepção do espaço como um completo vazio, adotada pela física moderna para permitir representações matematicamente puras, é uma abstração contrária à lógica e à intuição, pois um ponto físico suspenso no nada não teria relação com outro.
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A cosmologia tradicional considera o espaço uniformemente cheio de éter, o “quinto elemento”, fundamento contínuo de todos os modos de ser materiais, que não se opõe a coisa alguma.
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A aceitação do éter poderia resolver a contradição entre as interpretações ondulatória e corpuscular da luz, pois a luz, em relação direta com o éter, participaria de sua natureza de contínuo indiferenciado.
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O experimento de Michelson sobre a invariabilidade da velocidade da luz levou Einstein a considerar espaço e tempo como magnitudes relativas e a velocidade da luz como única constante, o que parece plausível, mas levanta questões sobre a possibilidade de um movimento ser a medida absoluta das condições físicas.
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A velocidade da luz, expressa como uma relação entre espaço e tempo (300.000 km/s), não pode ser a medida absoluta dessas duas condições.
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A teoria assume que o universo físico se conforma a fórmulas matemáticas baseadas em axiomas inatos, enquanto espaço e tempo variariam com o observador.
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A confiança na invariabilidade da natureza da luz e da matéria em todo o cosmos contrasta com a desconfiança matemática em relação aos conceitos diretamente dados de espaço e tempo.
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A possibilidade de a velocidade da luz não ser universalmente constante, mas variar segundo a esfera cósmica, invalidaria a teoria da relatividade, pois o único ponto fixo da teoria ruiria.
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A teoria do espaço não euclidiano, que reflui sobre si mesmo, pode ser vista como uma expressão da indefinitude do espaço total, mas os físicos modernos a tratam como uma concepção retificada e acessível à imaginação, o que não é verdade, pois baseia-se numa confusão entre espacialidade real e especulação matemática não representável espacialmente.
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O esquematismo matemático concebe a matéria como algo descontínuo (átomos e corpúsculos isolados), em contradição com a representação contínua (luz), gerando um impasse, enquanto a doutrina tradicional da matéria a vê como procedente da materia prima por diferenciação sucessiva, através da ação do espírito criador.
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A materia prima, indiferenciada, está na base de todas as condições, e a matéria do mundo corpóreo (materia signata quantitate) é o que ainda não foi plasmado, indefinível.
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O mundo discernível desenvolve-se entre dois polos que escapam ao conhecimento distintivo: a essência plasmadora e a matéria indiferenciada, como o espectro de cores entre a luz branca e o meio incolor.
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A ciência moderna, ao buscar uma explicação última da natureza na estrutura intrínseca da matéria física, fracassa porque a redução da qualidade à quantidade jamais poderá compreender a qualidade, agindo como quem apaga todas as luzes para escrutar a natureza das trevas.
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A “forma” de uma coisa, seu aspecto qualitativo, é como uma luz que permite conhecer sua essência.
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A exclusão progressiva das características qualitativas em favor de definições matemáticas leva a física nuclear a substituir a lógica por estatísticas e probabilidades, adentrando a zona do caos, onde a indeterminação e a desproporção entre causa e efeito são características.
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As teorias modernas sobre a origem do mundo são absurdas não por sua formulação matemática, mas pela ingenuidade de seus autores ao se constituírem testemunhas imparciais do fenômeno cósmico, sendo o espírito humano, produto desse fenômeno, incapaz de ser seu juiz.
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Se o espírito humano é apenas um produto do fenômeno cósmico, não há garantia para a verdade de suas afirmações sobre a origem desse fenômeno.
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O dualismo cartesiano, ao separar espírito e matéria, preparou as mentes para prescindir de tudo o que não fosse natureza física, ignorando que o homem demonstra múltiplos modos ou graus de existência.
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O homem antigo e medieval, apesar de uma concepção errônea das relações físicas do universo, era consciente de que o mundo corporal não representa toda a realidade, estando circundado e penetrado por realidades mais amplas contidas no Espírito.
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O homem moderno, com seu conhecimento das imensidões astronômicas e das forças atômicas, vive como se o desenvolvimento normal da natureza lhe estivesse assegurado, sem reconhecer no céu signos divinos, substituindo a visão profunda por uma desorientação ante abismos sem comum medida com sua pessoa.
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Nada o recorda que o cosmos inteiro está contido nele, não em seu ser individual, mas no espírito que está nele e que é mais que ele e que todo o universo fenomênico.
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