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HOMEM UNIVERSAL
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O Ato divino, sendo uno, tem um único objeto e, do ponto de vista divino, a criação é una e resumida em um protótipo único (al-Unmûdaŷ al-farîd), no qual se refletem todas as Qualidades ou relações (nisab) divinas sem confusão nem separação, enquanto do ponto de vista da criação o universo aparece como múltiplo por ser concebido como “outro que Deus”.
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O Corão (XXXVI, 11) menciona o protótipo evidente (imâm).
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A multiplicidade decorre da perspectiva relativa da criatura.
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O protótipo diferencia-se em polarizações sucessivas.
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Cada polo possui sua perfeição própria.
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O macrocosmo manifesta Deus enquanto “O Exterior” (al-Zâhir) e é perfeito por englobar todos os seres e expressar estabilidade e potência, ao passo que o microcosmo corresponde a “O Interior” (al-Bâtin) e é perfeito por sua natureza central.
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O Corão (LXXIX, 26) evoca a força da criação celeste.
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O macrocosmo exprime abrangência e força.
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O microcosmo exprime centralidade e interioridade.
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Em relação à Essência una, o universo é como um único ser, pois toda percepção pressupõe a Unidade essencial, ainda que a natureza do mundo seja dualidade e descontinuidade, de modo que ver o mundo é não ver a Essência e contemplar a Essência é não ver o mundo.
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A realidade do universo coincide com sua visão.
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A Unidade está presente em sujeito e objeto.
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A dualidade caracteriza a condição manifestada.
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A contemplação da Essência exclui a visão do mundo.
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Entre os seres, apenas o homem possui visão intelectual virtualmente total, pois, embora perceba imediatamente o mundo corporal, concebe através dele as formas sutis e as essências espirituais, sendo microcosmo que reflete o macrocosmo e vice-versa.
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O homem conhece o macrocosmo.
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Todas as possibilidades do mundo estão principialmente contidas nele.
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O Corão (II, 31) menciona que Deus ensinou a Adão todos os nomes.
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Homem e universo são como dois espelhos recíprocos.
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Cada microcosmo é centro a seu modo, mas no homem a polarização subjetiva do Espírito atinge culminação, enquanto os reinos animal, vegetal e mineral apresentam graus crescentes de predominância da espécie sobre o indivíduo.
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O Corão (XLV, 12) afirma a submissão dos céus e da terra ao homem.
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Microcosmos não humanos participam mais da percepção macrocósmica.
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Nos minerais, espécie e indivíduo quase coincidem.
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Em cada polarização do Protótipo único, os termos opostos contêm implicitamente seus complementares, como a espécie nos indivíduos e o indivíduo na espécie, o homem na mulher e a mulher no homem, conforme o Corão (IV, 1).
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A criação procede de uma única alma (nafs wâhida).
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O macrocosmo contém o homem.
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O homem conhece o mundo porque suas possibilidades estão nele virtualmente.
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O adágio sufí afirma: o universo é um grande homem e o homem um pequeno universo.
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Ambos são formas do Espírito universal (al-Rûh).
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O homem é o compêndio qualitativo do livro cósmico e, segundo o dito profético de que “Deus criou Adão em Sua forma”, sua natureza primordial sintetiza simbolicamente as essências divinas imanentes ao mundo.
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A forma humana é conhecida e delimitada.
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O macrocosmo é indefinidamente aberto.
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A forma humana exprime qualidades universais.
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No homem comum essa universalidade permanece virtual, mas atualiza-se naquele que realiza plenamente as Verdades universais e se identifica com o Homem perfeito ou universal (al-Insân al-kâmil).
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A forma exterior permanece humana.
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Interiormente identifica-se com a totalidade do universo.
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Todas as formas e estados lhe pertencem virtualmente.
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O nome “Homem universal” designa tanto os que realizaram a Identidade suprema — como Profetas e polos espirituais — quanto a síntese permanente de todos os estados do Ser, coincidente com o protótipo único mencionado pelo Corão.
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Os grandes mediadores identificam-se com o Espírito divino.
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O protótipo integra todas as relações (nisab) divinas.
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A multiplicidade é apenas perspectiva da criatura.
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O protótipo é o objeto único do Ato divino.
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Ao Homem universal aplicam-se esotericamente os epítetos do Profeta: “Glorificado” (Muhammad), “servidor” (‘abd), “enviado” (rasûl), “iletrado” (ummi) e “amado” (habîb), por sintetizar o resplendor divino, ser plenamente passivo diante de Deus, emanar do Espírito, receber ciência imediata e ser o amado universal.
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Muhammad exprime síntese do resplendor divino.
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‘Abd indica passividade perfeita perante Deus.
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Rasûl designa emanação espiritual direta.
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Ummi indica conhecimento sem mediação criada.
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Habîb exprime relação suprema de amor.
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