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NOME DE JESUS
CANTEINS, Jean. Mystères et symboles christiques. Paris: Rocher, 1996
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A tradição cristã ocidental adotou o monograma IHS de três letras para representar o nome de Jesus, distinguindo-se do monograma oriental IC-XC, formado pelas letras iniciais e terminais de Iesous Christos.
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O monograma IHS é a forma ocidental do nome de Jesus.
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O monograma oriental IC-XC é composto pelas iniciais e terminais gregas de Iesous Christos.
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O monograma IHS coloca diversas questões para a arqueologia cristã que dificilmente podem ser resolvidas no estado atual do conhecimento, e o capítulo se propõe a examinar suas três componentes.
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As questões levantadas pelo monograma IHS permanecem sem solução plena.
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O exame incide sobre as três letras que compõem o monograma.
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A paternidade do monograma IHS não pode ser atribuída a Bernardino de Sena, pois os dados históricos situam sua atividade religiosa entre 1380 e 1440, época posterior aos monumentos cristãos onde o monograma já figura.
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Bernardino de Sena viveu no século XV.
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Os monumentos com o monograma são anteriores à atividade do franciscano.
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Os exemplos citados no Dictionnaire d'archeologie chretienne et de liturgie, como as estelas discoïdais do País Basco, são testemunhos tardios, datados dos séculos XVI e XVII, relevantes apenas para o estudo das variantes gráficas do monograma.
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As estelas bascas, embora chamadas antigas, datam dos séculos XVI e XVII.
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Seu interesse restringe-se às variantes gráficas do monograma, tratadas nas planches 1 a 10.
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A pintura de Mantegna, datada de 1452 e conservada no museu Antoniano de Pádua, associa o monograma IHS a Antônio de Pádua e Bernardino de Sena ajoelhados, o que indica que Bernardino não detinha a primazia nem a exclusividade da adoração do Nome de Jesus.
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A pintura decorava a luneta sobre a porta principal da basílica do Santo em Pádua.
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De parte e outra do monograma central, do qual irradiam doze chamas, figuram os dois franciscanos em atitude de orante.
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A presença de Antônio de Pádua, que viveu entre 1195 e 1231, antecede largamente a época de Bernardino.
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A frase latina que envolve o monograma na pintura de Mantegna retoma a sentença de Paulo aos Filipenses (II.9-11), ela mesma derivada de Isaías XLV.23, segundo a qual todo joelho se dobra diante do nome de Jesus no céu, na terra e nos infernos.
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A passagem paulina afirma que Deus exaltou Jesus e lhe conferiu o nome acima de todo nome.
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A frase latina do monograma é: In nomine Iesu omne genu flectatur celestium terrestrium et infernorum.
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Embora a tradição seja silenciosa quanto à posição de Antônio de Pádua sobre o culto do Nome, Bernardino de Sena afirmou em seus sermões que o Nome de Jesus é tão digno de louvor quanto o próprio Deus e que tudo o que Deus criou para a salvação do mundo está oculto nesse Nome, tendo assim catalisado uma atitude de prece em torno de um monograma que lhe preexistia.
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Bernardino identificou o monograma preexistente ao seu culto do Nome.
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As provas dessa preexistência procedem da arte pré-românica e românica.
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Antes do ano mil, três manuscritos da segunda metade do século VIII testemunham o uso do monograma: o Sacramentaire de Gellone, o Psautier de Montpellier e o Evangeliaire de Charlemagne, chamado Evangeliaire de Godescalc.
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No Sacramentaire, a inscrição IHS XPS ocupa o topo da cruz crística.
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No Psautier, uma representação de Cristo em majestade é emoldurada pelas mesmas seis letras dispostas verticalmente, com H e P distinguidos por diferença de cor.
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No Evangeliaire de Godescalc, Cristo em majestade aparece ladeado pelas letras IHS-XPS em maiúsculas douradas.
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Para a arte românica, dois testemunhos confirmam a preexistência do monograma: um crucifixo em marfim executado por Fernando o Grande e a rainha Sancha (1017-1065), conservado no Museu Arqueológico Nacional de Madri, onde se lê IHC NAZARENVS REX IVDEORV[M]; e um alto-relevo de Benedetto Antelami, datado de 1178, no transepto sul da catedral de Parma, onde a inscrição IHVS NAZA… RENVS… REX IVD… figura no braço horizontal da cruz.
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No crucifixo de Fernando e Sancha, a inscrição está gravada acima da cabeça de Cristo.
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No relevo de Antelami, o primeiro vocábulo da inscrição é o próprio monograma de Jesus.
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A origem do IHS dificilmente pode ser recuada além da época carolíngia, quando o cristianismo se consolidou no Ocidente em vias de institucionalização, e o monograma, cujos autor e data jamais serão conhecidos, sobreviveu intacto às vicissitudes dos tempos.
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O gosto carolíngio pelos monogramas, manifesto na ourivesaria e na caligrafia, favoreceu o contexto de surgimento do IHS.
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O monograma permanece como forma perene, muito venerado antes de ser gradualmente abandonado.
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O monograma IHS coloca um problema linguístico de ordem dupla: se derivado do latim IESUS, a letra mediana H é inexplicável por estar ausente do nome; se derivado do grego IHCOYC, a letra S final, equivalente latino do Sigma grego, é igualmente injustificada.
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A letra I corresponde à inicial e S à terminal do nome latino IESUS.
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No grego IHCOYC, I e H correspondem às duas primeiras letras, mas S é uma letra latina equivalente ao Sigma.
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Na ausência de resposta satisfatória a partir dos dados isolados de cada língua, a solução consiste em reconhecer que IHS é a transcrição abreviada do nome grego IHCOYC, onde o S latino foi preferido e substituído à letra grega correspondente por rejeição do grego e por busca de maior legibilidade.
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O uso de IHS-XPS para designar Cristo está atestado desde o século VIII.
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A mesma concessão gráfica admitida para XPS justifica a mesma operação em IHS.
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A manipulação linguística foi aceita sem resistência em razão da veneração devocional do monograma.
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A ambiguidade do monograma decorre da presença de letras comuns ao grego e ao latim (H, X, P), que partilham a mesma grafia mas não a mesma representação fonética, o que abriu espaço para significações incidentais diversas.
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As letras H, X e P têm grafias idênticas nas duas línguas, mas valores fonéticos distintos.
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Esse equívoco literal propiciou o enxerto de sentidos derivados sobre o monograma.
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O nome de Jesus nas duas principais línguas semíticas apresenta variações desconcertantes que se ocultam na transliteração para o grego e o latim: em hebraico, a forma breve triliteral YShV (Yeshu) gera as formas grega Iesous e latina Iesus, enquanto a forma longa quadriliteral YShV' (YeShu'a) tem como raiz YSh', cujo sentido de salvar/salvação é semanticamente relevante para Jesus.
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O hebraico Yeshu'a encontra correspondência no árabe 'Isa, ambos partilhando a letra 'Ayn, específica das línguas semíticas.
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A letra 'Ayn aparece em posição terminal em YeShu'a e em posição inicial em 'Isa.
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A passagem da forma bissílaba Yeshu à trissílaba YeShu'a se deu pela adição do 'Ayn.
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O árabe 'Isa é quadriliteral ('YSY) mas apenas bissílabo, com os dois Yâ funcionando como matres lectionis; além disso, 'Isa se escreve sem Vâv, o que implica a ausência do fonema U, específico do Nome de Jesus nas três outras línguas, e sua raiz 'YS não é significativa, sugerindo uma filiação artificial ao hebraico.
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Para o mundo árabe, Jesus é um nome estrangeiro ao qual o árabe conferiu morfologia anormal.
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A pronúncia aramaica e as deformações dos transmissores orais e dos escribas contribuíram para o resultado.
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O exame comparativo torna YeShu'a um nome à parte, cuja particularidade é acentuada pela dupla estrutura quadriliteral e trissílaba, a mesma que caracteriza o Tetragramaton, embora identificar ou equiparar o Nome de Jesus ao Nome de Deus (YHVH ou ALLaH) seja inaceitável tanto para um judeu cabalista quanto para um sufista.
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A dupla condição quadriliteral e trissílaba caracteriza igualmente o Tetragramaton.
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As implicações incarnacionistas de tal aproximação são formalmente condenáveis pelas respectivas tradições judaica e islâmica.
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A iniciativa de aproximar o Nome de Jesus ao Tetragramaton partiu dos cabalistas cristãos, e Reuchlin argumenta, em De arte cabbalistica, que os verdadeiros cristãos podem fazer com o Nome pronunciável de Jesus o que os cabalistas fazem com o Nome inefável, afirmando que eles pronunciam o Tetragramaton de modo mais justo no Nome YHSHVH, o verdadeiro Messias.
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A referência correta à obra de Reuchlin é De arte cabbalistica, lib. III, p. LXXVIII verso ou p. 268 da edição fac-símile de 1964.
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Reuchlin considera que o Nome de Jesus é mais eficaz que o Nome YHVH.
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Jacob Boehme sistematizou a tese ortografando o Nome de Jesus como IESHOUA, sequência das vogais latinas na ordem IEOUA acrescida do Shin hebraico, extraindo desse nome híbrido especulações engenhosas no Mysterium magnum (parágrafos 49 e seguintes).
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Quem não se interessa pelo sincretismo linguístico pode transcrever foneticamente o Nome divino YHVH sem maiores consequências, já que sua pronúncia exata se perdeu entre os próprios judeus.
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Jacob Boehme é menos responsável do que os autores que o induziram ao erro e são os verdadeiros responsáveis por essa pseudo-cabala.
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A afirmação de Reuchlin de que o Nome de Jesus é mais eficaz que YHVH é um ato de fé cristã respeitável, mas sua alegação de que YHSHVH pronuncia o Tetragramaton de modo muito mais justo (longe rectius) é linguisticamente insustentável para qualquer hebraísta iniciante.
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A afirmação de eficácia superior é um ato de fé, não uma proposição linguística.
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A pretensa hebraicidade da argumentação de Reuchlin é falseada por visadas impuras.
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O Nome do Filho de Maria não pode ser, do ponto de vista cabalístico, uma pronúncia melhor do Nome de Deus, a menos que se faça de Jesus a forma críptica do Tetragramaton inefável dos judeus.
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O amalgama entre o Nome de Jesus e o Tetragramaton é inaceitável do ponto de vista da cabala propriamente dita.
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Retomando o exame do IHS, as letras I e S, inicial e final do Nome, constituem o casal mais imediato do monograma.
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As letras I e S, por si sós suficientes para identificar o Nome de Jesus como inicial e final, representam essencialmente as formas respectivas da reta e da curva.
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I e S compõem o par fundamental do monograma.
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I representa a reta; S representa a curva.
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I, enquanto reta vertical, simboliza a Unidade, o Princípio e a Essência, valores análogos aos do Alif árabe como primeira letra; foneticamente e numericamente, I equivale ao Yod hebraico, letra concentrada numa ponta fina da qual procedem todas as outras letras.
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Como reta, I remete ao retilíneo, ao rígido, ao duro, ao inalterável e ao abstrato.
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Como vertical, I remete ao transcendente e, no caso de Jesus, ao Pai, de modo que o Filho é o símbolo do Pai e a verticalidade do Filho implica e conduz ao Pai.
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A reta vertical I pressupõe um ponto baixo e um ponto alto, o que alude à dupla natureza de Jesus: humana pelo ponto baixo e divina pelo ponto alto, podendo também ser interpretado como a Terra (lugar da Paixão) e o Céu (para onde o Filho retornou após a Ressurreição).
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A reta é definida por dois pontos.
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O sentido pode ser lido tanto a partir do Filho quanto a partir do Pai.
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S, enquanto curva, expressa o múltiplo, a substância e os acidentes, remetendo ao sinuoso, ao flexível e ao concreto; como curva de dupla flexão, côncava e convexa, S participa da dupla espiral e possui duplo sentido: evolutivo, correspondente ao afastamento do Princípio e à dissolução alquímica, e involutivo, correspondente ao retorno ao Princípio e à coagulação.
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O sentido evolutivo corresponde à metade superior de S, que vira as costas a I apresentando a parte convexa.
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O sentido involutivo corresponde à metade inferior de S, que retorna a I apresentando a parte côncava.
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Solve, coagula é o célebre axioma alquímico que significa dissolver e coagular.
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S não é fundamentalmente diferente de I, pois a letra curva determina igualmente um eixo vertical, mas esse eixo ondula como uma corda vibrante não tensa; o esquema de ponto baixo e ponto alto se aplica a S, mas neste caso os pontos são os centros de dois círculos tangentes, conforme a figura 10.
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O eixo vertical de S é ondulante, ao contrário do eixo fixo de I.
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Os pontos extremos de S são centros de círculos tangentes, não extremidades de reta.
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I e S combinados compõem um emblema semelhante ao de Esculápio, o bastão axial em torno do qual se enrola um ou dois serpentes, e a tradição cristã oferece uma imagem insistente de Jesus como curador, atestada nos Evangelhos pelo termo iatros (Mt IX.12/Mc II.17/Lc V.31), função exercida de modo carismático e taumatúrgico que se estende até a ressurreição miraculosa dos mortos.
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O emblema de Esculápio tornou-se o símbolo de todos os que prestaram o juramento de Hipócrates.
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A qualidade de iatros implica a de soter, Salvador, no sentido cristão do termo.
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A extensão da função curativa de Jesus aos corpos e às almas faz da cura das almas, do fato de as conservar sãs e salvas, um sinônimo de salvação no sentido cristão do termo.
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A capacidade curativa de Jesus é praticamente ilimitada, indo até a ressurreição dos mortos.
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A cura das almas equivale à salvação no sentido cristão.
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H permanece a letra misteriosa do monograma, mesmo identificada ao eta, segunda letra do nome grego de Jesus, e sua presença aparentemente supérflua entre I e S faz dela um istmo, elemento intermediário que é ao mesmo tempo ligação e separação dos extremos, reunindo em si todas as letras não escritas do Nome situadas entre o I inicial e o S final de IHCOYC.
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H ocupa a posição mediana no monograma.
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H é a letra recapitulativa do conjunto das letras ausentes compreendidas entre I e S de IHCOYC.
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H é essencialmente um signo duplo e reversível, cuja razão de ser profunda ultrapassa seu papel contingente de letra intermediária; a dualidade vertical de I e S se manifesta pela distinção entre ponto alto e ponto baixo, e H apresenta analogamente uma dualidade horizontal.
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H é sinal duplo e reversível.
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A dualidade de H é horizontal, ao contrário da dualidade vertical de I e S.
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H se vê cindido em duas metades simétricas, cada uma associada a um espírito: a metade esquerda ao espírito rude e a metade direita ao espírito suave, notação posteriormente substituída pelos acentos gregos, cujos dois arcos de círculo superior e inferior da letra S reproduzem a dicotomia horizontal de H na dicotomia vertical de S.
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A metade esquerda de H (sinal |–) corresponde ao espírito rude, representado pelo acento voltado para a direita.
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A metade direita de H (sinal –|) corresponde ao espírito suave, representado pelo acento voltado para a esquerda.
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Passa-se assim da dicotomia horizontal de H à dicotomia vertical de S.
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É notável que os gregos pagos tenham reconhecido na letra H uma conexão com o espírito, pneuma, e que as duas barras verticais do H expressem a reverberação recíproca de uma sobre a outra, cujo gerador seria o traço horizontal mediano; num contexto trinitário, as duas barras simbolizam respectivamente o Pai e o Filho, e o traço simboliza o Espírito Santo que os une.
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Os gregos antigos reconheceram em H uma conexão com o pneuma.
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A posição vis-a-vis das barras verticais é a expressão de uma reflexão recíproca.
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A distinção entre espírito rude e espírito suave pode ser interpretada conforme o dogma da Trindade: para os latinos, |– e –| são os signos da dupla processão do Espírito Santo do Pai e do Filho; para os gregos, |– é o signo da processão do Filho e –| o da processão do Espírito Santo, cabendo privilegiar a interpretação latina por se tratar de um monograma venerado no Ocidente.
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Na interpretação latina, o Espírito Santo procede ab utroque, do Pai e do Filho.
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Na interpretação grega, |– é a geração ou filiação e –| é a processão do Espírito Santo.
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O Espírito Santo se identifica à força divina que se exprime nas duas metades e tende a uni-las para reconstituir a letra H inteira da Divindade una em três Pessoas.
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A coexistência do espírito rude e do espírito suave faz de H a letra por excelência de Jesus: o nome 'Ihsous com espírito suave designa Jesus em si, enquanto huios, Filho, é caracterizado pelo espírito rude, e a conjunção em H dos dois espíritos relativos respectivamente a Jesus em si e a Jesus como Filho faz prevalecer a unificação sobre a distinção das naturezas.
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'Ihsous (Jesus como tal) tem espírito suave.
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uios (Filho) tem espírito rude.
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A sinergia em H das duas Pessoas faz prevalecer a unificação sobre a distinção.
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As metades |– e –| de H, consideradas em sua capacidade de união sob a forma H, apresentam uma segunda possibilidade de combinatória em que as duas metades são invertidas (fase 3), ficam de costas (fase 4), convergem fundindo as barras verticais (fase 5) e a letra H se transforma em cruz (fase 6), passando da imagética trinitária para o contexto concreto da Paixão e da Crucificação.
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A fase 1 é H; a fase 2 são as duas metades separadas; a fase 3 é a inversão; a fase 4 é a posição de costas; a fase 5 é a convergência; a fase 6 é a cruz.
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H faz referência implícita à Crucificação pela estrutura de escada cujas barras verticais seriam os montantes e o traço horizontal o degrau único.
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Essa escada reduzida à sua expressão mais simples é a que foi erguida no Gólgota para que Jesus subisse e fosse pregado ao madeiro.
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O signo |+| levanta a questão de se ele representa apenas a cruz à qual Jesus acede por meio de H ou se nele se deve reconhecer também o próprio supliciado, hipótese reforçada pela versão do monograma da planche 5 (p. 232), onde |+| está fragmentado em três elementos: a cruz central envolve a silhueta estilizada de Jesus.
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Na versão da planche 5, o monograma |+| aparece fragmentado em três elementos.
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A cruz central cerca a silhueta estilizada ou desgastada pelo tempo de Jesus.
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Outras exemplos atestam a presença crística no interior da cruz.
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Com IHS contendo |+| ou o monograma com H surmontado de cruz, apenas Jesus está em causa com uma única cruz, mas as variantes induzidas pelas barras verticais isoladas de parte e outra da cruz apontam para bras cruciformes que, nas planches 7 e 8, enquadram a cruz de Jesus pelas duas cruzes dos ladrões, chegando a uma visão sinóptica do Calvário.
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As planches 7 e 8 mostram as três potências do Calvário.
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Certas versões do monograma tornaram-se tão transformadas que chegam ao nível do rébus (planche 6) ou que o esquema original é completamente irreconhecível (planches 7 e 8).
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H é igualmente um sinal reversível, propriedade generalizável a todo o monograma, evidente para I, H e a cruz, menos evidente para S; existem monogramas expressamente escritos ao avesso, como o da planche 9, que se lê da direita para a esquerda, e o da planche 10, que se lê indiferentemente nos dois sentidos, com a estrutura 2 I H I S, gerando uma dupla leitura simultânea do Nome de Jesus.
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A planche 9 apresenta monograma que se lê da direita para a esquerda.
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A planche 10 apresenta estrutura 2 H I S que integra o monograma invertido 2 H I e o monograma a l'endroit I H S, com H comum a ambos.
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Os dois trigramas são compostos com cinco letras apenas, sendo H comum a ambos.
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Uma estruturação tão elaborada do IHS não pode ser atribuída a motivos puramente estéticos da parte de um entalhador de pedras, pois a destinação funerária da estela e a natureza sagrada do Nome de Jesus para os homens da época (séculos XVI e XVII) excluem a hipótese profana: o duplo monograma reversível tem uma razão de ser.
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A estrutura elaborada deve ser explicada por preocupações intrínsecas ao culto do Nome de Jesus.
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O duplo monograma reversível não é uma fantasia decorativa, mas possui fundamento na natureza sagrada do Nome.
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