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coomaraswamy:ceu-budista

CÉU BUDISTA

Buddha and the Gospel of Buddhism

  • Gautama não negou a existência de divindades ou de estados futuros de existência em paraísos ou infernos, sendo o Budismo ateísta apenas no sentido de negar a existência de uma causa primeira e de enfatizar a mortalidade de todos os seres divinos, por mais longevos que sejam concebidos.
    • Gautama não se limitava a aderir a crenças populares, mas falava de seus relacionamentos com as divindades e de visitas aos seus céus.
    • Os exercícios espirituais que não conduzem diretamente ao Nibbana são especialmente recomendados para assegurar renascimentos nos céus inferiores ou nos mundos de Brahma, formais ou informais.
    • O espiritualismo, embora não indispensável para o Budismo original, não contradiz o Dhamma.
  • As principais divindades mencionadas nos sutta são Sakka e Brahma, sendo Sakka o rei do Olimpo identificável com o Indra do Brahmanismo popular, e Brahma o soberano supremo da teologia brahmânica ortodoxa da época do Buda, ambos descritos como convertidos ao Dhamma do Buda, que é o Mestre de divindades e homens.
    • Uma série inteira de sutta trata da conversão e da exortação dessas divindades, com o propósito de mostrar que as divindades brahmânicas são genuinamente sustentadoras do Buda.
  • A cosmogonia budista, embora se refira à brahmânica, possui aspectos peculiares e articula-se em três divisões essenciais: o Arupa-loka, quatro céus superiores informais atingidos pela prática dos quatro arupa jhana; o Rupa-loka, dezesseis céus formais atingidos pela prática dos quatro jhana; e o Kama-loka, planos do desejo dos sentidos que incluem os seis céus Kama-vacara devaloka atingidos pelo mérito das boas ações, e os cinco mundos de homens, demônios, espíritos, animais e purgatório.
  • A parte mais essencial e verdadeira da cosmogonia budista é a divisão tríplice em Planos do desejo, Planos formais de Brahma e Planos informais de Brahma, sendo que a ideia mitológica de visitar os mundos de Brahma ainda em vida encerra uma profunda verdade, pois quem se eleva acima do Plano do desejo na contemplação estética já acessa os Planos formais, e Poincaré descreve o matemático que, sem evocar imagens sensíveis, sente as entidades mais abstratas como seres vivos dotados de um princípio interno de unidade.
    • Keats, em carta, descreve um estado em que não haverá espaço e o único contato entre os espíritos se dará por meio de suas inteligências, compreendendo-se completamente uns aos outros, o que remete ao Plano informal de Brahma.
  • Quem cultiva na terra os estados mentais de autoconcentração na contemplação da beleza, de uma forma ideal ou de um pensamento mais abstrato renasce, segundo o Budismo original, nos mundos que já visitou nesses estados, conforme sustenta o Tevijja Sutta, no qual Gautama demonstra a Vasettha que o bhikkhu livre das preocupações mundanas partilha da mesma condição que Brahma e pode, após a morte, unir-se a ele.
  • A prática das quatro modalidades sublimas não é o único meio de alcançar a união com Brahma, pois as escrituras budistas reconhecem também os quatro jhana como condições especiais de intelecto e emoção acessíveis tanto a ascetas quanto a pais de família, e uma classificação dos céus semelhante à da escatologia do Budismo original poderia prevalecer caso a sobrevivência da personalidade após a morte viesse a ser provada ou tornada crença geral.
    • Os três céus do Monismo poderiam ser designados como Beleza, Amor e Verdade.
    • Artistas, amantes e filósofos, pela devoção e abnegação, tendem aos mundos de Brahma pela razão de que os semelhantes se atraem, assim como o samadhi budista e a concentração do artista, do amante e do filósofo tendem a uma emancipação final.
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