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coomaraswamy:consciencia

CONSCIÊNCIA

Buddha and the Gospel of Buddhism

  • O Budismo é frequentemente criticado por não prever sanções punitivas suficientes para a moralidade, mas como o indivíduo não existe, não se pode falar de recompensas ou punições individuais, e o verdadeiro budista não precisa ser compelido pela esperança do paraíso ou pelo temor do inferno, não podendo imaginar recompensa mais elevada do que a da razão entendida como Verdade.
    • Os trinta e quatro Éditos de Asoka que estabelecem o comportamento moral contêm apenas uma alusão à palavra do Buda, sendo a única sanção o bem-estar comum e do indivíduo.
  • O Budismo pode legitimamente pedir para ser julgado por seus frutos, sendo pertinente examinar o que corresponde à consciência no sistema budista, definida nas línguas europeias como um julgamento interno e moral sobre as intenções e ações do indivíduo que reporta automaticamente todas as atividades a um modelo moral.
    • Em sistemas teísticos semíticos esse modelo moral é formulado em mandamentos com autoridade sobrenatural.
    • No sistema ateístico implicitamente reconhecido nas sociedades competitivas do industrialismo moderno existem mandamentos similares, mas feitos pelo homem e registrados em códigos legais.
    • Em sistemas idealistas como o de Jesus o modelo moral é resumido no princípio de amar o próximo como a si mesmo, posição que os monistas justificam acrescentando que o próximo, na realidade, é o próprio eu.
  • A consciência apresenta três formas progressivas: a mais baixa, reconhecível também em certos animais, consiste em algo além do medo da punição, podendo desenvolver-se num sentido de culpa independente do temor; a segunda, baseada na razão, compreende que as más ações recaem sobre quem as pratica e que todos os seres têm natureza similar; a terceira e mais elevada deriva da intuição da identidade, sendo a má consciência o reconhecimento de um motivo egoísta que equivale a uma negação da relação interna de unidade.
  • O sati budista, concentração ou recolhimento, corresponde à consciência baseada na razão, agindo não por medo das consequências, mas pelo senso da inutilidade de opor obstáculos ao progresso espiritual, de modo que quem realiza que todas as existências são não-ego não pode agir por interesses egoístas porque não conhece ego.
    • Para os que estimam que existe um paraíso a alcançar após a morte, as ações meritórias são praticadas para alcançá-lo.
    • Para os que compreendem o verdadeiro significado do Nibbana, o comportamento ético é ditado por um imperativo categórico interior a causa do Nibbana.
    • O estado de pecado é considerado pelo budista como uma condição mental contrária ao Nibbana.
  • A motivação a causa do Nibbana refere-se à mesma experiência interior expressa pelo cristão seja feita a Tua vontade e pela palavra islâmica de resignação Islame, sendo que na medida em que um homem permite que seus pensamentos e ações sejam determinados por motivos impessoais começa a provar uma paz que ultrapassa a compreensão, encontrada no coração de toda religião.
    • O Sufi expressa essa experiência dizendo que quem não renunciou à própria vontade não tem vontade.
    • O princípio a causa do Nibbana é suficiente para descrever o sistema de Gautama como uma religião, expressão que se adapta mais ao Mahayana do que ao pensamento original.
  • Além do sati, que proíbe as más ações, existe outro aspecto da consciência que obriga o indivíduo a agir para o benefício dos outros, designado no Budismo Mahayana como bodhi-citta ou coração da iluminação, diferindo do sati principalmente por sua espontaneidade, pois não deriva da reflexão, mas da harmonia da vontade do indivíduo com a sabedoria e a atividade dos Budas.
    • Em livros ocidentais de edificação esse estado é chamado estado de graça ou estado de estar em sintonia com o infinito.
    • Feltham designa essa condição como germe da eternidade, expressão considerada a mais apropriada porque o despertar do bodhi-citta é poeticamente representado na literatura budista como o florescimento do loto do coração.
    • As duas condições mentais que no Budismo correspondem à ideia ocidental de consciência são, portanto, a concentração e o amor, das quais derivam todas as concepções do bem definidas nos textos budistas sobre a moral.
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