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NIRVANA
Buddha and the Gospel of Buddhism
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A doutrina do Nirvana no Mahayana exige exame mais aprofundado, pois enquanto no Budismo original o Nibbana significava a extinção das paixões e a dissolução da personalidade individual, sem que Gautama quisesse dizer o que significa metafisicamente, condenando a especulação sobre isso como contraproducente, os Mahayanistas não hesitam em desenvolver um extenso idealismo semelhante ao do Vedanta, levando logicamente o fenomenalismo do Budismo original a um niilismo total que declara que o mundo inteiro do devir é na realidade vazio e irreal.
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Esse niilismo é levado às suas extremas consequências em obras como o Prajnaparamita e o Vajracchedika Sutra, sendo que neste último o Bodhisattva é instruído a não fazer um regalo se ainda acredita na realidade dos objetos, em qualquer coisa, na forma ou nas qualidades específicas de som, olfato, paladar e tato, pois a medida do mérito de quem dá sem acreditar em nada não é fácil de apreender.
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As seis perfeições do Bodhisattva tratadas no Prajnaparamita são dana, caridade; sila, moralidade; khsanti, mansidão; virya, energia; dhyana, meditação; e Prajna, sabedoria.
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A negação da existência separada é levada ao extremo lógico com a negação da existência das próprias escrituras, afirmando Subhuti que nada foi pregado pelo Tathagata.
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A famosa Via do Meio das oito negações de Nagarjuna nega produção, destruição, anulamento, duração, unidade, pluralidade, entrada e saída, perspectiva que não deve ser entendida como niilismo puro, pois se insiste constantemente que as coisas de todo gênero nem existem nem não existem.
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Esse ponto de vista médio pode ser compreendido de dois modos: como a doutrina de que o que não é fenomênico não pode ser definido nem como existente nem como não existente, ou como a doutrina de que do ponto de vista do Absoluto as coisas não existem, enquanto do ponto de vista do relativo possuem uma realidade relativa.
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