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SARPABANDHA

  • A designação Sarpabandha, compreendida como anel de serpente, possui raízes em concepções arcaicas que fundamentam a relação entre o objeto e a simbologia ofídica.
    • O termo Hastaghna, aplicado ao guardabrazos do arqueiro no Rig Veda Samhita, opera como metáfora para a serpente que ataca a mão que a sustenta.
    • A analogia descreve o artefato circundando o braço de maneira idêntica aos anéis de Ahi.
  • O aprisionamento de Indra por Vritra mediante dezesseis anéis representa a imposição de um mal do qual a divindade se liberta pela intervenção ígnea de Agni ou pela eficácia do canto.
    • No Panchavimsha Brahmana, a libertação ocorre quando a serpente se desenrola sob a influência da música.
    • O episódio configura um arquétipo de encantamento de serpentes por meio de vibrações sonoras.
  • A narrativa de Karados demonstra paralelos estruturais com o mito de Ahi-Vritra ao apresentar uma serpente criada por um mago que se enrosca no braço do herói.
    • A resolução do conflito na versão germânica exige a oferta de leite e a entoação de cânticos por monges santos.
    • A convergência dos elementos reforça a tese de que a serpente é pacificada simultaneamente pelo alimento e pelo som.
  • O termo Nagabandha, além de sua raridade léxica na forma Sarpabandha, designa padrões arquitetônicos e decorativos caracterizados pelo entrelaçamento e nodação de formas ofídicas.
  • As referências védicas ao nó de Shushna desatado por Indra e ao nó que Soma deve resolver indicam uma ontologia da vinculação e da desvinculação.
    • A palavra Setu, derivada da raiz si, pode ser interpretada como laço ou atadura em determinados contextos.
  • A condição de Mahavira como Nirgrantha simboliza a libertação absoluta de todos os nós ou vínculos existenciais.
  • A etimologia da palavra Bandha sugere que a consanguinidade e o parentesco operam como cadeias ou laços que restringem o ser.
    • Kshemendra utiliza o termo para referir-se aos parentes como aqueles que enlaçam.
  • A percepção de que os vínculos familiares constituem obstáculos à realização espiritual é um princípio universal presente em diversas tradições metafísicas.
    • Mestre Eckhart postula que o reconhecimento dos laços temporais impede a morte real necessária à transcendência.
    • O Evangelho de Lucas e a Maitri Upanishad corroboram a necessidade de desapego da família para a discipulado ou libertação.
  • O cânon budista, no Sutta Nipata, exorta o abandono dos progenitores e da prole para a senda solitária, reiterando a vacuidade das linhagens familiares.
  • O vocábulo Bhoga encerra uma polissemia que vincula o anel da serpente ao prazer, ao gozo e ao alimento, elementos que constituem a armadilha da existência mortal.
  • A aplicação do termo Sarpabandha no Mahabharata reflete o esforço dos kauravas em capturar os pandavas em uma condição de malícia análoga ao cerco imposto por Vritra a Indra.
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