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GRAAL E IMPÉRIO

EVOLA, Julius. Symboles et “mythes” de la Tradition Occidentale. Milano: Archè, 1980.

  • A ideia de um soberano universal e de um centro imutável constitui um elemento transversal às diversas tradições humanas sob múltiplas formas simbólicas.
    • A existência de um reino misterioso que transcende os domínios visíveis é uma constante doutrinária.
    • O conceito de um polo ou eixo sacrossanto define a estabilidade espiritual em oposição à instabilité do mundo fenomênico.
    • A terra sagrada é recorrentemente descrita através de metáforas de luminosidade, solaridade e inviolabilidade.
  • A convergência de símbolos metafísicos e memórias remotas fundamenta a noção de uma realeza olímpica detentora do mandato celeste.
    • Kong-Tze estabelece a analogia entre o governante virtuoso e a estrela polar, centro imóvel em torno do qual gravita a manifestação.
    • O conceito de chakravartî designa o monarca que, permanecendo imutável, impulsiona a roda da Lei e da ordem natural.
    • A tradição helênica e a extremo-oriental coincidem na descrição de um lugar inacessível por meios físicos, alcançável apenas pela transmutação espiritual.
    • A geografia mística de Avallon, identificada como a ilha de Apolon pelos celtas, vincula-se à origem celeste de raças divinas como os Tuatha de Danann.
    • Os objetos rituais transportados de Avallon, como a lança e o vaso de alimento inesgotável, prefiguram os elementos centrais da lenda do Graal.
  • Os motivos primordiais de um centro espiritual supremo transpõem-se para a Idade Média através das figuras do Preste João e do Rei Arthur.
    • O título de Preste João designa uma função dinástica que sintetiza a autoridade real e a dignidade sacerdotal, emulando a linhagem de David.
    • O reino de João é assimilado ao Paraíso Terrestre, onde se localizam a Árvore da Vida e a Árvore da Vitória, símbolos da dominação universal.
    • A soberania de João sobre as forças de Gog e Magog representa o domínio das potências elementares e coletivas.
    • A tradição registra que grandes dominadores históricos buscaram sanção sobrenatural ao entrar em contato com este centro ou receber presentes simbólicos do Preste.
    • Ogier o Dinamarquês estabelece o elo entre o reino do Preste João e a ilha hiperbórea de Avallon.
  • O Rei Arthur representa a figura do dominador polar cuja retirada para Avallon significa a passagem de um princípio tradicional ao estado de latência.
    • A lenda da imortalidade de Arthur e seu futuro retorno fundamenta a concepção de um centro espiritual que permanece ativo de modo oculto.
    • A etimologia de Arthur vinculada a Arthos sugere a constelação polar, reforçando o simbolismo do centro e da estabilidade.
    • A Távola Redonda constitui uma organização de caráter solar e polar, estabelecida no centro do mundo.
    • O palácio giratório de Arthur guarda correspondência com a ilha branca dos indogermânicos e com o simbolismo da suástica e do chakravartî.
    • Myrddhin ou Merlim atua como a personificação da parte sobrenatural do rei, orientando a cavalaria na busca do Graal sob o lema do chefe como ponte ou Pontifex.
  • A memória do centro primordial subsiste em transposições geográficas e temporais que ligam a Thule helênica ao Airyanem Waêjo mazdeísta.
    • A localização da terra do sol no extremo norte reflete a semente da raça primordial e a imagem do Rei dos Reis.
    • O declínio da Idade de Ouro, sob o reino de Yima, marca o início de um processo de degeneração histórica descrito por Hesíodo.
    • A sucessão das idades de prata, bronze e ferro caracteriza o sentido da história como uma queda em direção ao obscurecimento e à revolta titânica.
    • Zeus e o herói Hércules surgem como princípios olímpicos que combatem a usurpação prometeica para restaurar a vida divina.
  • A doutrina do centro supremo e das eras cíclicas explica a manifestação periódica de um princípio único que se mantém latente entre as fases de declínio.
    • A tradição ensina a recorrência eterna de eventos e a manifestação da divindade para restaurar a lei quando o espírito declina.
    • As figuras do Messias e do imperador que dorme são derivações fragmentárias da doutrina da manifestação cíclica.
    • O mito de Kalki Avatâra vincula-se ao centro de Shambala e ao ensinamento de Paraçu Rama para combater as forças demoníacas da idade sombria.
    • A batalha final contra Koka e Vikoka espelha o combate contra Gog e Magog, exigindo o despertar do soberano oculto.
  • A compreensão da lenda do Graal depende do reconhecimento de seu fundamento na tradição primordial e hyperbórea, superando interpretações meramente folclóricas ou religiosas.
    • O Graal não é um produto de um espírito nacional específico, mas um mistério de alcance universal.
    • A tradição hyperbórea é a fonte de todos os motivos principais que compõem o ciclo das lendas medievais.
  • A identificação de Avallon como o local de origem dos textos do Graal reforça a ligação entre a lenda e o centro norte primordial.
    • A transposição mística operada pela mitologia celto-britânica atribui à Inglaterra significados que pertencem originalmente a Thule.
    • O verdadeiro país do Graal é o reino de Arthur, descrito como uma citadelle invisível e inacessível, sinônimo do Paraíso.
    • Lohengrin e a Sachsenkronik von Halberstadt afirmam explicitamente que o reino de Arthur no Graal corresponde ao antigo Éden.
  • O Graal atua como um objeto sobrenatural dotado de virtudes de nutrição, iluminação e invencibilidade para aqueles que o alcançam.
    • O Graal é caracterizado como uma pedra celeste que confere a dignidade de Preste João aos dominadores escolhidos.
    • O aspecto de mysterium tremendum do Graal revela sua natureza como uma força que pode destruir aqueles que não são dignos.
  • A natureza do Graal como pedra caída da coroa de Lúcifer simboliza um poder perdido pelo princípio da revolta e conservado em segredo.
    • A prova do lugar perigoso na Távola Redonda demonstra a necessidade de um herói específico para preencher a vacância da chefia suprema.
    • A conquista do Graal exige um combate espiritual ativo e a superação da prova da futilidade ou da indignidade.
  • O mistério do Graal envolve a necessidade de restauração de um reino cujo soberano encontra-se em estado de debilidade ou encantamento.
    • O herói deve transcender a condição de melhor cavaleiro terrestre para assumir uma missão de restauração absoluta.
    • O fracasso em realizar a pergunta necessária implica a maldição da força heroica e a manutenção do estado de decadência.
  • A missão do eleito consiste em superar o elemento titânico e luciferiano para restaurar a Idade de Ouro no seio da época sombria.
    • A sabedoria e a ausência de orgulho são condições indispensáveis para que a cavalaria se torne celestial.
    • A figura de Orguelluse personifica o princípio do orgulho que deve ser dominado para que a virilidade espiritual alcance o plano olímpico.
    • O acesso ao Graal exige que o cavaleiro não seja foudroyé pela força que outrora derrubou os titãs.
  • O tema fundamental do ciclo do Graal reside na exigência de que o herói tome a iniciativa da ação restauradora através de uma pergunta sobre o império.
    • A pergunta enigmática não é uma curiosidade ritual, mas a compreensão da tragédia da decadência e o compromisso com a redenção do reino.
    • O ato de perguntar cura o rei ferido e inicia um novo ciclo sob a égide de um novo soberano.
  • Elementos simbólicos como o cisne de Apolon e as duas espadas reafirmam a natureza hiperbórea e o duplo poder do herói do Graal.
    • O cisne vincula os cavaleiros ao centro supremo de Avallon e à tradição nórdica primordial.
    • A designação do herói como o cavaleiro das duas espadas simboliza a união das autoridades temporal e espiritual, típica das dinastias heraclidianas.
  • O reino do Graal constitui uma pátria espiritual atemporal que une indivíduos dispersos através de uma dignidade iniciática comum.
    • A natureza polária do reino o mantém imóvel, sendo a história humana que se aproxima ou se afasta de sua influência.
    • O reino de Arthur e do Preste João está sempre presente como uma realidade interior e metafísica.
  • O período gibelino da Idade Média representou o momento de máxima aproximação histórica entre o mundo visível e o reino do Graal.
    • O Graal serviu como o coroamento do mito imperial e a expressão suprema da fé do alto gibelinismo.
    • A vontade política da época estava impregnada por esse simbolismo supra-consciente de restauração tradicional.
  • A Idade Média aguardava o herói do Graal para que o Império, como Árvore Seca, voltasse a florescer sob um novo ordem solar.
    • O Sacro Império Romano é identificado como a manifestação exterior do reino do Graal.
    • O imperador Frederico representava a possibilidade histórica de realização do mistério hiperbóreo.
  • O encontro entre história e super-história resultou em uma fase de alta tensão metafísica seguida pelo colapso e dispersão da tradição.
    • A produção literária sobre o Graal concentra-se em um breve intervalo cronológico entre o final do século XII e o início do XIII.
  • O desaparecimento súbito da tradição do Graal coincide com a perseguição aos Templários e o fim da civilização imperial ecumênica.
    • Wolfram von Eschenbach identifica os cavaleiros do Graal como Templários, utilizando sua simbologia característica.
    • A retirada final do herói com o Graal em uma nau templária simboliza o encerramento de uma via de manifestação pública.
  • Organizações secretas posteriores, como os Fiéis de Amor e os Rosa-cruzes, preservaram os símbolos do Graal e o mito do Imperador restaurador.
    • O mito rosa-cruz mantém a esperança na ressurreição do rei e na destruição da usurpação sob o signo da cruz vermelha.
    • A fraternidade invisível continua a representar a unidade de intenção transcendente contra a decadência do mundo moderno.
  • O recuo final dos Rosa-cruzes para as Índias simboliza o retorno do Graal ao centro primordial inacessível diante do avanço do racionalismo ocidental.
    • As Índias representam o reino do Preste João e a proximidade com o Paraíso, longe das nações pecadoras.
    • Parsifal assume a função de Preste João, consolidando a transferência da custódia espiritual para o domínio oculto.
    • O centro supremo Shambala permanece, em última instância, como uma realidade realizável no coração do asceta.
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