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RAIO E LANÇA

MISTÉRIO DO GRAAL

  • O Graal é associado à pedra frontal, ou urna, que no simbolismo hindu e budista ocupa o lugar do terceiro olho ou olho de Çiva, atribuindo-se a este olho a visão transcendente ou cíclica, como a bodhi no budismo, e um poder fulgurante, como aquele com que Çiva fulminou Kâma, correspondendo ainda no ioga ao centro de comando ou âjnâ-cakra, sede da virilidade transcendente que permite ir além da morte.
    • A pedra caída da fronte de Lúcifer recorda a pedra frontal, que no hinduísmo e budismo é frequentemente o terceiro olho.
    • A esse olho atribui-se tanto a visão transcendente ou cíclica, quanto um poder fulgurante, exemplificado por Çiva fulminando Kâma.
    • Nas tradições esotéricas do ioga, esse olho frontal é o âjnâ-cakra, a mais alta sede da virilidade transcendente, que permite atravessar a corrente do tempo.
  • A pedra luciferina, como aerólito ou pedra meteórica, relaciona-se com o poder fulgurante do raio, simbolizado pelo antigo machado de pedra que, por sua capacidade de despedaçar, é um atributo de Çiva, Paraçu-Râma, Thor e corresponde ao raio de Indra, bem como ao raio com que deuses olímpicos exterminam titãs, representando uma arma antititânica ligada à Tradição hiperbórea.
    • A pedra caída do céu, como aerólito, relaciona-se com o poder fulgurante do raio.
    • O machado de pedra, que simboliza o raio, é um atributo de divindades como Çiva, Paraçu-Râma, Thor e corresponde ao raio de Indra.
    • Esta arma é usada para abater entidades telúricas ou titânicas, estando ligada à Tradição hiperbórea e a representantes heroicos ou olímpicos.
  • A palavra vajra, que significa ceptro, raio e pedra adamantina, estabelece uma ligação entre esses conceitos e a lança da saga de Peronnik, na qual um vaso de ouro com virtudes benéficas semelhantes ao Graal e uma lança adamantina, que é uma força-ceptro-raio inexorável e resplandecente, são conquistados por um herói cuja vitória causa uma fenomenologia que replica a do Graal.
    • Vajra engloba os significados de ceptro, raio e pedra adamantina, remetendo ao simbolismo da lança.
    • Na saga céltica de Peronnik, um vaso de ouro com as mesmas virtudes benéficas do Graal e uma lança de diamantes, que é uma lança inexorável e resplandecente, são conquistados pelo herói.
    • A fenomenologia da conquista, com tremor de terra e desaparecimento do palácio, replica a do Graal e do lugar perigoso.
  • Visão cíclica, virilidade transcendente, força de comando, machado-raio e raio-ceptro são associados à pedra misteriosa do Graal, que adornou o diadema de Lúcifer, esteve na posse de Adão no estado primordial e é apresentada como pedra do exílio, sendo alvo de tentativas de reconquista pelas legiões luciféricas.
    • A pedra do Graal está associada a conceitos como visão cíclica, virilidade transcendente e força de comando.
    • Esta pedra, que adornou o diadema de Lúcifer, esteve na posse de Adão no Paraíso terrestre.
    • As legiões de Lúcifer tentaram reconquistá-la, e ela é apresentada como pedra do exílio.
  • A tradição identifica o Graal com o Paraíso terrestre ou o estado primordial, como evidenciado em obras de Wolfram, na Queste du Graal, em Perceval li Gallois e no Diu Crône, onde o Graal, o seu castelo ou a região da sua procura são equiparados ao Paraíso ou a algo tão belo quanto ele, representando o Graal uma reconquista desse estado primordial.
    • Wolfram von Eschenbach fala do Graal como um objecto tão augusto que o Paraíso nada tem de mais belo.
    • Na Queste du Graal, Galaad, ao contemplar o Graal, roga para entrar no Paraíso.
    • Em Perceval li Gallois, o castelo do Graal tem o nome de Eden, e no Diu Crône, a região da procura é considerada o Paraíso terrestre.
  • O nome Seth, que significa tanto “tumulto” e “ruína” quanto “fundamento”, relaciona-se com a reconquista do Graal no paraíso terrestre, pois o princípio guerreiro luciférico, através da reintegração heroica, transforma-se em fundamento, pólo ou centro, evocando interpretações como a do lapsit exiliis como pedra central ou pedra do Senhor.
    • Seth, que reconquistou o Graal, tem um nome que significa “tumulto” e “ruína” e também “fundamento”.
    • O significado “tumulto” aponta para o princípio guerreiro luciférico, que se transforma em “fundamento” pela reintegração heroica.
    • “Fundamento” ou “pólo” relaciona-se com a função real como emanação do poder do Centro, ligando-se ao lapsit exiliis interpretado como pedra central ou pedra do Senhor.
  • Textos siríacos falam de uma pedra preciosa que é fundamento ou centro do mundo, oculta nas profundezas primordiais junto ao templo de Deus, relacionada com o corpo de Adão e guardada por Melquisedeque num local inacessível, associando assim a função real e sacerdotal do Rei do Mundo à guarda do corpo de Adão e ao tema da pedra misteriosa.
    • Uma pedra preciosa é descrita como fundamento ou centro do mundo, oculta junto ao templo de Deus.
    • Essa pedra é relacionada com o corpo de Adão, guardado por Melquisedeque num lugar inacessível.
    • Melquisedeque representa a função suprema, real e sacerdotal, do Rei do Mundo, associada à guarda do corpo de Adão e à pedra misteriosa.
  • O significado “central” é inerente às pedras celestes, como a pedra real irlandesa, o lapis niger romano, a pedra negra da Kaaba, a pedra do Dalai-Lama, o altar e trono de Zeus e o omphalos de Delfos, sendo estas pedras associadas a funções “polares” e à primeira criação pós-diluviana da raça primordial.
    • A função polar ou central é atribuída a diversas pedras celestes em diferentes civilizações.
    • São exemplos a pedra real irlandesa, o lapis niger romano, a pedra negra da Kaaba e o omphalos de Delfos.
    • O omphalos é também concebido como a primeira criação pós-diluviana da raça primordial.
  • A pedra sagrada central, omphalos, é também chamada betil, que é uma pedra da vitória com poderes de conquista, cujo nome baitúlos é idêntico ao hebraico beth-el, “casa do Senhor”, evocando a história de Jacob que, após lutar com o anjo e vencer, recebe uma nova designação e nomeia o lugar onde uma pedra sagrada marca a ligação entre o céu e a terra.
    • A pedra omphalos é chamada betil, uma pedra da vitória com poderes de conquista.
    • O nome baitúlos é idêntico a beth-el, que significa “casa do Senhor”.
    • A história de Jacob, que luta com o anjo e vence, está ligada a uma pedra sagrada que marca a ligação entre o céu e a terra.
  • A tradição de Seth como conquistador do Graal liga-se à saga imperial medieval em que Seth se apodera de um rebento da planta da Árvore da Vida, que dá origem a uma árvore que surge na “nave de Salomão” e na “prova da espada”, onde uma espada com estranhos pendentes e uma bainha chamada “memória do sangue” espera por um único cavaleiro predestinado.
    • Seth colhe um rebento da planta da Árvore da Vida no Paraíso, que dá origem a uma árvore.
    • Essa árvore está relacionada com a “nave de Salomão”, onde se encontra uma espada com pendentes coloridos.
    • A espada, com a bainha “memória do sangue”, aguarda um único cavaleiro predestinado, simbolizando a herança da Tradição real primordial.
  • Os temas da tradição hebraica ligam-se à tradição céltico-hiperbórea através da “nave de Salomão” e da “ilha giratória”, que tem o significado polar da corte de Artur, da Távola Redonda e de Avalon, representando um barco sem tripulação que navega sob condução divina, à espera do restaurador, tal como a espada perdida de Artur que emerge das águas.
    • A “nave de Salomão” liga temas hebraicos aos céltico-hiperbóreos.
    • A “ilha giratória” tem o significado polar da corte de Artur, da Távola Redonda e de Avalon.
    • Tanto o barco sem tripulação quanto a espada perdida de Artur aguardam o predestinado restaurador.
  • O Graal, como lapis erilis ou pedra do Centro e do Império, relaciona-se com a pedra dos reis irlandesa e com a pedra trazida por Alexandre do Paraíso terrestre, que resplandece com o sol, confere juventude e vitória, e tem forma de olho, maçã ou esfera, assim como se liga aos pignus imperii de Roma, o escudo ancile extraído de uma pedra meteórica e o vaso com ambrósia, formando com a lança um conjunto de sinais fatídicos das origens e do destino de Roma como centro primordial.
    • O Graal, como pedra do Centro ou lapis erilis, tem correspondências com a pedra dos reis irlandesa.
    • Alexandre teria trazido do Paraíso uma pedra com as mesmas características do Graal.
    • Em Roma, o escudo ancile (de pedra meteórica) e o vaso com ambrósia, junto com a lança, formam sinais fatídicos do destino de Roma como centro primordial.
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