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GUERRINO MESCHINO

EVOLA, Julius. Symboles et “mythes” de la Tradition Occidentale. Milano: Archè, 1980.

  • Afirma-se que o que chegou sob a forma de folclore, isto é, tradições populares oriundas da lenda ou da fábula, pode ser comparado a agregados minerais que, junto à ganga inutilizável, contêm ricos filões de significado.
    • Esse material possui valor estético e literário.
    • Possui valor ainda maior no plano espiritual.
    • Constitui forma involutiva e quase inconsciente na qual sobreviveram significações transcendentes.
    • Tais significações foram base de determinados ciclos de civilização.
  • O folclore medieval ou de origem medieval apresenta particular interesse, como já demonstrado em estudo sobre o Mistério do Graal e a ideia imperial gibelina.
    • Figuras como o Rei Arthur, o Preste João, Perceval, Ogier e Frederico ocultam significações simbólicas.
    • O ciclo de Guerrino, dito Meschino, teve ampla difusão popular na Itália.
    • Esses relatos foram posteriormente considerados literatura menor.
    • Não alcançaram prestígio comparável aos clássicos ou à Divina Comédia.
  • Sustenta-se que os relatos de Guerrino exprimem figurativamente o mistério espiritual do homem medieval ocidental.
    • Guerrino não é personagem inventado, mas símbolo.
    • Representa a alma medieval em busca de autoconhecimento.
    • Seu ciclo liga-se a tradições mais antigas e frequentemente nelas interfere.
    • Seus temas remetem a espiritualidade anterior ao cristianismo.
  • Guerrino é apresentado como indivíduo ignorante de sua origem nobre, que conquista sua dignidade por feitos heroicos e busca conhecer sua linhagem por meio de viagens alegóricas.
    • Seu nome corresponde a Guérin ou Garin na tradição francesa.
    • Relaciona-se ao cavaleiro Hélias, Hélios, Loengarin ou Lohengrin, o cavaleiro do cisne.
    • Esse cavaleiro provém de terra misteriosa associada ao Rei Arthur, ao Graal, a Vênus ou ao Paraíso.
    • Tal terra identifica-se com a região hiperbórea do extremo norte, centro primordial ligado a Apolo e às raças arianas.
  • Guerrino, ao declarar ignorar sua origem e destino, simboliza o homem da civilização nórdico-romana medieval que busca o fio perdido de sua tradição superior.
    • Representa perda da memória das origens.
    • Sua jornada exprime busca da herança obscura.
    • O símbolo remete à tradição hiperbórea.
  • A primeira etapa essencial da jornada conduz Guerrino ao Oriente em busca do Preste João.
    • O reino do Preste João figura a lembrança da terra sagrada primordial.
    • Representa função real e sacerdotal suprema da tradição hiperbórea.
    • É descrito como situado no extremo do mundo, sobre montanha que toca o céu.
    • A montanha simboliza ligação entre humano e sobre-humano.
    • O local associa-se ao culto e ao oráculo de Apolo.
    • O Preste João é descrito como rei e sacerdote cristão, embora o simbolismo seja pré-cristão.
  • O motivo do conquistador que viaja à terra do Preste João repete-se em diversas tradições.
    • Esses lugares são marcados por árvores solares ligadas ao oráculo apolíneo.
    • A consagração sobrenatural legitima o poder.
    • Guerrino assume função guerreira como general do Preste João.
    • Descobre apenas parcialmente sua linhagem real.
    • Para completar o conhecimento, deve dirigir-se ao Ocidente e ao Norte.
    • Submete-se a provações, entre elas o reino da fada Alcina.
    • Alcina simboliza seduções antiviris e influências ginecocráticas do sul pré-ariano.
    • O retorno ao Ocidente corrige a localização oriental imaginária do centro primordial.
  • Em uma versão, Guerrino obtém revelação definitiva na Irlanda, no Poço de São Patrício.
    • A assimilação cristã encobre tradição mais antiga.
    • A Irlanda pré-histórica conserva traços da tradição nórdico-ocidental.
    • A odisseia culmina no reencontro com os pais.
    • Guerrino renuncia à dignidade real para abraçar vida ascética.
    • É chamado filho dos deuses.
    • A raça dos deuses corresponde aos Tuatha Dé Danann vindos de Avalon.
    • Avalon designa centro primordial nórdico-atlântico.
    • O itinerário representa retorno do terrestre ao celeste.
    • Em termos dantescos, simboliza passagem da vida ativa à contemplativa.
    • A jornada conclui-se como realização final após provas heroicas.
    • O ciclo resume etapas fundamentais de um itinerário espiritual válido tanto para o indivíduo quanto para a tradição de uma raça.
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