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JANUS
EVOLA, Julius. Symboles et “mythes” de la Tradition Occidentale. Milano: Archè, 1980.
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A integração política entre Itália e Alemanha requer uma fundamentação espiritual baseada na tradição comum e em uma visão de mundo compartilhada que remonte à civilização indo-germânica original.
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A unidade espiritual entre os povos italiano e alemão possui raízes na cultura indo-germânica, da qual as civilizações romana e nórdico-germânica são ramificações próximas.
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O método de análise recusa o racionalismo e o cienticismo acadêmico para interpretar religiões e mitologias antigas como expressões simbólicas de princípios metafísicos e forças cósmicas.
A investigação sobre a divindade Janus exemplifica a aplicação do princípio de que a exploração da religião italico-romana é indissociável do ciclo da civilização germânico-alemã para a compreensão das afinidades tradicionais.-
As afinidades entre as tradições espirituais dos dois povos manifestam-se tanto na essência quanto em detalhes formais exteriores, conforme demonstra o trabalho de Hunt.
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A investigação comparativa resulta em uma revalorização do deus Janus, lançando luz sobre significados profundos dessa divindade arcaica de Roma.
A perspectiva acadêmica oficial limita a figura de Janus à função de um numen modesto associado às portas e aos começos cotidianos, vinculando-o secundariamente a Vesta.-
Especialistas convencionais definem Janus como o deus da ianua, estabelecendo uma correlação funcional entre o ato de entrar e o ato de começar.
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A interpretação oficial sustenta que a elevação de Janus ao status de criador do mundo seria fruto apenas de especulações tardias do período imperial.
O caráter cosmogônico de Janus é originário e sintetiza motivos fundamentais da concepção ariana de vida, contrariamente à tese da degradação histórica do mito.-
A obscuridade do significado de Janus ao longo dos séculos ocultou sua natureza primordial como síntese de elementos centrais da visão de mundo antiga.
A tradição atestada por Varrão e Macróbio confirma Janus como o pai dos deuses e dos homens, cujo simbolismo solar e cíclico se alinha perfeitamente às concepções rituais do mundo nórdico.-
Varrao e Macrobio identificam Janus como o cerus ou criador, venerado pelas linhagens patrícias como o ancestral originário.
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O aspecto bifronte de Janus corresponde às fases ascendente e descendente do sol, enquanto as portas e chaves simbolizam os solstícios como passagens do ano.
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A associação com Vesta e o papel de Janus como senhor das águas aludem à força vital e ao renovamento do fogo sagrado no ciclo do ano cósmico.
O simbolismo de Janus transcende a representação solar para tocar o domínio da iniciação e do renascimento interior, mantendo paralelos com os mistérios antigos e até com a simbologia adotada posteriormente pela Igreja Católica.-
O conceito de passagem pela porta encarna a ideia de um renascer transcendente, objetivo central de todo processo iniciático.
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A distinção entre os pequenos mistérios telúricos e os grandes mistérios celestes encontra correspondência no simbolismo da dupla chave e do duplo rosto de Janus.
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Elementos como a barca solar e a chave iniciática foram reabsorvidos pela estrutura simbólica da Igreja Católica em períodos posteriores.
A porta entendida como mundus funcionava na Roma antiga como o ponto de acesso a forças invisíveis e metafísicas que exigiam uma abertura da alma capaz de conduzir tanto à destruição quanto à deificação.-
O ato de cruzar o limiar sob a égide de Janus representava o contato direto com potências demoníacas ou divinas temíveis aos mortais.
O rito de abertura das portas do templo de Janus em tempos de guerra reflete a concepção sagrada do conflito nas civilizações arianas como um desabafo de forças sobrenaturais profundas.-
A guerra para romanos, espartanos, nórdicos e hindus era entendida como um estado de comunhão com o plano elemental e metafísico.
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O guerreiro que perecia no combate realizava um sacrifício divino denominado mors triumphalis, garantindo frutos de ordem sobrenatural.
O triunfo romano possuía uma natureza essencialmente sagrada e iniciática na qual o vencedor era reconhecido como aquele que atravessou o limiar e alcançou uma transformação interior divina.-
A cerimônia do triunfo permitia que o vencedor utilizasse as insígnias da divindade olímpica por ter superado a condição humana comum através da glória.
O resgate de mitos e símbolos antigos possui a função vital de despertar a força formativa das origens que permanece indestrutível no subconsciente de uma raça vinculada à tradição.-
A reativação de significados cósmicos e heroicos permite que a tradição atue como um elemento vivo e transformador no presente.
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