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evola:ject-10

APOLO E DIONISO

Cavalgar o Tigre

  • O estabelecimento da regra para ser si mesmo exige a integração da regra para provar a si mesmo, distinguindo dois graus de realização que correspondem à estrutura dual do homem — sua determinação individual e sua dimensão de transcendência.
    • Diferenciação entre a forma individual e a abertura ao absoluto
    • Necessidade de experimentos para identificar a unidade interna em uma era de dissolução
    • Reconhecimento da natureza própria através do enfrentamento de alternativas existenciais
  • A descoberta da forma interna em tempos de crise demanda a busca por situações em que a natureza verdadeira seja compelida a manifestar-se, exigindo atos que brotem das profundezas e não de reações periféricas ou reflexos epidérmicos.
    • Rejeição da reatividade superficial típica do homem moderno
    • Necessidade de reaprender a ação ativa e típica
    • Disciplina da autoconsciência ou lembrança de si conforme ensinamentos tradicionais
  • A existência ordinária caracteriza-se por um estado de sucção ou automatismo sonambúlico, onde o indivíduo é absorvido por pensamentos, desejos e sensações externas, tornando-se uma mera sombra de si mesmo desprovida de sensações ou atos verdadeiramente ativos.
    • Crítica de G. I. Gurdjieff ao caráter automático da vida comum
    • Perda da consciência de si na interação com o mundo fenomenal
    • Desconhecimento do estado de ser no cotidiano profano
  • O enfrentamento de experiências incertas e perigosas sob a máxima do amor fati não implica obediência passiva a um destino fixo, mas a confiança transcendente de que cada evento é uma etapa necessária no seguimento do próprio caminho.
    • Interpretação de Karl Jaspers sobre o amor ao destino como intrepidez
    • Segurança interior diante do ambíguo e do arriscado
    • Consolidação da conduta através da segurança metafísica
  • A unificação do ser resolve-se no plano subordinado quando a vontade identifica e estabiliza a tendência central, organizando as inclinações secundárias em torno de uma lei própria, visto que a incapacidade de comandar a si mesmo conduz ao desastre.
    • Necessidade de síntese das discordâncias anímicas
    • O imperativo de obedecer a si mesmo após a conquista do comando interno
    • Prevenção da desintegração no vácuo existencial
  • A Ordem dos Ismaelitas ilustra o rigor da preparação para a liberdade absoluta, exigindo graus preliminares de obediência cega e sacrifício da vida antes que o iniciado pudesse assumir para si a premissa de que nada existe e tudo é permitido.
    • Hierarquia iniciática como antídoto à anarquia moral
    • Exigência de disciplina extrema para sustentar a verdade suprema
    • Contraste entre a liberdade de direito e a capacidade de exercê-la
  • O segundo grau da prova de si mesmo transcende o plano formal da individuação para buscar o núcleo incondicionado do Ser, resolvendo o problema do significado último da existência através de uma relação direta e absoluta com a transcendência.
    • Insuficiência da mera autonomia formal para fundamentar o sentido da vida
    • Identificação do núcleo unificado que não pertence à esfera vital
    • Transcendência percebida como raiz e consagração da natureza própria
  • A justificação absoluta da existência em um mundo sem sinais externos decorre da percepção da dimensão transcendente como a fundação do ser, sem a qual mesmo o caminho dos super-homens permanece vulnerável e limitado.
    • Destruição do estado de negatividade pela união com o absoluto
    • Superação da limitação inerente ao ser o que se é
    • Inacessibilidade da soberania interna às flutuações do mundo exterior
  • A união com o transcendente impede que a unificação do ser ocorra de forma patológica ou regressiva, como nos casos de fanatismo ou possessão por paixões elementares que escravizam as faculdades humanas a fins inferiores.
    • Risco da unidade psíquica operada por forças infra-individuais
    • Necessidade da prova de segundo grau para validar o centro supra-individual
    • Distinção entre a unidade no Ser e a fixação em impulsos passionais
  • A soberania interior exige uma ruptura de níveis que pode envolver violência contra si mesmo, demandando uma disposição sacrificial para permanecer firme no vazio e no informe, para além da simples autonomia da vontade.
    • A anomia positiva como estágio superior à autonomia
    • Prontidão para a destruição do eu humano em face do absoluto
    • Indeterminação dos resultados na confrontação com o não humano
  • O resultado positivo dessa experiência extrema anula o último limite, fazendo coincidir liberdade e necessidade, o que permite ao indivíduo adaptar-se invulneravelmente a um mundo deixado à própria irracionalidade e vacuidade.
    • Coincidência entre possibilidade e realidade no centro do ser
    • Centralidade irrestrita em situações de luz ou escuridão
    • Adaptação ao mundo caótico sem perda da essência espiritual
  • O conceito nietzschiano de Dionisismo sofre de contradições ao interpretar símbolos antigos via Schopenhauer, mimetizando a imanência divinizada e opondo-a erroneamente a um Apolinismo visto apenas como fuga contemplativa.
    • Crítica à interpretação naturalista de Nietzsche sobre os mistérios antigos
    • Identificação do caminho dionisíaco como ruptura ontológica de níveis
    • Unidade essencial entre as experiências de Dioniso e de Apolo
  • A orientação do homem integrado no encontro com a existência define-se como um Apolinismo Dionisíaco, no qual a estabilidade do Ser permite a abertura total a todas as possibilidades do devir sem o risco de perda da centralidade.
    • Possessão do centro no Ser como premissa para o mergulho no mundo
    • Abandono à experiência como meio de expansão e transformação
    • Estabilidade que precede e sustenta a imersão na contingência
  • A alma dionisíaca autêntica é aquela que, possuindo o ser, mergulha no devir e transfigura a existência, permitindo que o espírito se reconheça nos sentidos e que as experiências sensoriais se convertam em embriaguez de alta espiritualidade.
    • Transfiguração da realidade sem exclusão do domínio sensível
    • Superação da antítese entre espírito e matéria típica da moral religiosa
    • Imersão no mundo do acaso como aventura espiritual
  • A capacidade de abrir-se ao mundo sem perder-se constitui a via para dominar toda transformação, tornando a própria morte e os eventos externos estímulos para uma liberdade e potência cada vez maiores.
    • O ensinamento das Upanishads sobre a morte como parte do ser
    • Transcendência como transformadora das marés da vida
    • Prevenção da identificação intoxicada com a força vital ou com o desejo
  • A união do ser calmo com a substância da vida produz uma embriaguez lúcida e magnética, que é o oposto da expansão extática em direção às forças elementares ou ao novo paganismo naturalista.
    • Diferenciação entre a embriaguez esclarecida e a dissipação instintiva
    • Presença de espírito e clareza em cada evocação da realidade
    • Estabilidade e invulnerabilidade como soberania invisível no movimento
  • Este modo de ser exige liberdade em relação ao passado e ao futuro, manifestando-se como um ser em ação que prescinde do heroísmo romântico, da retórica individualista e de filosofias acadêmicas vazias sobre o ato.
    • Intrepidez de uma alma livre dos laços do eu inferior
    • Rejeição do pathos e do exibicionismo associados ao heroísmo moderno
    • Distância frente ao idealismo neo-hegeliano e suas abstrações sobre a ação
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