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VIDA

Cavalgar o Tigre

  • O fundamento elementar para a transmutação dos aspectos positivos da dissolução reside na posse de uma diretriz fundamental e de uma dimensão existencial ausente no tipo humano predominante da modernidade, a saber, a dimensão da transcendência.
    • Diferenciação entre a substância mutável da massa e a unidade interna do homem de tradição
    • Identificação da transcendência como componente essencial para a superação do nada
    • Presença de impulsos secundários que não anulam a “dominante” da personalidade
  • A obra de Nietzsche exemplifica a ação inconsciente da dimensão transcendente, o que explica o caráter contraditório de suas afirmações e permite integrar seu pensamento sem recair em um naturalismo simplista.
    • Nietzsche como vocacionado para a destruição de valores e superação do ponto zero
    • Atuação da energia transcendente como sujeito oculto em sua filosofia
    • Reconhecimento da transcendência como chave para evitar a interpretação puramente fisiológica
  • A solução para a visão absurda da vida, que consiste na afirmação de que o sentido reside na própria existência, só possui validade para um ser cuja constituição essencial inclua a transcendência como componente ontológico.
    • Inexistência de sentido externo à vida como pressuposto de força
    • Dependência da qualidade do ser para a validade do mito do eterno retorno
    • Crítica à aplicação universal dessa solução a tipos humanos ordinários
  • A vontade de poder, longe de ser uma característica geral da vida, é o reflexo de uma vocação particular projetada como visão de mundo, contrastando com a vontade de viver schopenhaueriana que prevalece na maioria dos seres como desejo inexaurível.
    • A vida que supera a si mesma como projeção de uma natureza excepcional
    • Contradição entre a vontade de poder ascendente e o instinto de conservação biológica
    • Caráter subjetivo e não objetivo da teleologia nietzschiana
  • A incompreensão de Nietzsche sobre a dimensão superior que atuava em si gerou uma oscilação trágica entre a exaltação naturalista dos instintos e a percepção do espírito como uma força que corta e nega a própria vida biológica.
    • Perigo da afirmação absoluta dos instintos como servidão da vontade
    • O espírito definido como o princípio superior que se volta contra a vida (Geist ist das Leben, das selber ins Leben schneidet)
    • Dualidade entre a rendição à physis e a disciplina de um princípio transcendente
  • Os aspectos positivos do super-homem, como a capacidade de ditar a própria lei, o ascetismo livre e o domínio das paixões, são valores que o homem de tradição reconhece como próprios, sendo atingíveis apenas quando a vida é percebida como algo mais que vida.
    • Poder de recusa e inação diante de tensões externas
    • Aceitação do obstáculo e da dor como testes de resistência da vontade
    • Distinção entre grandeza de caráter e a simples ausência de paixões
    • Afirmação da liberdade como indiferença às privações e à própria finitude
    • Superação da imagem da “besta loira” em favor da generosidade e magnanimidade
  • A confusão entre o sagrado e o profano na filosofia de Nietzsche resulta de sua polêmica anticristã, mimetizando valores de dignidade e responsabilidade com impulsos de animosidade e vingança sob uma única rubrica de afirmação vital.
    • Misturança entre ideais de distância aristocrática e a apoteose das paixões
    • Crítica à enumeração indiferenciada de virtudes intelectuais e instintos belicosos
    • Identificação das consequências negativas da redução de valores à imanência
  • A tentativa de fundamentar um ascetismo como fim em si mesmo, sem referência a uma dignidade superior ao humano, corre o risco de converter a disciplina em um mero auto-sadismo ou em uma busca desesperada por sensações exasperadas de si.
    • Risco de fechamento da experiência no campo da sensação bruta
    • O perigo do “Dionisismo” como intensificação selvagem do eu
    • Conexão entre essa falha teórica e as experiências desastrosas das gerações contemporâneas
  • A experiência pessoal de Nietzsche, marcada pelo impulso incoercível de superação e pela quebra de todos os vínculos, manifesta a ação de uma transcendência que, ao permanecer enclausurada na imanência, gera uma voltagem superior à que o circuito humano pode sustentar.
    • O impulso de movimento puro como forma de manifestação do transcendente
    • Causa profunda do colapso psíquico de Nietzsche no conflito entre energia e limites
    • A sensação de viver perigosamente como sintoma de uma máquina prestes a explodir
  • O caso de Nietzsche serve como índice simbólico para o tipo humano em que a transcendência despertou, mas permanece descentrada, antecipando os temas fundamentais do existencialismo contemporâneo.
    • Nietzsche como figura exemplar do despertar transcendente sem eixo
    • Paralelismo entre a crise nietzschiana e as angústias do pensamento existencial
    • Necessidade de uma demarcação clara para o homem que possui outra constituição
  • Para aqueles que seguem o caminho da afirmação absoluta sem a raiz tradicional, a única solução salvadora reside em uma ruptura ontológica de nível, onde o viver mais (mehr leben) seja transmutado em um mais que viver (mehr-als-leben).
    • Possibilidade de mudança de polaridade em situações extremas
    • Referência à expressão de Georg Simmel sobre a qualidade da vida superior
    • Alcance de uma qualificação análoga à do tipo humano não moderno
  • Tentativas contemporâneas de abertura à transcendência, como o interesse da Geração Beat pelo Zen, exigem uma iluminação súbita (satori) para evitar que o despertar de energias superiores no mundo sem Deus conduza inevitavelmente ao abismo.
    • O Zen como referência para a ruptura de nível existencial
    • Crítica ao romantismo dos “santos malditos” e criminosos angelicais
    • O abismo como destino para a transcendência ativada sem direção
  • A solução positiva definitiva consiste na transição do plano dionisíaco para uma superioridade espiritual simbolizada pelo ideal Apolíneo ou Olímpico, representando a antítese de qualquer regressão religiosa ou devocional.
    • Superioridade espiritual como única via que não implica retrocesso
    • Rejeição das “conversões” de intelectuais incapazes de sustentar a tensão niilista
    • Caráter não devocional da solução proposta pelo homem de tradição
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