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CRIAÇÃO E MITO

Tradição Hermética

  • Segundo a concepção hermética, assim como os elementos do cosmos correspondem aos do homem, também o processo da criação e o processo pelo qual o homem, por meio da Arte, se reintegra em si mesmo seguem idêntico caminho e possuem o mesmo significado, sendo a analogia entre a χημεία e a κοσμοποιία já afirmada nos textos gregos de Pelágio, Comário e Zósimo.
    • As fases da Obra refletem as fases da Criação.
    • A experiência iniciática fornece a chave da cosmogonia.
    • As cosmogonias tradicionais velam, sob mitos e enigmas, as operações da Arte.
  • Para compreender esse ensinamento, é necessário abandonar a ideia de criação como fato histórico passado e concebê-la como estado metafísico permanente, além do espaço e do tempo, equivalente ao que certos místicos chamaram de criação eterna.
    • A criação é evento sempre presente.
    • A consciência pode atualizá-la em estados profundos.
    • Esses estados pertencem ao “caos” interior segundo o princípio de imanência.
    • Os mitos cosmogônicos expressam tais estados por símbolos, deuses e atos primordiais.
  • O objetivo do ambula ab intra e da via interior hermética, que desce ao interior da terra, consiste precisamente em alcançar essa natureza profunda, razão pela qual os alquimistas interpretam episódios da cosmogonia hesiódica, bíblica, da vida de Cristo, bem como os trabalhos de Hércules e Jasão, não como fatos históricos ou fábulas, mas como alusões a estados e atos espirituais extratemporais.
    • Hesíodo e a Bíblia servem como paradigmas simbólicos.
    • A vida de Cristo é lida em chave operativa.
    • Os trabalhos hercúleos e jasônicos simbolizam transformações interiores.
    • A dimensão extratemporal é essencial.
  • O “viver o mito” no hermetismo não possui caráter místico no sentido sentimental, mas significa alcançar, por meio dos símbolos, a percepção da ordem meta-histórica na qual natureza e homem se encontram em estado de criação, ordem que encerra o segredo das energias atuantes nas coisas visíveis e na corporeidade humana.
    • Trata-se de percepção objetiva de uma ordem criadora.
    • Revela forças operantes por trás dos fenômenos.
    • Constitui premissa das operações alquímicas propriamente ditas.
  • Na tradição antiga, deuses, demônios e heróis são considerados introdutores dos mistérios da natureza à realidade física ou à consciência viva, e conhecer hermeticamente um deus significa realizar um estado criador que corresponde ao sentido metafísico e à potência oculta de um processo natural específico.
    • O conhecimento é realização de estado.
    • Cada deus expressa energia e significado.
    • O processo natural possui alma secreta.
  • As referências nos textos a gênios e deuses que, em sonhos ou visões, revelam aos “Filhos de Hermes” os segredos da Arte devem ser compreendidas nesse mesmo sentido de atualização de estados criadores e não como intervenções exteriores.
    • Sonhos e visões simbolizam processos internos.
    • A revelação é ativação de potência imanente.
    • O saber advém da realização interior.
  • A partir desses fundamentos, desenvolve-se a doutrina hermética relativa aos princípios que compõem o “conhecimento único,” no qual criação, reintegração e operação convergem em unidade.
    • Unidade entre cosmogonia e iniciação.
    • Correspondência entre macrocosmo e microcosmo.
    • Conhecimento como ato transformador.
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