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PRESENÇA HERMÉTICA
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A correta compreensão da combinação entre corpóreo e espiritual como processo vivo da experiência, e não como partes teóricas de um cosmos exterior à consciência, conduz ao ensinamento hermético da imanência, isto é, da presença da “coisa maravilhosa” no homem, o “caos vivo” onde residem todas as possibilidades.
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A imanência possui sentido simultaneamente cósmico e interior.
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Os textos herméticos alternam significados natural e humano.
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Símbolos como Pedra, Água, Mina, Matriz, Ovo, Caos, Dragão, Chumbo, Primeira Matéria, Árvore, Espírito, Telesma, Quintessência, Mulher, Céu, Semente e Terra referem-se a um único objeto contínuo.
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A linguagem cifrada gera dificuldade ao leitor inexperiente.
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A origem dessa imanência é afirmada tanto pela Tábua de Esmeralda, com o Telesma “Pai de todas as coisas”, quanto pelo Corpus Hermeticum ao declarar que o homem é composto de todas as potências, sendo confirmado por Morieno diante do rei Kalid e por Ostanes no Kitab el-Foçul que a coisa buscada está no próprio homem.
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Morieno afirma que Deus colocou no homem a coisa maravilhosa.
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O homem é mina e repositório da Pedra.
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Ostanes declara sua presença em ricos e pobres.
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A Pedra fala, mas não é ouvida.
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O Cosmopolita e os Sete Capítulos de Hermes reiteram que a Obra está dentro de cada um.
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O símbolo do Céu, associado no Evangelho ao reino interior, é empregado na tradição hermético-alquímica como designação do Primeiro Princípio, sendo a Água símbolo ainda mais frequente dessa realidade.
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A Água é descrita como eterna e onipresente.
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Boehme afirma que é Água da Vida que penetra além da morte.
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Zósimo já a qualificara como difícil de contemplar.
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A sede dessa água faz brilhar a Luz da Vida no homem.
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O homem é centro onde se concentra a quintessência do universo.
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Como o corpo é expressão concreta do ente humano, os mesmos símbolos cósmicos designam o mistério da corporeidade, entendida como aquilo que está mais próximo e visível, vil para o ignorante e preciosíssimo para o sábio.
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O dito budista afirma que o corpo contém o mundo e o caminho para sua resolução.
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A Tabula Smaragdina proclama a correspondência entre o alto e o baixo.
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Textos gregos afirmam que tudo no macrocosmo está no homem.
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Boehme declara unidade entre corpo terrestre e corpo inflamado do mundo.
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A coisa única nada recebe de exterior, mas elimina o supérfluo na Arte.
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O princípio fundamental do hermetismo estabelece múltiplas ordens de correspondência — real, analógica e mágica — pelas quais estruturas da realidade, estados metálicos e fenômenos urano-planetários são concebidos como cristalizações de forças cujo segredo se revela em estados espirituais latentes no coração da corporeidade.
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Estados metálicos como fecundações astrais no seio da terra.
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Fenômenos naturais como ossificações de forças invisíveis.
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Correspondência entre cosmos e interior humano.
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A tradição oriental ensina que o conhecimento do universo é alcançado seguindo as marcas do ātman no interior, ensinamento reiterado por Agrippa ao parafrasear Geber ao afirmar que o conhecimento de si é condição para a Arte e para o poder magnético realizador.
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Quanto maior o autoconhecimento, maior o poder operativo.
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O lema Ambula ab intra exprime a via interior.
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A Commentatio de pharmaco catholico reafirma essa direção.
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A via interior, iniciada na “pedra hierática negra” — ἱερατικὴ λίθος μελαινα — também chamada “pedra que não é pedra” e imagem do cosmos, é simbolizada pelo sigilo V.I.T.R.I.O.L. explicado por Basílio Valentim como visita às entranhas da terra para encontrar a pedra oculta.
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A terra simboliza o corpo.
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O caminho envolve retificação interior.
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Ao longo dele surgem deuses, heróis, céus, planetas e homens elementares.
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Conhecimento de si e do cosmos tornam-se um só.
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No organismo humano, assim como fora dele, encontram-se as tríades, quaternidades e demais estruturas simbólicas — os Três, Quatro, Sete e Doze; Enxofre, Mercúrio e Sal; os quatro elementos; os planetas e o zodíaco — pois “o forno é único”, o caminho é único e a Obra é única.
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Unidade de Natureza e Arte.
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Não existem verdades além da Obra.
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Macrocosmo e microcosmo convergem na terceira realidade da Obra.
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A Pedra existe mas oculta-se até que o artista coopere com a Natureza, e a Arte hermética consiste em restituir realidade às analogias e manifestar a autossuficiência da coisa única, técnica divina — τέχνη θεία, τέχνη δογματική — que, pela afinidade das naturezas, governa as naturezas semelhantes.
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A Pedra revela-se com auxílio consciente.
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A autossuficiência é marca do divino operativo.
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A Obra constitui terceiro mundo onde forças do macrocosmo e do microcosmo se unem.
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