evola:simbolos-aristocraticos
SÍMBOLOS ARISTOCRÁTICOS ROMANOS
EVOLA, Julius. Symboles et “mythes” de la Tradition Occidentale. Milano: Archè, 1980.
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Roma nasceu num período de crise que assolava as diversas civilizações tradicionais da China, do Irã, da Índia, da Grécia e do Egito, representando a última grande revolta da Luz do Norte contra essa crise.
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Com exceção do Sacro Império Romano, que se propunha retomar a antiga concepção romana aristocrática, Roma foi a tentativa vitoriosa durante todo um ciclo de arrancar os povos do Ocidente às forças da decadência igualitária já em curso nas civilizações mediterrâneas.
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Roma realizou de maneira mais pura o que a potência de Carlos Magno só atingiu em seu breve apogeu.
A significação de Roma escapa a quem não capta a heterogeneidade entre a íntima realidade de sua alma e as tradições dos povos itálicos entre os quais nasceu e se afirmou.-
De repente, sem que se saiba por quê nem como, um novo princípio faz sua aparição, reduzindo tudo ao seu poder e transformando profundamente o antigo substrato, com uma inelutabilidade idêntica à das grandes forças das coisas.
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Sobre a origem desse princípio, nada se diz, e prefere-se ficar diante do milagre romano, admirando-o mais do que explicando-o.
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Por trás da grandeza de Roma está a potência da tradição aristocrática nórdico-heroica; por trás de sua decadência e do triunfo do despotismo igualitário do Baixo Império está a alternativa dessa tradição.
Norte deve ser compreendido, num mundo já mesclado e distante do mundo pré-antigo, como tipo de uma força universal formadora, com significação supra-histórica, suscetível de aparecer no curso da história e de depositar nela suas encarnações, repetindo a encarnação primordial diretamente representada pela raça nórdico-ariana.-
A referência ao elemento nórdico de Roma e ao elemento mediterrâneo que lhe faz oposição não se limita a uma explicação baseada numa cepa étnica proveniente de uma invasão setentrional de arianos.
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Trata-se sobretudo do tipo mesmo da civilização romana, testemunho certo da presença de uma força idêntica à que, nos símbolos das grandes divindades arianas da luz e do fogo, lutou contra as civilizações telúricas e os cultos femininos das raças do Sul.
Os elementos que permitiram a reunião das civilizações itálicas no seio das quais Roma nasceu com as civilizações telúricas em suas variantes matriarcais, afrodisíacas e demétrianas são numerosos.-
O culto da deusa, que a Grécia deve à sua componente pelásguica, constituiu provavelmente a característica predominante dos etruscos e dos sabinos.
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A maior deusa sabina é a deusa ctônica Fortuna, que aparece também sob as formas de Horta, Ferônia, Vesuna, Herentas, Heries, Hora e Hera; Juno, Vênus, Ceres, Bona Dea e Deméter são no fundo avatares romanos do mesmo princípio.
Os primeiros mitos romanos são particularmente ricos em figuras femininas como Mater Matuta, Luna, Diana e Egéria, e as tradições relativas a Marte-Hércules, Numa e Egéria reproduzem o tema arcaico asiático-meridional da dependência do masculino ao feminino.-
Esses mitos se relacionam com tradições pré-romanas como a saga de Tanaquil, de origem etrusca, onde aparece a mulher real semítica que Roma procurará transformar em símbolo das virtudes da matrona.
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Sob a recente camada do mito romanizado distingue-se uma camada mais antiga ligada a um tipo de civilização oposta à civilização romana, como evidencia a sucessão real por via feminina e a aquisição do trono pela mulher, frequentes na Roma dos primeiros tempos, sobretudo com as dinastias estrangeiras e os reis de nomes plebeus.
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Sérvio Túlio, rei de acesso ao poder pela via feminina e fautor da liberdade da plebe, teria sido, segundo a lenda, um espúrio concebido durante uma festa orgíaca de escravos, análoga às que nos povos semitas celebravam o retorno à democracia, à igualdade universal e à comunhão com a deusa Terra, Grande Mãe da Vida.
Entre os etruscos e os sabinos encontram-se traços de matriarcado, e várias cidades da Itália têm como epônimas nomes de mulheres.-
Enéias, herói lendário das origens de Roma, ao se libertar de Dido rompe o laço da primazia afrodisíaca e triunfa na Itália sobre um draconteum genus.
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A coexistência do rito de inumação e do rito ariano de incineração na romanidade constitui um dos múltiplos sinais das duas camadas sobrepostas: uma visão patrícia e uma visão plebeia do post-mortem, uma religião solar patrícia e uma religião ctônico-demétrica.
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O caráter sagrado e autoritário atribuído à matrona, a matronarum sanctitas, trai mais a componente pré-romana ginocrática do que a componente romana aristocrática, varredora do direito exclusivamente paterno.
Saturno-Cronos romano, Marte, o culto de Hércules e Vesta testemunham a assimilação e a transformação dos temas nórdico-arianos sob influência meridional no interior da romanidade.-
Saturno, sem perder seus traços nórdico-arianos de rei solar da idade de ouro, toma ao longo da história os traços meridionais de um demônio telúrico, esposo de Ops, a Terra.
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Vesta é provavelmente uma transformação feminina, sob influência meridional, da divindade do fogo que entre os arianos nórdicos teve sempre caráter masculino e uraniano, terminando associada à Bona Dea adorada como divindade da Terra, celebrada secretamente à noite com proibição aos homens de assistir ao culto.
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A tradição atribui ao rei sabino Tito Tácio a introdução em Roma de todos os grandes cultos telúricos, e os Livros Sibilinos, de origem asiático-meridional, introduziram a Grande Mãe e outras grandes divindades do ciclo ctônico.
A componente egeo-pelásguica presente nos povos que Roma encontrou na Itália é incontestável, e a relação entre esses povos e o primeiro núcleo romano repete exatamente a dos Pelásguicos com as tribos aqueia e dórica na Grécia.-
Os Brutii, considerados pelos romanos como escravos rebeldes, aliaram-se aos cartagineses que iriam desencadear contra Roma uma das guerras mais importantes do Sul contra o Norte, e foram por isso condenados aos trabalhos servis.
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Na oposição dos patrícios e dos plebeus pode-se ver algo análogo à oposição da aristocracia ariana à casta servil na Índia, sendo os plebeus, segundo fórmula feliz, os Pelásguicos de Roma.
Os etruscos conheceram um mundo uraniano de divindades masculinas dominado por Tinia, mas essas divindades não têm autonomia real e são como sombras sobre as quais reina uma potência oculta inominável que tudo liga às mesmas leis.-
O uranismo etrusco trai, por esse motivo fatalista e naturalista, o espírito servil do Sul cuja essência é a subordinação de todos os seres, até os deuses, a um princípio profundo que foge à luz e cuja lei é soberana para todos os que nascem à vida contingente.
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O aspecto orgiástico, demoníaco e feiticeiro, parte essencial do culto etrusco, ilustra o império que o elemento telúrico tinha, mesmo em seus aspectos inferiores, nessa civilização.
O etrusco não tem nada do tipo aristocrático heroico-solar: olha o mundo com tristeza e obscuridade, carregando o peso de um destino fatal, ao ponto de prever o fim de sua própria nação, e a união tumultuada do tema do eros e da morte é nele característica.-
Os grandes sacerdotes dos clãs etruscos, os Lucumões, consideravam-se filhos da Terra.
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A um demônio telúrico, Tagés, é atribuída pela tradição a origem da disciplina etrusca ou haruspicina, ciência cujos livros penetravam de medo e horror os que os aprofundavam, aparentada ao fatalismo lunar dos sacerdotes caldeus.
A revolta de Roma contra o despotismo igualitário dos Tarquínios foi uma revolta da Roma aristocrática contra a componente democrática etrusca, celebrada anualmente por uma festa análoga à que os iranianos celebravam para comemorar o massacre dos sacerdotes medos usurpadores do poder real: a Magofonia.-
Roma sempre teve certa desconfiança pelo harúspice, assimilado a um inimigo oculto de Roma, como evidencia o episódio dos harúspices que queriam que a estátua de Horácio Cocles fosse enterrada: erguida no lugar mais alto, gerou eventos felizes para a cidade, e os harúspices, acusados de traição e confessados, foram condenados.
Sobre o fundo dos povos itálicos ligados ao espírito da antiga visão meridional despersonalizante, socialitária e fatalista, Roma se destaca com toda sua influência aristocrática e intransigente, que só pôde se desenvolver por meio de uma luta implacável, interna e externa, e uma série de reações, adaptações e transformações.-
Roma encarna a ideia da pessoa aristocrática, da virilidade espiritual heroica e dominadora, o princípio triunfal da tradição nórdica, conexo ao símbolo ariano do fogo, à figura olímpica de Júpiter Capitolino, de Jano e do patriciado sacral.
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A fides, sentida ao ponto de que Tito Lívio pôde dizer que ela define o povo romano, é o oposto do abandono às contingências da fortuna, característica do Bárbaro, nunca do Romano.
A percepção do sobrenatural pelo romano é mais próxima do numen, portanto como potência, do que do deus, personalizando-se num forte momento de pluralismo.-
Daí decorrem a ausência de pathos, de lirismo e de misticismo ante o divino e a lei exata e despojada do rito necessário, ressonâncias do primeiro vedismo e iranismo e do ritual olímpico aqueu, referindo-se sem equívoco a uma atitude solar e mágica.
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A religião romana desconfia dos abandonos da alma e dos impulsos doentios da devoção, refreando por força tudo o que se afasta da dignidade grave e serena que convém aos reportes de um civis romanus com Deus.
Fiel à visão heroica que a própria Hélade conheceu em suas origens, Roma conservou em sua melhor parte a impassibilidade dos homens mortais que ignoravam a angústia, a esperança ou o temor do além-túmulo.-
Roma teve seus heróis divinizados, seus reis divinos que ressurgiriam com os imperadores.
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Nada podia alterar a conduta rígida ante o dever, a fidelidade, o heroísmo, a hierarquia aristocrática e o poder.
Se os romanos aparecem, comparados aos gregos e aos etruscos, quase como bárbaros, sua ausência de cultura oculta uma força mais original e mais pura, diretamente nascida da vida e de um estilo de vida ante o qual toda civilização não é mais que exterioridade, queda e efeminação.-
O primeiro testemunho sobre Roma na Grécia hipercultivada é o de um embaixador que confessou ter-se encontrado perante o Senado romano não diante de uma assembleia de bárbaros, mas diante de um concílio de reis.
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É na epopeia e na história romanas mais do que nas teorias, religiões ou opções culturais dos eruditos que se encontra o verdadeiro mito de Roma, falando diretamente por meio de grandes símbolos esculpidos na substância mesma da história.
Cada fase do desenvolvimento objetivo de Roma se apresenta como uma vitória do espírito aristocrático ou nórdico-ocidental, e é durante as maiores tensões históricas e militares que se manifestam as maiores luzes desse espírito.-
Esse espírito vive nos fatos mesmo quando, como civilização submetida a influências estrangeiras e ao fermento plebeu, Roma já aparece alterada do espírito aristocrático: invisível e, apesar de tudo, mais forte, até o cumprimento de todo um ciclo.
O mito de Rômulo e Remo apresenta os temas originais das duas forças, igualitária e aristocrática, que disputam Roma, reproduzindo o tema dos gêmeos que se encontra em Indra-Varuna, Osíris-Set e Caim-Abel.-
Nascidos de Marte, deus guerreiro, e de uma virgem guardiã do fogo sagrado, o tema reencontra o dos anjos que conhecem mulheres para conceber raças gloriosas, e das origens divinas dos heróis helenos, dos Hêracleses e dos Apolos.
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O espírito aristocrático se encarna especificamente em Rômulo, que mata Remo, cuja tentativa de violar o recinto do pomerium determinou o ato fratricida.
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Na história mítica do período dos Reis assiste-se à luta do princípio Marte contra o elemento telúrico conexo aos plebeus, esses pélasguicos de Roma, e contra o elemento sacerdotal e lunar da componente etrusco-sabina.
A história romana sublinhou essa luta em termos geográficos simbólicos: Aventino e Palatino.-
Do Palatino, Rômulo vê o símbolo solar dos doze abutres conferindo-lhe o direito contra Remo, que tem para si o Aventino.
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Após a morte de Remo, a dualidade ressurge sob forma de compromisso com o casal Rômulo-Tácio, sendo Tácio rei dos Sabinos, praticantes do culto telúrico-lunar.
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Com a morte de Rômulo, a luta recomeça entre os Albanos, cepa guerreira de tipo nórdico-ariano, e os Sabinos.
Hércules, ao matar Cacus, filho do deus pelásguico do Fogo ctônico, e ao erigir em sua caverna no Aventino um altar ao deus olímpico, representa o tema da espiritualidade aristocrática ourânico-viril romana, celebrada por ritos dos quais as mulheres seriam excluídas.-
Hércules triunfal, com Júpiter, Marte e Apolo como Apolo Salvador, é símbolo significativo dessa espiritualidade.
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A Evandro, o bom rei que erigiu um templo à Vitória precisamente no Palatino, corresponde no Aventino a derrota de Cacus e o assassínio de Remo.
O Aventino, monte da derrota de Cacus e do assassínio de Remo, é também o monte da Deusa, onde se ergue o templo mais importante de Diana-Lua, a grande deusa da noite, erguido por Sérvio Túlio, rei de nome plebeu e fautor da plebe.-
É no Aventino que se retira a plebe rebelde ao patriciado sacral, que se celebram em honra de Sérvio as festas dos escravos e que se desenrolam outros cultos femininos como o da Bona Dea, de Carmenta, de Juno Regina, e cultos telúrico-virís como o de Fauno.
A sucessão dos reis lendários de Roma reflete as alternâncias da luta entre os dois princípios, com Numa representando o tipo lunar do sacerdote real etrusco-pelásguico dirigido pelo princípio feminino, a Egéria, prefigurando a cisão entre o poder real e o poder sacerdotal.-
Tulo Hostílio aparece como signo de uma revolta do princípio aristocrático-viril tipicamente romano contra o princípio etrusco-sacerdotal, como tipo do imperador e chefe guerreiro.
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O fato de Tulo Hostílio perecer por ter acendido o fogo no altar e feito descer o raio do céu como faziam os sacerdotes confirma, pelo símbolo, a tentativa de restauração e reintegração sacrais da aristocracia guerreira.
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A dinastia etrusca dos Tarquínios reúne o tema da primazia feminina e da tirania, conexo à proteção das camadas plebuas contra a aristocracia, até que a revolta da Roma aristocrática de 509 antes da era comum expulsa o segundo Tarquínio, quase simultaneamente ao momento em que Atenas expulsa os tiranos populares e restaura a aristocracia dórica em 510.
O povo desloca-se lentamente do interior para o exterior, mas o elemento heterogêneo democrático que persistiu na trama aristocrática da romanidade não pôde salvaguardar da antitética e superior civilização heroica de Roma a potência política em que havia vivido e se afirmado.-
A singular violência que Roma soube empregar para destruir os centros das civilizações precedentes, sobretudo a dos etruscos, muitas vezes até fazer desaparecer todo vestígio de sua potência, tradições e língua, revela um elemento fatídico, partilha de uma raça que conservou sempre o sentimento de dever sua grandeza e seu imperium a forças divinas.
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Alba, Veio, a cidade de Juno Regina, Tarquínia e um Lucumão após o outro desaparecem da história; e Cápua cai também, Cápua, centro da moleza e da opulência meridional, personificação da civilização de uma Grécia estetizante e afrodisíaca.
As guerras púnicas representam o confronto entre a tradição do Norte e a do Sul sob a forma muda da realidade e das potências políticas.-
Com o aniquilamento de Cartago, cidade votada à deusa Astarté-Tanit e à mulher real Dido, que já tentara seduzir o lendário fundador da Nobreza romana, pode-se dizer com Bachofen que Roma desloca o centro do Ocidente do mistério telúrico ao mistério uraniano, do mundo das mães ao dos pais.
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A lei romana do direito das armas conquistadoras, unida à sacralidade da vitória, encarna a antítese mais nítida do fatalismo etrusco e do abandono contemplativo e igualitário.
A concepção viril e espiritual do estado como vontade dos melhores, oposta radicalmente às formas hierático-demétrianas, resolvia-se numa ética rígida e numa expressão jurídica rigorosa da desigualdade dos indivíduos e das classes.-
A vitória da cidade, expressa sobretudo em símbolos femininos de aspecto lunar, transforma-se na vitória do César, personalizando sob o aspecto solar toda a dupla força da aristocracia e do povo.
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Gens e familia constituem-se segundo o mais puro direito aristocrático paterno: no centro, os patres, sacerdotes do fogo sagrado, árbitros da justiça e chefes militares de suas famílias, escravos e clientes.
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A civitas ela mesma, que é a lei materializada, não é mais que ritmo, ordem, hierarquia e número sagrado; os números místicos três, doze, dez e seus múltiplos estão na base de todas as suas divisões políticas.
Roma insurgiu-se sem hesitação sempre que o elemento inimigo se mostrava abertamente, reagindo contra as invasões dos cultos de Baco e Afrodite, proscrevendo as Bacanais e interditando os Mistérios de origem asiática.-
A destruição dos livros apócrifos de Numa Pompílio e o banimento dos filósofos, em particular dos pitagóricos, têm razões mais profundas que o contingente e a política que figuram como causas segundas.
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O pitagorismo, com sua evocação nostálgica de deusas como Réa, Deméter e Héstia, seu espírito lunar e matemático, seu panteísmo e seu comunismo, pode ser considerado um ramo das culturas demétrianas meridionais, oposto ao princípio aristocrático ariano.
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Numerosos autores clássicos supuseram uma estreita relação entre Pitágoras e os etruscos, e os comentários interditos dos livros de Numa Pompílio tendiam a estabelecer essa relação e a reabrir as portas ao elemento pelásguico-etrusco antirromano.
A queda do império isíaco de Cleópatra e de Jerusalém, foco do semitismo, representam novos pontos de inflexão da história interna do Ocidente, que se realiza por meio da antítese dinâmica dos ideais visíveis na trama das lutas intestinas.-
Mesmo em Mário, Pompeu e Antônio pode-se reconhecer o tema do Sul e da Ásia na tenaz tentativa de frear e reduzir a nova realidade.
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Com Cleópatra tem-se um símbolo sensível da civilização afrodisíaca à qual Antônio se submete; com César tem-se a encarnação do tipo aristocrático nórdico-ocidental do herói e do dominador.
O império de Augusto, que encarnava aos olhos da aristocracia e do populus o numen e a aeternitas do filho de Apolo-Sol, realiza um tipo de estado que manifesta o puro princípio solar centrado na glória do vencedor e na dignidade real e pontifical reunidas na pessoa do imperador.-
O imperador eleito pela aristocracia senatorial é a imagem viril do transcendente: sua ideia domina toda particularidade, todo detalhe condicionado pela terra e pelo sangue, toda forma particular de religião.
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O culto imperial não precisou negar os diferentes deuses da fides tradicional dos povos vencidos nem destruir essa pluralidade numa unidade sem forma; Roma aristocrática e imperial acolheu em seu panteão todos os cultos numa espécie de feudalismo religioso.
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Acima de cada fides particular e nacional, Roma quis uma fides superior ligada à universalidade encarnada pelo imperador e pela entidade mística da Vitória, à qual a aristocracia senatorial prestava fé ao imperador.
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A pax augusta et profunda, a paz aristocrática que reinava solaicamente nas fronteiras do mundo conhecido, foi como o reflexo terrestre do mundo ouraniano, da aeternitas e da saúde própria ao estado dos olímpicos.
Ao longo da longa luta contra o que simbolizavam o Aventino e os signos da Deusa e da Terra, pôde se manifestar em Roma a luz, o elemento universal da Tradição ariana aristocrática, suprema possibilidade do ciclo heroico do Ocidente.evola/simbolos-aristocraticos.txt · Last modified: by 127.0.0.1
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