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evola:terceira-e-quarta-verdades

TERCEIRA E QUARTA VERDADES DO ARIYA

GÊNESE CONDICIONADADOUTRINA DO DESPERTAR

Uma vez que a doutrina de paticca-samuppada tenha sido compreendida como indicativa da natureza condicionada da existência samsarica, então, como já se afirmou, a terceira e a quarta verdades do Ariya seguem-se diretamente. A terceira postula a possibilidade de destruir o estado gerado pelos doze nidana; e a quarta diz respeito ao método pelo qual essa possibilidade pode ser realizada e conduz à consecução do despertar e da iluminação.

Como pressuposto ascético prático, o princípio da imanência é válido aqui. Ele é expressivamente formulado em uma narrativa alegórica sobre o “fim do mundo”. Um dos interlocutores do Buda afirma que certa vez fora levado — com rapidez mágica — cada vez mais adiante, sem conseguir alcançar o fim do mundo. O Buda responde: “Não se pode, caminhando, alcançar o fim do mundo” — e passa imediatamente ao significado simbólico ao acrescentar: “onde não há nascimento, nem decadência, nem morte, nem surgimento, nem perecimento.” Caminhando, prosseguindo — isto é, ao longo do samsara — não se encontra o fim do mundo. Pois ele está em si mesmo. O mundo chega ao fim quando as intoxicações ou manias, os asava, são destruídos. E aqui o princípio é enunciado: “Neste corpo de uma braçada de extensão, dotado de percepção e consciência, está contido o mundo, o surgimento do mundo, o fim do mundo e o caminho que conduz ao fim do mundo.” O corpo tomado em seu todo é o centro concreto da experiência samsarica do mundo; contudo, tanto em seus aspectos físicos quanto em seus aspectos invisíveis e ocultos, todos os nidana são imanentes. Pode-se, entretanto, encontrar as raízes dessa experiência e, além disso, as forças que eventualmente podem cortar essas raízes, tornando-se assim possível transformar um modo de ser em outro.

Nesse contexto, enfatiza-se frequentemente o poder da “mente”; mente, isto é, em um sentido geral, e não apenas como faculdades psicológicas. “O que somos é o resultado de nossos pensamentos; a mente é o fundamento de todas as nossas condições; elas são formadas pela mente.” “O mundo é conduzido pela consciência, arrastado pela consciência, sujeito ao poder da consciência que surgiu.” É a mente que “engana o homem e mata seu corpo.” Por causa dela, “existe tudo aquilo que possui forma.” “A mente, nosso destino e nossa vida — essas três coisas estão intimamente ligadas. A mente dirige e guia, e determina nosso destino aqui embaixo, do qual depende nossa vida: assim, em uma sucessão mútua e perene.” Mas a mente depende do homem: pode conduzi-lo ao mundo da agitação e da impermanência, contudo, a ela o Príncipe Siddharttha devia seu despertar, seu tornar-se um Buda.

Foram agora discutidos todos os pressupostos necessários para a ascese budista, tanto como ascese em geral quanto como a Doutrina Ariana do Despertar.

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