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NOITE DE NÚPCIAS

Segundo o autor, seu propósito escrevendo tal obra foi desembaraçar da sociologia e da etnologia um cliché mal formulado que falseia as perspectivas históricas. O assunto era então escabroso. Corajosamente o autor o abordou em A INICIAÇÃO SEXUAL E A EVOLUÇÃO RELIGIOSA. Entendeu que assim conseguia enfrentar os preconceitos sobre o tema. Assim esclarecida melhor a questão, neste estudo o autor quer ir mais adiante nesta temática. Segundo o que ele mesmo escreve:

Considera-se como uma evidência que os costumes sexuais dos selvagens atestam o nível grosseiro original da humanidade. O longínquo ancestral teria tido os mesmos costumes dos animais (não se indica, no entanto, quais); os cultos fálicos do neolítico provariam a baixeza de suas perspectivas religiosas…

Assim por diante, o autor demonstra que se pinta um quadro “animalesco” do ser humano primitivo, em tudo incompatível com a Idade de Ouro e a Idade de Prata, retratada nas principais tradições que apresentam os Ciclos da humanidade. Considerando tal quadro fundamentado em uma teoria contrária aos fatos, o autor do exame de material antropológico e etnológico, arqueológico e mítico, conclui que a humanidade mais antiga teve ideias de excepcional elevação, cujos usos posteriores marcam uma degenerescência. Os costumes que atualmente nos desconcertam não se explicam senão pela altitude do distante ponto de partida. Seriam totalmente incompreensíveis se o homem tivesse tido por princípio as brutalidades do instinto. As noções correntes sobre o desenrolar da História merecem, portanto, uma revisão.Considera-se evidente que os costumes sexuais dos povos primitivos atestam o nível grosseiro e originário da humanidade. O ancestral distante teria tido os hábitos dos animais (sem especificar quais); os cultos fálicos do neolítico comprovariam a visão materialista de suas crenças religiosas; e o fato de que, em diversas populações contemporâneas, um jovem se recusa a casar com uma jovem virgem demonstraria a inexistência de qualquer dimensão espiritual na união conjugal primitiva. O ato carnal teria tido, no máximo, ao longo do tempo, o valor de um “encanto mágico de fecundidade”. Seria desse contexto que o ser humano teria se elevado progressivamente, impulsionado por um misterioso ímpeto interno, em direção a concepções mais nobres da sexualidade.

Querendo pôr fim a essa teoria, tão contrária aos fatos, coletamos cuidadosamente os dados que supostamente a fundamentam—dados que nunca foram analisados metodicamente. A conclusão que emerge desse exame, sem dúvida, é que a humanidade mais antiga possuía ideias de excepcional elevação, cujos costumes posteriores evidenciam sua degeneração. Os hábitos que hoje nos parecem desconcertantes só podem ser compreendidos se considerarmos a altura do ponto de partida distante. Seriam, como o leitor perceberá facilmente, totalmente incompreensíveis se o homem tivesse como princípio as brutalidades do instinto. As concepções comuns sobre o desenvolvimento da História precisam, portanto, ser reformuladas.

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