RITUAL INICIÁTICO OU RITUAL DE MORTE E RESSURREIÇÃO
As páginas anteriores sugerem que o ritual iniciático, através do qual o pensamento morre ao universo apreendido como sensações, a fim de readquirir o universo radiante, foi a contrapartida da queda original e constitui o fato primordial dos anais humanos. É também o dado social universal, tanto no tempo como no espaço. As liturgias e disciplinas da morte e do renascimento respondem estritamente ao desastre da ocultação primitiva, da qual procedem e que têm como objetivo corrigir, de modo a permitir o retorno do espírito à iluminação sobrenatural do início.
Costuma-se escrever que as grandes tradições antigas e, de maneira geral, todas as iniciações, dizem respeito ao mistério da morte e da sobrevivência. Na realidade, esse é um de seus aspectos, se não secundários, pelo menos derivados, que se destacou principalmente sob a influência do ciclo cultural matriarcal e do animismo. Elas se propõem, acima de tudo, a revelar a presença de um elemento luminoso no seio da matéria opaca, de um fermento divino nas profundezas do caos terrestre, de uma clareza imortal nas trevas humanas. É por isso que elas se relacionam diretamente com a lembrança do jardim do Éden. A noção de sobrevivência após a morte decorre disso de forma lógica, mas sem constituir o ponto fundamental nem o ponto de origem. É importante fornecer algumas precisões a esse respeito.
