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AS ORIGENS DA SOCIEDADE TEOSÓFICA
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A chegada de Helena Blavatsky aos Estados Unidos em 1873 foi acompanhada pela alegação de que a mesma estava sob o controle espiritual de uma entidade denominada John King.
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O nome John King aparece invariavelmente associado a diversos médiuns fraudulentos desmascarados na mesma época.
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Blavatsky afirmou posteriormente ter sido enviada de Paris para a América com a missão de demonstrar os enganos da teoria espiritualista.
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A atribuição dessa missão aos Mahatmas constitui uma explicação formulada a posteriori, uma vez que tais figuras não eram mencionadas no período inicial em Paris.
O encontro entre Blavatsky e Henry Steele Olcott ocorreu em outubro de 1874, motivado pelo interesse comum em fenômenos espíritas manifestados na fazenda dos Eddy.-
Olcott possuía trajetória como engenheiro agrônomo, oficial da polícia militar e jornalista, além de frequentar lojas maçônicas e sociedades espíritas.
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A aproximação entre ambos teria sido facilitada pelo conhecimento prévio que Olcott possuía da entidade John King, a quem ele afirmava ter encontrado em Londres em 1870.
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A credibilidade de Olcott é questionável, visto que o próprio definia seu papel como o de atrair a atenção do público, sugerindo que não era um observador ingênuo.
A identidade de John King pode ter ocultado a figura de um homem vivo e iniciado em lojas maçônicas, servindo como agente de um grupo misterioso que articulou a associação entre Blavatsky e Olcott.-
Registros indicam que John King era tratado como membro de uma loja maçônica, compartilhando essa filiação com Olcott, Stainton Moses e Victor Michal.
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Há indícios que ligam o nome de John King a um indivíduo chamado Henry de Morgan, possivelmente o real mentor por trás do codinome.
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O abandono dessa influência ocorreu por volta de 1875, coincidindo com o fracasso de um clube de milagres na Filadélfia devido à descoberta de fraudes cometidas por Blavatsky.
A mudança de orientação de Blavatsky em 1875 foi determinada pelo contato com George H. Felt, membro da Hermetic Brotherhood of Luxor (H. B. of L.).-
A H. B. of L. opunha-se às teorias espíritas clássicas, defendendo que os fenômenos eram produzidos por formas dirigidas por homens vivos.
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John King foi substituído por uma nova entidade denominada Serapis, enquanto Blavatsky passava a negar sua condição de médium profissional para se apresentar como estudiosa do ocultismo e da cabala.
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A pretensão de uma iniciação tibetana anterior é contradita pelas declarações de Blavatsky sobre sua filiação à sociedade mística de Felt na época.
As sucessivas alterações nos protetores espirituais de Blavatsky revelam a inconsistência das narrativas teosofistas sobre sua juventude.-
O papel de protetor oculto, inicialmente atribuído a John King e depois ao Mahatma Morya, foi também associado a fées ou espíritos da natureza por outros membros como Leadbeater.
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Blavatsky e Olcott foram eventualmente expulsos da H. B. of L., organização que se manteve em oposição doutrinária constante à Sociedade Teosofica.
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Documentos de dignitários da H. B. of L. classificam o teosofismo como uma tentativa de perversão do espírito ocidental, negando as doutrinas de karma e reencarnação.
A fundação da Sociedade Teosófica em Nova York, em novembro de 1875, resultou da transformação de um grupo de investigações espiritualistas.-
Entre os fundadores figuravam William Q. Judge e maçons de alto grau como Charles Sotheran e o general Albert Pike.
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O nome teosófico foi adotado de forma acidental para satisfazer as preferências de Henry J. Newton, um rico financiador do grupo.
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Felt, que preferia a denominação de Sociedade Egiptológica, afastou-se do grupo, enquanto Newton se retirou após perceber fraudes atribuídas a Blavatsky.
Os princípios originais da Sociedade Teosófica baseavam-se em definições dicionarizadas superficiais e revelavam um estágio de busca informativa, não de posse de uma tradição estabelecida.-
O objetivo inicial era obter provas de um universo invisível e de seus habitantes por meio de processos físicos.
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A inexistência de dogmas e a intenção de aprender a verdade de qualquer fonte contradiziam as pretensões de uma sabedoria tibetana prévia.
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A substituição de Serapis por um irmão caxemiriano marcou uma nova fase de alianças externas.
A aliança estabelecida com a Arya Samaj na Índia, liderada por Dayananda Saraswati, visava associar a Sociedade Teosófica a um movimento de reforma religiosa de caráter antitradicional.-
Blavatsky tentou falsamente conferir à Arya Samaj uma antiguidade pré-cristã e um caráter maçônico inexistentes.
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O movimento de Saraswati assemelhava-se ao protestantismo ocidental em suas tentativas de purificar o hinduísmo de influências sacerdotais.
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A união baseou-se na rejeição comum ao espiritismo fenomênico, embora as motivações de Saraswati fossem distintas das de Blavatsky.
O rompimento da Arya Samaj com a Sociedade Teosófica em 1882 ocorreu após Dayananda Saraswati denunciar Blavatsky como uma farsante.-
Saraswati afirmou que Blavatsky desconhecia a ciência oculta dos iogues e que seus fenômenos eram frutos de prestidigitação e mesmerismo.
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A sucessão de guias espirituais como John King, Serapis e o irmão caxemiriano apenas refletia as influências humanas e grupais que atuavam sobre a fundadora.
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Blavatsky funcionou frequentemente como um instrumento de grupos ocultos que se abrigavam sob sua personalidade.
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