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A SOCIEDADE TEOSÓFICA E O ROSACRUCIANISMO

TEOSOFISMO

  • O ingresso de Henry Steele Olcott em uma fraternidade mística em 1876 revela a existência de relações epistolares com chefias ocultas que possuíam conhecimentos desconhecidos por Helena Blavatsky.
    • A natureza dessa fraternidade permanece incerta, descartando-se a Hermetic Brotherhood of Luxor e a Arya Samaj, cujas alianças ocorreram em momentos distintos.
    • A ausência de menções à Fraternidade do Tibete ou à Grande Loja Branca nesse período inicial sugere que tais conceitos foram elaborados posteriormente para justificar influências prévias.
  • A correspondência de Olcott direcionada a William Stainton Moses evidencia o esforço deliberado de agentes ocultos para intervir psicologicamente no destino de Blavatsky e impedir seu deslocamento para a Índia.
    • A preocupação de Olcott centrava-se no abatimento moral de Blavatsky devido a calúnias europeias, temendo a dissolução da parceria estabelecida.
    • O apoio financeiro de Mme Thompson, uma viúva detentora de grande fortuna, visava possibilitar a Blavatsky o estudo direto das tradições orientais, contrariando os interesses de Olcott e de seu mentor espiritual.
  • A precariedade da iniciação de Blavatsky manifesta-se em sua declarada necessidade de viajar à Índia para estudar e obter convicções próprias, o que invalida as alegações de uma sabedoria prévia adquirida no Tibete.
    • A hesitação e o desejo de ver por si mesma comprovam que a fundadora não possuía, naquele momento, um sistema doutrinário fixo ou estabelecido.
    • A oposição de Olcott e Stainton Moses a essa viagem não provinha de organizações orientais, mas de uma influência ocidental específica que ambos representavam.
  • A identidade da entidade denominada Imperator, invocada por Olcott, remete ao título de chefia da Order of the Golden Dawn in the Outer, uma sociedade secreta voltada ao estudo da magia prática.
    • O Imperator manifestava-se como uma inteligência guia no círculo espiritualista do Dr. Speer e de Stainton Moses.
    • A Golden Dawn operava de forma análoga ao rosacrucianismo, mantendo o anonimato de seus membros e a autoridade absoluta de seus três oficiais principais.
  • A Societas Rosicruciana in Anglia constitui a base organizacional da qual derivou a Golden Dawn, limitando sua filiação a mestres maçons e estruturando-se em nove graus hierárquicos.
    • Fundada por Robert Wentworth Little em 1867, a sociedade estabeleceu faculdades em cidades como Londres e York, expandindo-se posteriormente para a Escócia e América.
    • A organização afirma-se como guardiã da tradição ocidental, reservando conhecimentos práticos apenas aos iniciados de grau superior.
  • A relação de amizade entre a Sociedade Teosófica e a Golden Dawn foi oficializada por manifestos que apresentavam os estudantes desta última como representantes externos da tradição rosacruciana.
    • O conde Mac-Gregor Mathers, dignitário da Societas Rosicruciana, confirmou publicamente o vínculo cordial entre ambas as instituições em 1889.
    • A existência de uma elite de sete adeptos detentores do elixir da longa vida, mencionada por Mac-Gregor, reforça a tese de influências ocultas persistentes sobre o movimento teosófico.
  • A conexão familiar entre a esposa de Mac-Gregor e o filósofo Henri Bergson fornece um dado acessório que permite traçar paralelos entre as tendências do teosofismo e certas correntes do pensamento moderno.
    • Tentativas de restauração do culto de Ísis em Paris contaram com a participação de Mac-Gregor e o apoio do escritor Jules Bois.
    • Observadores contemporâneos, como Georges Pécoul, sugeriram que tanto as teorias teosóficas quanto a filosofia bergsoniana poderiam derivar de influências intelectuais comuns e ocultas.
  • O interesse de Bergson por experimentações psíquicas e a busca por evidências da sobrevivência da alma assemelham o método filosófico moderno às pretensões do espírito científico dos espiritualistas.
    • A busca por estabelecer experimentalmente a probabilidade de sobrevivência pós-morte aproxima a reflexão de Bergson das alegações fundamentais do espiritismo.
    • A adesão de cientistas como William Crookes e Lombroso a doutrinas psíquicas ilustra os riscos de se abordar tais fenômenos sem garantias que transcendam a ciência puramente física.
  • O desdém de Olcott pelos rosacrucianos modernos, enquanto esteve sob a esfera da Hermetic Brotherhood of Luxor, revela a fragmentação e a mútua desconfiança entre as diversas organizações ocultistas da época.
    • Olcott considerava a fraternidade rosacruciana uma casca vazia desde a morte de Cagliostro, comparando sua decadência à da maçonaria operativa.
    • Os ensinamentos da H. B. of L. sustentavam que o termo Rosa-Cruz era apenas uma designação parcial utilizada pelos irmãos para despistar o mundo profano.
  • O papel do Dr. Franz Hartmann na Sociedade Teosófica é marcado pela tentativa de legitimar ramos rosacrucianos alternativos, alegadamente descobertos na Baviera.
    • Hartmann promoveu a Ordem da Rosa-Cruz Esotérica baseando-se em lendas sobre uma fraternidade real situada em Kempten.
    • Suas obras sofreram críticas severas dos chefes da Societas Rosicruciana in Anglia, evidenciando as tensões internas entre os membros teosofistas que reivindicavam a herança rosacruciana.
  • A obra romanesca de Hartmann descrevendo um monastério teosófico idealizado reflete a persistência do título de Imperator como símbolo de autoridade suprema nas tradições rosacrucianas alemãs.
    • O título de Imperator remonta à Rosa-Cruz de Ouro de 1714, sendo adotado por diversas organizações sucessoras que alegavam genealogias fabulosas desde a origem da humanidade.
    • Tradições ocultistas sugerem que a ação desse cargo teria assumido um caráter político após o desaparecimento formal das antigas ordens.
  • A exploração econômica de ideais teosófico-monásticos resultou na criação da sociedade por ações Fraternitas na Suíça, envolvendo nomes próximos a Blavatsky, como a condessa Wachtmeister.
    • O projeto visava materializar o estabelecimento imaginado por Hartmann, demonstrando a intersecção entre interesses financeiros e aspirações místicas.
    • A Rosa-Cruz Esotérica manteve vínculos com ordens de caráter político suspeito e com os Templários Orientais fundados pelo Dr. Karl Kellner.
  • A pulverização do termo rosacrucianismo na modernidade descaracterizou seu sentido original, tornando-o um rótulo genérico para organizações independentes e frequentemente divergentes.
    • Grupos contemporâneos liderados por figuras como Rudolf Steiner adotam a denominação sem manter vínculos entre si ou com organizações ancestrais.
    • A multiplicidade de sociedades que utilizam o epíteto de Rosa-Cruz ou Templário exige cautela analítica para não atribuir erroneamente características de um grupo a outro totalmente estranho.
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