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A QUESTÃO DOS MAHÂTMÂS
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O deslocamento definitivo de Helena Blavatsky para a Índia em 1878 foi precipitado pela ruína de sua reputação na Europa após as denúncias de fraudes efetuadas pelo médium Dunglas Home.
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A saída de Blavatsky para o Oriente visava o ocultamento de sua identidade em um local onde não fosse conhecida, motivada pela vergonha das acusações públicas.
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Henry Steele Olcott abandonou sua família e responsabilidades financeiras nos Estados Unidos para acompanhar Blavatsky, apesar de sua situação econômica precária.
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A naturalização americana de Blavatsky em 1878 precedeu a viagem, que teve como escalas iniciais Bombaim e, posteriormente, a fixação do centro da Sociedade Teosófica em Adyar em 1882.
A fundação da seção esotérica em Adyar marcou a proliferação de fenômenos pretensamente sobrenaturais, como a precipitação astral de cartas, que serviram de base para a propaganda europeia do movimento.-
Manifestações físicas, como tintementos de clochetes e materializações de objetos, eram utilizadas para impressionar e converter novos adeptos, conforme relatado por A. P. Sinnett.
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Práticas de fabricação de pinturas e desenhos ditos mediúnicos eram continuações de métodos já empregados fraudulentamente por Blavatsky na Filadélfia.
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A influência atribuída a esses fenômenos era por vezes ligada por Olcott à mesma inteligência que inspirava Stainton Moses, sugerindo uma fonte comum ocidental por trás das manifestações.
A introdução da figura de Koot Hoomi Lal Singh como o novo mestre de Blavatsky representou a transição para a fase dos Mahatmas tibetanos na narrativa teosofista.-
O nome Koot Hoomi Lal Singh apresenta uma composição híbrida e contraditória, unindo elementos possivelmente tibetanos a um sobrenome indiano de casta guerreira.
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A prática de adotar nomes místicos no momento da iniciação era um recurso comum em sociedades secretas ocidentais conhecidas por Blavatsky, como a Rosa-Cruz de Ouro.
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As versões sobre a origem de Koot Hoomi incluíam uma educação na ciência ocidental na Europa, o que criava inconsistências teóricas com as alegações de sua posse secular de sabedoria oriental.
Os Mahatmas ou Mestres de Sabedoria são definidos pelo teosofismo como os membros de mais alto grau da Grande Loja Branca, responsáveis pelo governo oculto do mundo.-
A estrutura dessa hierarquia assemelha-se ao modelo rosacruciano de sete adeptos detentores de longevidade extraordinária e conhecimentos transcendentes.
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O sistema teosófico amalgama de forma eclética conceitos brâmanicos, como o Manu, e budistas, como o Bodhisattva, para compor a autoridade desses mestres.
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Embora o termo Mahatma tenha sido utilizado para designar esses seres, seu sentido original em sânscrito refere-se a um princípio metafísico e não a indivíduos humanos.
A autenticidade das mensagens atribuídas aos Mahatmas foi contestada por evidências de que os textos eram fabricados por Blavatsky com o auxílio de seus discípulos próximos.-
Allen O. Hume retirou-se do movimento ao constatar as contradições nas correspondências que serviram de base para a obra Budismo Esotérico.
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Uma das cartas atribuídas a Koot Hoomi foi identificada como plágio de um discurso do professor Henry Kiddle proferido em Nova York.
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O escândalo resultante do plágio motivou demissões em massa de membros importantes nas seções de Londres e Paris, incluindo Stainton Moses e Mabel Collins.
A substituição de Koot Hoomi por Morya como guia principal foi uma estratégia para contornar o descrédito gerado pelos erros nas correspondências astrais.-
Narrativas fantasiosas elaboradas por C. W. Leadbeater tentavam estabelecer vínculos milenares entre Morya, Blavatsky e Olcott desde a época da Atlântida.
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A utilização de iniciais como K.H., M. e D.K. servia para manter uma aura de mistério e evitar o desrespeito de críticos aos nomes dos supostos mestres.
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Atribuiu-se a esses mestres papéis cósmicos futuros, como o de orientadores de novas raças humanas, associando-os simbolicamente a planetas como Marte e Mercúrio.
A construção teosófica dos Mahatmas seguiu modelos preexistentes de ordens iniciáticas ocidentais, como os Superiores Desconhecidos da Maçonaria do século XVIII.-
A caracterização dos mestres como homens vivos dotados de poderes psíquicos e longevidade foi inspirada em figuras lendárias como o conde de Saint-Germain.
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A ideia de situar a morada desses seres na Índia ou na Ásia Central reflete tradições rosacrucianas que afirmavam a partida dos antigos mestres europeus para o Oriente.
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Blavatsky utilizou obras de autores como o barão de Tschoudy e Thomas Vaughan para compor o perfil e as faculdades de seus Mahatmas.
A crença na existência e na autoridade direta dos Mahatmas constitui o fundamento indispensável do sistema teosofista, sem o qual a Sociedade seria considerada absurda por seus próprios líderes.-
Annie Besant e a comtesse Wachtmeister afirmaram que a veracidade do ensinamento teosófico depende integralmente da realidade objetiva desses adeptos.
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A adesão à Sociedade é apresentada como uma colocação sob a proteção direta de guias supremos da humanidade, elevando o movimento a uma importância histórica excepcional.
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O teosofismo contemporâneo mantém a centralidade dos mestres, embora as manifestações fenomênicas tenham se tornado menos frequentes do que no período inicial.
A relação entre os membros da Sociedade e suas lideranças visíveis frequentemente assume características de veneração idolátrica, mediada pela suposta proximidade destas com os Mahatmas.-
Orientações internas sugerem que o discípulo deve meditar sobre a imagem de Annie Besant para sintonizar-se com os mestres superiores.
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Manifestações de adoração à figura de Blavatsky e atribuições de divindade a Besant demonstram a transposição da devoção mística para as personalidades que dirigem a organização.
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