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AS FONTES DAS OBRAS DE MADAME BLAVATSKY

TEOSOFISMO

  • O conhecimento manifestado nas obras de Helena Blavatsky carece de origem em revelações de Mahatmas autênticos, derivando em realidade de viagens e leituras assistemáticas e mal assimiladas efetuadas pela fundadora.
    • A cultura da autora é definida como vasta, porém desprovida de rigor metodológico.
    • Durante peregrinações no Levante com Paulos Metamon, o acesso a bibliotecas de monastérios do monte Athos teria fornecido subsídios para a inclusão da teoria alexandrina do Logos em seus escritos.
    • A permanência em Nova York possibilitou o estudo de Jacob Boehme, representando o contato mais aproximado com a teosofia autêntica, além de obras de Eliphas Levi, Knorr de Rosenroth e diversos tratados de cabala e hermetismo.
  • A correspondência de Henry Steele Olcott a Stainton Moses revela a utilização de uma gama diversificada de obras ocidentais como base de estudos para a composição dos textos teosóficos primordiais.
    • Foram consultados trabalhos de Gougenot des Mousseaux sobre magia e as descrições dos egípcios modernos de Lane.
    • Entre os escritos mencionados figuram L'Etoile Flamboyante, Magia Adamica e textos herméticos anônimos como The Key to the concealed things.
    • A influência de obras pouco rigorosas sobre a Índia, como as de Louis Jacolliot, é evidenciada pelas recomendações de Olcott.
  • A redação de Isis Sem Véu e de A Doutrina Secreta contou com a colaboração direta de diversos indivíduos, o que explica as variações estilísticas que o movimento atribui à influência de diferentes mestres.
    • Olcott participou da composição da primeira obra, enquanto nomes como T. Subba Rao e outros auxiliaram na segunda.
    • Episódios de escrita automática ou sonambúlica por parte de Blavatsky são admitidos como possíveis, embora os textos produzidos nestas condições reflitam apenas as correntes de pensamento de seu próprio entorno.
    • A aquisição de livros raros para a biblioteca da Sociedade em Nova York e o legado de manuscritos do barão de Palmes constituíram fontes materiais essenciais para a fabricação das supostas comunicações dos Mahatmas.
  • A teoria dos elementais e o conhecimento fragmentário de línguas orientais demonstram a ausência de uma base iniciática tradicional na fundação do sistema.
    • George Felt é apontado como o provável introdutor da ideia de elementais, atribuída erroneamente aos antigos egípcios.
    • A ignorância de Blavatsky quanto ao sânscrito é reconhecida por Charles Leadbeater, o que resultou em terminologia confusa e contrassenso constantes na aplicação de termos orientais.
    • A substituição de nomes sânscritos por equivalentes ingleses por Annie Besant visou mitigar as dificuldades geradas pela terminologia original defeituosa.
  • A utilização de termos orientais e neologismos forjados serve prioritariamente para conferir uma aura de exotismo e autoridade a concepções puramente ocidentais e modernas.
    • Vocábulos como Fohat, Devachan e Dhyan-Chohan são identificados como corrupções ou amálgamas híbridos de diferentes línguas sem base linguística real.
    • A exploração desse exotismo de baixa qualidade atrai uma clientela incapaz de verificar a validade das pretensões doutrinárias, assemelhando-se a um fenômeno de esnobismo intelectual.
  • Os textos tibetanos apresentados como secretos, tais como as Estâncias de Dzyan e A Voz do Silêncio, contêm interpolações modernas e fragmentos extraídos de traduções acessíveis publicamente.
    • Partes autênticas dessas obras derivam de traduções do Kandjur e Tandjur publicadas por Alexandre Csoma de Körös em 1836.
    • O conjunto das obras de Blavatsky é classificado como uma compilação indigesta, caótica e repleta de contradições internas sobre temas fundamentais como a natureza de Deus, o Nirvana e o vegetarianismo.
  • As variações doutrinárias entre Isis Sem Véu e A Doutrina Secreta são especialmente visíveis no que concerne à teoria da reencarnação, revelando as mudanças de influência sofridas pela autora.
    • Na primeira obra, influenciada pela Hermetic Brotherhood of Luxor, a reencarnação era rejeitada como uma exceção monstruosa ou erro da natureza.
    • A posterior adoção do reencarnacionismo como dogma central baseou-se em ideias de socialistas franceses e do espiritismo de Allan Kardec, modificadas para parecerem mais filosóficas.
    • Alegações tardias de que o texto inicial fora mal compreendido constituem um recurso de má-fé para ocultar a instabilidade das proposições doutrinárias.
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