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ÚLTIMOS ANOS DE MADAME BLAVATSKY
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O período final da vida de Helena Blavatsky, iniciado após sua estadia em Wurtzburgo e passagens por Elberfeld, foi dedicado à redação intensiva de A Doutrina Secreta em Ostende, sob o acompanhamento da condessa Wachtmeister.
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Registros de testemunhas descrevem uma rotina de trabalho exaustivo, estendendo-se das seis horas da manhã às seis horas da tarde, com breves interrupções apenas para refeições.
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A fixação definitiva em Londres, em setembro de 1887, contou com o auxílio de Bertram e Archibald Keightley na correção do inglês, além da colaboração de D. E. Fawcett nas seções relativas à evolução.
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A fundação da revista Lucifer em 1887 estabeleceu um novo órgão sob direção direta da fundadora, somando-se ao Theosophist de Adyar e ao Path da seção americana.
A recepção das obras de Blavatsky na França foi marcada pelo surgimento da revista Le Lotus e por severas críticas de seu diretor, F.-K. Gaboriau, que denunciou a duplicidade da fundadora e a natureza caótica de seus escritos.-
Gaboriau confessou ter sido iludido pela aparência de inocência e superioridade de Blavatsky durante um encontro em Ostende, vindo a retratar-se publicamente após obter provas de sua impostura.
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A Doutrina Secreta foi classificada pelo editor francês como uma enciclopédia sem ordem e um fouillis inextricable, opinião compartilhada por T. Subba Rao, que se recusou a corrigir o manuscrito.
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O coronel Olcott foi depreciado por Gaboriau como um indivíduo sem instrução ou eloquência, cuja credibilidade beirava a cumplicidade consciente, atuando meramente como um agente comercial da doutrina.
A estrutura administrativa da Sociedade Teosófica foi reorganizada em 1889 e 1890, resultando na criação de três seções autônomas sob a supervisão central de Blavatsky e Olcott.-
Blavatsky reservou para si o controle absoluto da seção esotérica, delegando a Olcott funções de representante oficial na Ásia e nomeando Annie Besant como uma de suas procuradoras na Grã-Bretanha.
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A seção europeia única, constituída em julho de 1890, detinha autonomia administrativa análoga à seção americana dirigida por William Q. Judge.
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Apesar da descentralização formal, as sociedades nacionais permaneceram subordinadas às diretrizes emanadas de Adyar, tornando a autonomia um conceito restrito à gestão burocrática.
Crises internas na seção americana foram deflagradas pelas revelações do Dr. Elliott E. Cowes, que expôs o uso de bibliotecas privadas ocidentais como fontes para as supostas revelações dos Mahatmas.-
Cowes demonstrou que grande parte de Ísis Sem Véu derivava de manuscritos do baron de Palmes e de obras de Eliphas Lévi, o que resultou em sua exclusão da Sociedade.
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Um processo judicial movido por Judge contra Cowes foi posteriormente abandonado em decorrência do falecimento de Blavatsky.
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Em resposta às acusações, Blavatsky enviou uma epístola aos membros franceses queixando-se de calúnias e ameaçando com medidas judiciais, além de apontar Papus como colaborador de seus detratores.
O falecimento de Helena Blavatsky em 8 de maio de 1891 deu lugar a novas narrativas teosofistas que alegavam sua imediata transmigração para um corpo masculino maduro.-
C. W. Leadbeater sustentou que a fundadora ocupou um organismo previamente preparado, princípio de substituição de personalidade que seria recorrente no teosofismo posterior.
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Annie Besant vaticinou em 1897 a próxima manifestação pública dessa reencarnação masculina, embora tal evento nunca tenha se concretizado.
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As exceções abertas para as reencarnações rápidas de Blavatsky e Olcott confrontam as leis de intervalos milenares estabelecidas nas cartas originais dos mestres.
As contradições doutrinárias sobre os prazos de reencarnação foram justificadas por Leadbeater mediante reinterpretações de termos utilizados na Doutrina Secreta e em textos de A. P. Sinnett.-
Leadbeater argumentou que os intervalos de mil e quinhentos anos referiam-se apenas a indivíduos altamente desenvolvidos, estabelecendo prazos muito menores para as massas humanas.
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A atribuição de erros doutrinários à negligência de discípulos ou a instruções restritas a círculos privados serviu como tática para encobrir as incoerências do sistema.
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A manutenção de registros escritos abundantes pela Sociedade, contrariamente ao segredo de organizações ancestrais, facilitou a detecção histórica dessas manipulações e fraudes.
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