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O BUDISMO ESOTÉRICO
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A inexistência de uma doutrina teosófica coerente manifesta-se nas constantes variações e contradições presentes tanto nos escritos de Helena Blavatsky quanto nas interpretações de seus sucessores.
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A Sociedade Teosófica sustenta a ambiguidade de afirmar que não possui doutrina obrigatória para a generalidade dos membros, enquanto a impõe rigorosamente aos integrantes da seção esotérica.
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A liberdade de opinião no círculo externo é ilusória, pois críticas aos ensinamentos resultam em marginalização ou expulsão dos dissidentes.
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O ingresso na seção esotérica exige a assinatura de uma fórmula que obriga o candidato a atestar a autenticidade de conhecimentos que ele ainda não possui.
O sistema religioso oficial do teosofismo, apresentado como a essência comum de todas as verdades, constitui um amálgama hétéroclite de correntes díspares fundamentadas em ideias ocidentais modernas.-
A doutrina sintetiza elementos do neoplatonismo, gnosticismo, cabala judaica e hermetismo, orbitando conceitos de origem puramente moderna.
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O termo Budismo Esotérico, inicialmente cunhado por A. P. Sinnett, foi posteriormente defendido por Blavatsky através de uma distinção ortográfica artificial para significar Religião da Sabedoria.
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A tentativa de ligar o termo Budismo ao sânscrito bodha ou bodhi ignora que a raiz para inteligência é grafada com dois d, mantendo a confusão terminológica original.
A pretensão de derivar a doutrina de uma tradição budista secreta é invalidada pelo caráter historicamente popular e exotérico do budismo original e por sua ruptura com a tradição brahmânica.-
O budismo surgiu na Índia como uma heresia social e doutrinária que rejeitava as castas e a autoridade dos Vedas.
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A tese de Sinnett que associava Shankaracharya a uma reencarnação de Buda, baseada em afirmações de T. Subba Rao, é rejeitada pelas autoridades hindus autênticas.
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O budismo sobrevive de forma pura apenas no Ceilão e na Birmânia, tendo se tornado irreconhecível nas demais regiões para onde se expandiu.
O fascínio dos orientalistas ocidentais pelo budismo deve-se, em parte, à sua natureza de desvio da mentalidade oriental, o que o torna mais acessível aos moldes de pensamento europeus.-
A preferência acadêmica pelo budismo serviu, em certos casos, como instrumento para promover um sentimento anticristão na Europa.
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Emile Burnouf e Léon de Rosny são citados como figuras cujas obras e esforços contribuíram para a propagação de visões budistas adaptadas aos interesses ocidentais.
A Sociedade Teosófica empreendeu esforços sistemáticos para anexar e dirigir o budismo exotérico, estabelecendo escolas e publicando manuais doutrinários sob sua supervisão.-
Henry Steele Olcott publicou o Catecismo Budista em 1881, obtendo a aprovação de H. Sumangala, a quem atribuiu o título de Grão-Sacerdote.
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Olcott arrogou para si a missão de reconciliar as igrejas budistas do Norte e do Sul, fundamentado em supostas revelações de suas vidas passadas como o rei Ashoka.
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C. Jinarajadasa afirmou possuir autoridade delegada pelo Grão-Sacerdote de Colombo para admitir europeus na religião budisatva, evidenciando o uso de organizações auxiliares para a propaganda teosofista.
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