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PRINCIPAIS PONTOS DO ENSINAMENTO TEOSÓFICO
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A doutrina teosofista tem como ponto central a ideia de evolução, uma concepção moderna e ocidental estranha às tradições orientais e apresentada como uma lei natural quando na verdade é uma hipótese que contradiz a pretensão de uma doutrina arcaica.
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A ideia de progresso e evolução é de origem recente, datando do século XVIII com Turgot e Condorcet, e não é essencial ao espírito humano.
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O fato de os teosofistas serem evolucionistas e, em geral, transformistas, demonstra que seu sistema não pode ter por base a mais antiga filosofia do mundo, como pretendem.
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A crença no progresso dificilmente se concilia com o apego a uma doutrina arcaica, pois a doutrina mais moderna deveria ser a mais perfeita para um evolucionista.
A descrição teosofista da evolução da humanidade é uma fantasia histórica baseada em ciclos, raças e rondas, com cronologias absurdas e contraditórias, uma caricatura da teoria hindu dos ciclos cósmicos.-
A história inclui sete “raças-mães” com suas sub-raças, percorrendo sete globos em uma “ronda”, que se repete sete vezes em uma “cadeia planetária”, com durações estimadas em milhões de anos.
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As cronologias apresentadas são contraditórias, como a data da fundação da quinta raça, avaliada em um milhão de anos por Sinnett e em 79.997 a.C. pelos autores das “vidas de Alcyone”.
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Essas concepções são apresentadas como verificadas por “clarividentes” que consultam as “arquivas akáshicas”, registros imaginários de eventos passados na atmosfera invisível da Terra.
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As descrições das civilizações antigas e dos poderes humanos, como a clarividência, são projetadas a partir de preocupações e descobertas da ciência moderna, como a aviação e a radioatividade.
A doutrina da constituição septenária do ser humano, com seus princípios e “corpos”, é uma deturpação materialista das concepções orientais, reduzindo tudo a diferentes estados de matéria.-
A classificação dos sete princípios é variável e contraditória entre os autores, que abandonaram os termos sânscritos em favor de equivalentes ingleses.
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Os princípios são vistos como “corpos” ou “veículos” que se interpenetram, materializando noções que são de ordem metafísica no pensamento hindu.
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A teoria é qualificada como “materialismo transcendental”, onde tudo é matéria sob diferentes estados, uma noção que não encontra correspondência nas doutrinas hindus.
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Os teosofistas forçam a classificação septenária onde as tradições orientais apresentam outras, como cinco elementos, alegando que os dois restantes foram propositalmente ocultados.
A doutrina dos estados pós-morte é igualmente materialista, descrevendo a progressiva desintegração dos “corpos” inferiores e um período de recompensa (“estado devachânico”) de duração variável, mensurável em tempo terrestre.-
Após a morte, o ser humano se desfaz de seus “corpos” inferiores em diferentes “planos”, até entrar em um período de repouso no “devachan”, que dura conforme seu grau de evolução.
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A duração desse estado, embora qualificado de “subjetivo”, é medida em anos terrestres, o que evidencia a mesma tendência a materializar todas as coisas.
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A concepção teosofista do além, apesar de mais sutil, é essencialmente análoga ao “Summerland” dos espíritas anglo-saxões, sendo ambos produtos da imaginação que transpõem condições terrestres para outros estados.
A crença na reencarnação, um dos pilares da doutrina, é uma ideia moderna, originada em meados do século XIX nos meios socialistas franceses e adotada pelos espíritas, de quem os teosofistas a tomaram.-
A ideia de reencarnação foi concebida para justificar as desigualdades sociais, mas não explica nada e se baseia em um princípio de razão insuficiente, pois uma igualdade primordial nunca poderia ser rompida.
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Do ponto de vista da metafísica pura, a reencarnação, seja na Terra ou em outros astros, é uma impossibilidade absoluta.
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Nenhuma doutrina tradicional antiga admitiu a reencarnação; o que se encontra em textos como os budistas são “mudanças de estado” descritas simbolicamente como “vidas”, mas que não correspondem a uma pluralidade de existências terrestres sucessivas.
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A fonte da ideia de reencarnação para os teosofistas foi o espiritismo de Allan Kardec, conforme demonstram os primeiros anos de vida de Helena Blavatsky.
A lei do “karma”, intimamente ligada à reencarnação, é uma concepção moralista ocidental, uma espécie de “justiça imanente” que retribui as ações de uma vida em condições na vida seguinte, um abuso do termo sânscrito original.-
O termo sânscrito “karma” significa simplesmente “ação”, e não “causalidade” ou “lei de retribuição”, que são conceitos ocidentais que os teosofistas lhe atribuíram arbitrariamente.
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Alguns teosofistas personificam o karma como uma entidade ou agente que aplica sanções, enquanto Helena Blavatsky atribuía esse papel a seres especiais chamados “Lipikas” ou “Senhores do karma”.
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O caráter moralista da teoria do karma se tornou cada vez mais central nos ensinamentos teosofistas, especialmente após a morte de Helena Blavatsky.
O conjunto da doutrina teosofista, com suas pretensões orientais infundadas, deve ser classificado como “neo-espiritualismo”, um fenômeno moderno e ocidental, ao lado do espiritismo e do ocultismo, com os quais compartilha a mesma mentalidade desequilibrada e perigosa.-
O teosofismo não possui base tradicional autêntica, sendo uma invenção moderna que amalgama elementos díspares do ocultismo e do espiritualismo ocidental.
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As escolas neo-espiritualistas, incluindo o teosofismo, apresentam o grave inconveniente de desequilibrar e, em casos extremos, levar à ruína e à loucura aqueles que as frequentam, constituindo um perigo público.
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Ao criar confusão, o teosofismo desacredita o estudo das verdadeiras doutrinas orientais e dá aos orientais uma péssima imagem da intelectualidade ocidental.
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Na Índia, o teosofismo nunca teve sucesso fora dos meios ingleses ou anglófilos, sendo visto pelos hindus como uma seita protestante de caráter particular, devido às suas tendências moralizantes e à sua propaganda a serviço de interesses britânicos.
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