User Tools

Site Tools


guenon:rgt:xii

O TEOSOFISMO E O ESPIRITISMO

TEOSOFISMO

  • Apesar de compartilhar características com o movimento geral do neo-espiritualismo, o teosofismo se distingue do espiritismo, com cujos chefes os teosofistas frequentemente rivalizam, embora possam se aliar em ocasiões específicas.
    • O neo-espiritualismo engloba o ocultismo, o teosofismo e o espiritismo como espécies de um mesmo gênero, unidas por uma mentalidade comum, mas são movimentos distintos e frequentemente rivais.
    • As rivalidades entre os chefes dessas escolas são reais, mas podem coexistir com alianças pontuais para determinados fins, assim como ocorre na política.
    • Helena Blavatsky e a Sociedade Teosófica sempre manifestaram oposição às teorias espiritualistas (espíritas), negando que os fenômenos das sessões sejam causados por espíritos de mortos.
    • A explicação teosofista para os fenômenos espíritas atribui-os ao “corpo astral” do médium, a “elementais” ou a “coques” (carcaças astrais), negando a comunicação com os mortos, exceto em casos excepcionais e raros.
  • A crítica teosofista à doutrina do retorno dos espíritos dos mortos, vista como cruel por impedir o esquecimento dos sofrimentos terrenos, contrasta com a sua própria concepção de um estado de felicidade no devachan, baseado no esquecimento absoluto das dores passadas.
    • Helena Blavatsky considera a doutrina espírita do retorno dos mortos como “egoísta e cruel”, pois os condenaria a testemunhar as dores deixadas na Terra, impedindo qualquer felicidade.
    • Ao contrário, a concepção teosofista do devachan promete um estado de felicidade perfeita baseado no esquecimento total de toda dor e sofrimento da vida passada.
    • A admissão de que os mortos poderiam se comunicar nos dias imediatamente posteriores ao falecimento, embora rara, abria uma porta para concessões e compromissos que poderiam levar a uma aceitação maior do espiritualismo.
  • Embora condenem a mediunidade espírita por seus perigos e por considerá-la uma forma de necromancia, os chefes teosofistas, paradoxalmente, submetem seus seguidores a treinamentos psíquicos que são igualmente arriscados e desequilibram os espíritos fracos.
    • Helena Blavatsky e outros chefes teosofistas condenam veementemente as práticas espíritas, alertando para os perigos da mediunidade, que consideram uma forma de necromancia que leva à perdição, como exemplificado por médiums famosos que terminaram na loucura.
    • Os teosofistas argumentam que a mediunidade é uma doença que torna a pessoa suscetível à obsessão por entidades do plano astral, e que os fenômenos são em sua maioria de baixo valor e prejudiciais.
    • Apesar desses alertas, os treinamentos psíquicos promovidos pela Sociedade Teosófica, especialmente em sua seção esotérica, são tão perigosos quanto a mediunidade, causando desequilíbrio mental em muitos seguidores.
  • Muitos teosofistas, em busca de satisfação para suas aspirações pseudo-místicas e sentimentais, ignoram as contradições da própria doutrina e se envolvem em práticas espíritas, revelando uma mentalidade religiosa desviada e pouco intelectual.
    • Na massa de teosofistas e ocultistas, muitas pessoas praticam o espiritismo simultaneamente, sem se preocupar em conciliar as duas crenças, o que evidencia uma natureza mais sentimental do que intelectual.
    • Esse comportamento reflete a “religiosidade” inquieta e desviada que caracteriza grande parte da mentalidade contemporânea, especialmente nos meios protestantes e modernistas.
    • Tanto o bergsonismo quanto o pragmatismo de William James, com seu apelo ao subconsciente como via de contato com o divino, possuem afinidades com essa tendência neo-espiritualista e são adotados pelos modernistas.
  • Os teosofistas olham com desdém para os espíritas, considerando-se uma elite esotérica, mas essa postura é injustificada, pois suas próprias ideias são, em grande parte, originárias do espiritismo e seus fundadores, incluindo Charles Leadbeater, eram espíritas antes de se converterem.
    • A postura de desdém dos teosofistas em relação aos espíritas é motivada por suas pretensões esotéricas, que os colocariam em uma posição hierárquica superior em relação à democracia do movimento espírita.
    • O proselitismo teosofista contradiz o princípio do esoterismo, que deveria ser reservado a uma elite, aproximando-os, na prática, dos métodos dos espíritas.
    • O desdém é injustificado porque a maioria das ideias teosofistas foi emprestada do espiritismo, e muitos de seus líderes, como Charles Leadbeater, eram espíritas atuantes antes de se juntarem à Sociedade Teosófica.
  • Uma tentativa de Annie Besant de se aproximar e aliar-se aos espíritas, em 1898, revelou-se um exercício de má-fé e uma manobra política para cooptar o movimento, distorcendo a história das relações entre as duas correntes e negando as declarações antiespíritas anteriores.
    • Annie Besant, em discurso na “Aliança Espiritualista” de Londres, buscou uma aproximação com os espíritas, afirmando que ambos os movimentos provinham da mesma fonte oculta de Adeptos.
    • Ela reinterpretou a história, alegando que a Sociedade Teosófica e o movimento espírita deveriam ter trabalhado em conjunto e que a ruptura se deu por um mal-entendido, quando na verdade Helena Blavatsky sempre condenou o espiritismo.
    • Para agradar aos espíritas, Annie Besant chegou a negar as posições de Helena Blavatsky e de William Judge, afirmando que a maioria dos fenômenos espíritas provinha dos desencarnados e não de “coques”, uma mentira flagrante.
    • A iniciativa de Annie Besant foi uma “política” para cessar os ataques dos espíritas ao teosofismo e, a longo prazo, preparar uma absorção do movimento “espiritualista”, o que não obteve sucesso.
guenon/rgt/xii.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki